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domingo, 9 de janeiro de 2011

Future Thinking #5

Há tanto tempo que não falávamos.

Assumo que sou culpado disso, tenho andado para aqui ocupado com as coisas da casa, dado que a mãe comprou-me uma casa por aqui e devo ficar cá a viver. É longe da cidade capital é um facto e também de toda a vida minha passada, mas já me habituei a viver aqui e por isso, não me custa ficar o resto dos anos. Já conhecia aqui alguns amigos e por isso, adaptei-me mais facilmente.

Mas também digo que tenho saudades da minha terra natal. E das pessoas que passaram comigo a maior parte do tempo.  Não tenho ido aí de fim de semana. A família é que vem cá e também estão a pensar seriamente em vir ter comigo definitivamente.

E sim, especialmente de ti. Tenho saudades tuas, das nossas conversas, da nossa grane abertura, dos nossos sorrisos virtuais e da nossa antiga amizade. Por muito que eu te considere a mesma pessoa com a mesma importância para mim neste momento, estar longe de ti dificulta muito as coisas. Se até quando estávamos perto eu por vezes achava-te longe, fará agora. Cada dia que passa tenho cada vez mais saudades dos nossos smiles, e da tua carinhosidade.

Mas também digo que não fosse a tua vontade de quereres que o meu mundo não girasse à tua volta que neste preciso momento sinto-me com vontade de não precisar tanto de ti. No entanto , não posso ignorar a tua importância na minha vida, tanto no passado como no presente!

Espero que estejas bem e a tua família esteja excelente. E já sabes, agora que tens a minha morada cá de cima, podes enviar o que quiseres, quando quiseres! Ah, e um a parte no serious relationships. Já sabes como eu sou!

Vive a vida como tu melhor sabes,

Beijos do teu amigo

Dupé

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Future Thinking #4

A necessidade de ele sair de casa era enorme. Não se conseguia concentrar em quase nada. Os projectos que ele pensava eram de baixa qualidade, não existiam novidades para ele contar e a família seguia na rotina habitual.
Desta feita, aproveitou o facto de um Decreto-Lei que autorizava as permutas entre Universidades de Portugal, desde que o código do curso fosse igual. Ao conseguir trocar a cidade onde estava por uma do interior, longe da família e dos amigos, longe dos transportes que gostava e da preocupação no geral, tornou-se muito mais adulto.

Trocou as horas do dia. Ele já não acordava à sete e se deitava às dez ou às onze. Preferia acordar às três da madrugada, estudar até à hora de ir para a faculdade, almoçar por lá e assim que chegava a casa ceava qualquer coisa e metia-se na cama até às próximas três da manhã.

Era uma rotina completamente desregulada de toda a vida actual e portuguesa.

Ele vivia numa praceta, perto da faculdade. Um dia, acorda à sua hora normal e põe-se à janela, coisa que já era habitual, visto que ele mantinha a vida programada ao minuto. Ficava ali a vislumbrar a praceta e pouca vida humana existente a tal hora. Quando chovia, ao invés de abrir a janela, respirava para os vidros e ao ficarem embaciados começava aí a pensar no que iria estudar a seguir. Nos outros dias pegava numa caneca alaranjada que ele tinha levado para lá e bebe o seu leite – parte do pequeno almoço.

Após as três horas e pouco de estudo acaba por se vestir, perfumar-se e sair, em direcção à faculdade. Os autocarros tinham-se tornado um transporte que ele mal usava. Não precisava deles minimamente.

Ao chegar a tal local de estudo, ignorava todas as vida académicas existentes até ao dia em que lhe ofereceram um crachá de aluno da faculdade. Aí, passou a dirigir-se mensalmente à Associação de Estudantes mensalmente para pagar a quota e, tendo como benefício um check-up semestral. Algo que ele sempre achou bom, e ainda longe da família, era mais uma quantia que se poupava para os afazeres diários.

Acabava por chegar às aulas e, anotava o que achava importante, mal falava com quem tinha ao lado, que por coincidência era o seu vizinho do lado no prédio onde habitava. Mal terminavam as aulas ia à cantina buscar o seu jantar (que seria o almoço dos restantes alunos) para tomá-lo por volta da hora do habitual e rotineiro lanche da tarde normal.

De seguida partia para casa, quando não tinha mais obrigações e ao chegar a tal sítio tão próprio dele, bebia uma caneca de leite e deitava-se. Quando alguma obrigação o prendia, resolvia-a e de seguida acabava pela mesma rotina. Mas apenas estudava de madrugada com o cérebro fresco.

Uma vez, uma colega dele, que se sentava à sua frente pergunta-lhe o seu endereço de e-mail para trocar apontamentos. Ele dá-lho, mas a colega nunca consegue ter uma resposta imediata. Apenas a horas não tão normais, mas acabava por as ter. Certo dia, em vez de enviar um pedido de apontamentos, manda-lhe uma mensagem electrónica questionando a tão diferença perante a sociedade. Ele não lhe respondeu. Ficou com aquele enorme segredo para ele.

