terça-feira, 27 de julho de 2010

A pequenez e grandeza juntos (XXXIX) - Uma nova vida em Londres

Os meses passavam-se, as cartas para Carlos, no casarão, em Londres, acumulavam-se; Roberta estava confusa. Como estaria Carlos? Há meses que não se falavam. Desde a última conversa, pouco ou nada se tinha avançado sobre a pista e o tempo estava a "esgotar-se".
A quilómetro de distância é de reparar na grandiosa cirurgia que os oftalmologistas fizeram a Carlos. Mas o silêncio intrigava-o...
O silêncio, desde o Secundário, era um dos grandes medos de Carlos, e agora, ele estava a passar pelo maior da sua vida. Foram meses de tremendo medo, dor no estômago, rosnar dos intestinos e vontade de vómito. A decisão que Roberta tomou, quando o mandou para aquela clínica, não era percebida por Carlos. Ele queria estar com Roberta, senti-la como a sentia e como a sentiu. Já recuperado da cirurgia, mas não da depressão que ele tinha, o choro era evidente.
Ele tanto chorava como sangrava. Ele tanto desejava Roberta como a odiava. Ele tanto dizia desculpa, como gritava que era o culpado de "o nada", mas mesmo assim, se iria matar. Ele não estava bem, nem naquela clínica. Ele precisava de tempo, coisa que não tinha; ele precisava de ser são, coisa que não era, ele precisava de ser ele próprio, coisa que ele não conseguia ser.
De repente, decide ligar para Portugal, para os pais de Roberta. Perguntou se o podiam acolher. Apesar de Carlos ter família em Portugal e ter Roberta em Londres, ele precisava de alguém mais, muito mais maduro. De um apoio forte, fora da família.
Ele precisava de mudar de ares, de sentir um prazer de novo.
Apanha o voo e, quando chega a Portugal, mais especificamente, na casa dos pais de Roberta, pede à mãe dela para lhe dar um abraço. Ninguém lhe dava um abraço há muito. Há tanto tempo, que ninguém podia entender como ele se mantia em pé sem carinho.
Quando Cristina, mãe de Roberta, acaba o abraço, Carlos diz-lhe que agradece o abraço do fundo do coração. E senta-se pela primeira vez, no sofá de casa de Roberta. Nunca lá tinha ido, mas tudo era tão belo.

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