As pupilas estavam em boas "condições". O organismo de Carlos tinha explodido com tudo aquilo, dando um sinal que chegava de todas as chatices e choros. Ao sentir o quente corpo de Roberta perto dele, Carlos aconchega-se e já se sente melhor. O médico não lhe deu alta durante uma semana. E durante essa semana, todos os dias, Roberta palmilhava Londres para ir ao hospital onde Carlos estava, estar um pouco com ele e, de seguida, ir para casa. Num desses dias, ao chegar a casa, chama Emily ao seu gabinete e tem uma conversa com um tom ríspido com ela.
"Não fale enquanto eu não lhe der autorização. Sabe uma coisa, eu e o Eng.º Carlos temos uma relação de amizade muito pegada, muito nossa e eu não permito que pessoas de fora venham dizer o que eu devo dizer ou falar. Se eu lido assim com ele, é porque acho que é a melhor forma de lidar. Se eu não respondo, é porque acho que não devo de responder. Carlos já me deitou muito abaixo. Fez coisas que eu nunca pensei que fizesse, foi egoísta, egocêntrico, injusto muitas vezes comigo. E eu, sempre o desculpei e lhe dei uma segunda oportunidade. Eu noto o que Carlos tenta fazer, que ele sente por mim, e eu sei o que sinto por ele. Mas não admito que se metem entre nós. Não posso dizer que o Carlos não é importante para mim, porque o é. Mas tudo tem conta e medida. E ele sabe disso. Ele sabe que a partir de determinada altura não me sinto bem. Pode-se retirar".
Roberta não deu hipótese de Emily contrapor nada. Após ter conversado com a funcionária de serviço à noite, sai do gabinete e vai para o quarto de Carlos. Dorme lá naquela noite. Aconchegada com os lençóis fofos e macios do ex-chefe da casa, imagina tanta coisa que não sabe o que fazer. Conclui que prefere manter o silêncio e Carlos terá de respeitar isso. Carlos continuava no hospital, naquele espaço branco, fechado e um pouco claustrofóbico. Desejava estar com Roberta e poder sorrir ao lado dela uma vez mais. Mas ela não estava lá naquele momento.
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