quinta-feira, 22 de julho de 2010

Continuo a ser eu.... aquela pessoa em que tu... Please! (XXXVII) - Uma nova vida em Londres

A noite não parecia ter fim. O desejo de Carlos em recuperar a visão era algo estonteante. Ele nunca tinha comentado nada acerca de Roberta, sem ser o seu interior, apesar de a ter visto em adolescente. Procura o gravador que tinha na caixinha dos textos e ao encontrá-lo rebobina a cassete e começa a ouvir um dos textos que ele tinha gravado, mas nunca escrito:

"Não sei como intitular este texto. Um texto oral, o primeiro que eu lhe gravo. Estou quase a chorar. Quero encontrar-me com ela, mas estou muito longe. Quero poder-lhe dizer que BASTA e que apesar de tudo quem está a sofrer sou eu. Que até posso ter assumido e feito um grande erro, mas que, ela, na minha opinião, não está a agir como deveria agir. Mas não posso. Não estou junto dela. Estou longe, muito longe, mesmo muito longe. Não sei que fazer. Sinto-me perdido nesta azáfama de pessoas, as quais, para mim, este ano não querem dizer nada. Eu devia estar onde moro e não a passar férias. Eu devia estar junto dela, para podermos tentar resolver as coisas, mas não estou. Não consigo resolver nada por telemóvel. Não sei que mais fazer para lhe dizer o que quero dizer. Ela continua preocupada comigo, porque não estou muito bem, mas quando eu toco em algo, como no antigamente, ela não responde. O passado é o presente! Eu não quero!!!! Eu quero o passado recente, antes de eu ter cometido o grande erro. Não sei que mais pensar, que mais dizer, que mais falar. Encontro sempre algum obstáculo que me impede de avançar, nem que seja o seu silêncio electrónico. Como devo fazer? Não sei e não quero estar assim. Estou a desgastar-me, a arranjar nervos a mais, a deixar que ela me consuma, por coisas que eu não lhe consigo explicar ou ela não quer voltar a passar comigo. Quem me dera poder estar ao pé dela, mesmo juntinho e ajoelhar-me e pedir-lhe perdão! Não um perdão electrónico, mas sim algo sério, um perdão a sério, no meio da rua. Só me lembro nestes momentos dos nossos maus momentos, e de alguns bons, mas em último lugar. Farto-me de suspirar para aqui, mas ela não ouve. Quero algo que a faça perceber como eu estou e porque estou assim..."

Com dificuldade, Carlos deita-se na cama e adormece destapado. Continua a guardar o grande segredo da saúde dele, mas não o consegue contar. Apenas ao ouvir Roberta ao longe pensa no seu sorriso, que esse sim, deixava-o feliz e sem medos pela frente.

Sem Roberta e sem sorriso Robertesco era mais complicado, muito mais.

Será que ela quer-me castigar mesmo? Ou o tempo vai fazer com que se melhore algo? - Perguntou Carlos, quando acordou com um grande espirro.

Mais uma vez não obtém respostas. Volta-se a deitar e procura o telemóvel, para de manhã cedo ligar para Portugal. Falar com alguém sobre os seus problemas. Na janela de Carlos a escuridão da noite era contrastada com umas nuvens mais claras carregada de chuva. Mesmo que fosse de dia, ele não iria perceber. Ele não conseguia ver o relógio, ainda continuava cego.

Sem comentários:

Enviar um comentário