Ao manter dentro do seu castelo, de janelas fechadas e portas cimentadas, nas férias, antes de iniciar o estudo para as frequências, responde à colega:

“Olá. Não aches estranho tal hora, porque me habituei a viver assim. Estava cansado e farto de viver coo as pessoas normais viviam. Assim consigo ter um maior rendimento a nível académico e acabo por me esquecer de toda a vida paralela, seja ela sentimental ou racional, de diversão ou de responsabilidade. O facto de estar acordado de noite faz-me, além de ter vontade de estudar, reprimir os meus sentimentos passados, fugir à família que tenho em casa. Não que a família fosse má, porque não o é. Mas sim, porque se me quero tornar muito mas muito independente cabe-me a mim, nesta fase, ainda que não trabalho, lembrar-me dela, com conta e medida. Esta foi a medida que me ocorreu e por acaso é boa.

E com certeza deves ter ouvido os rumores na Faculdade. Apesar de eu não me pronunciar sobre eles, sim eles são verdadeiros. Tenho o quarto cheio de fotografias de transportes e o escritório no meio com uma fotografia de uma amiga que ficou por onde eu vivia antigamente. E além disso, também sou crente. Tudo isto tem uma razão de ser: os transportes, eu sempre amei transportes e aqui não preciso deles. Assim consigo lembrar-me de bons momentos que tive neles e acabar por adormecer de forma tranquila. O facto de ser crente, sempre o fui. Mais ou menos, dependente das ocasiões, sempre acreditei em algo superior À existência do homem. E por fim a fotografia. Não, não vale a pena acreditares nos rumores (de segunda versão) que correm pelas aulas, porque esses não são verdadeiros. Não, não é a minha miúda, ou nada parecido com isso. Apenas é uma amiga, mas uma excelente amiga. A transposição dos meus sentimentos não ocorreu da melhor forma e eu também não queria de maneira nenhuma estar a fazer e pensar algo que me pudesse ajudar para ver se ela alguma vez iria olhar para mim. Por muito que eu quisesse ou achasse benéfico para a minha vida (que o era, e não estaria aqui se tal tivesse acontecido), fugir foi a melhor solução. E acabei por me contrariar. Mas tanto a fotografia me mostra momentos felizes, como momentos mais chatos e pouco giros. Daí a contrariedade.

Sou apenas uma pessoa diferente cara colega, se precisares de mais algum apontamento, já sabes que to dou, mas… Terás a resposta por volta das três da manhã.

Cumprimentos,

O teu colega.”

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Future Thinking #3

Estava prestes a terminar o 12.º Ano. Era o último dia de exames. Depois disso ia de férias e, como no ano passado não a ia voltar a ver. Nem a ela nem a mais ninguém, a não ser quem passa férias comigo na fronteira do Alentejo com o Algarve.

Pois bem, tinha tomado a decisão há uns meses de pôr na ficha de candidatura "Aveiro", "Covilhã", mas claro, antes duas em Lisboa. Naquele ano abria Aveiro e eu até estava completamente radioso de poder ser um dos primeiros alunos a ir para lá. Apesar de ser a terceira minha escolha, se lá ficasse colocado, ia sem dizer não. Apesar de inicialmente eu querer ir para Sevilha, mas cá em casa não me deixaram.

Estava na hora de lhe dizer. Derrotista como estava nesse dia, onde tinha feito exame de manhã, e ainda com as malas para fazer, vou ter à porta dela e convido-a a ir lanchar comigo, assumindo que era urgente e que era importantíssimo. Eu ia-me embora e não sei se era justo e válido o que eu ia fazer.

Mas disse, acabámos por fazer o caminho do costume e quando chegámos ao local onde eu lhe disse, não lhe dei nenhum papel. Voltei-me e disse-lhe que tinha posto Aveiro e Covilhã para o fim da lista de hipóteses. Aí comecei a derramar lágrimas. Líquido atrás de líquido e ela manteve a sua postura: firme, de costas direitas e com um sorriso; dando-me de seguida um lenço para eu limpar as lágrimas. Assim findou o lanche com metade do meu pão na mesa e um leite com chocolate cheio.

Eu queria fugir dali! Queria ter um conforto. Ela deu-me um lenço. E sim, confortou-me. Mas continuava com medo da reacção dela. Tinha medo nessa altura. Quase na paragem do autocarro e com ele já ao fundo, não quero saber de quem ali passa e abraço-a! Fechei os olhos e deixei dentro da blusa um mini-bilhetinho, porque já sabia que não iria conseguir dizer-lhe tudo. E voltei a chorar. Acho que aquele abraço dizia tudo.

Entrei no autocarro e vim para casa. Desliguei o telemóvel e meti-me na cama em pleno Verão com as malas para fazer. Pego numa fotografia nossa, e deixo-a no sítio, apenas a tinha limpado com um pano.

No meio das férias ela ligou-me. Disse que tinha entrado em Lisboa. Eu menti. Disse que ainda não tinha visto. Mas sim, tanto eu como ela sabíamos que eu tinha entrado em Aveiro. Ia-me descaindo ao telefone na consegui conter-me. Desligo-lhe o telefone com tal impacto na tecla vermelha que ela se estraga. E vou em direcção à casa de outra amiga e bato-lhe à porta chorando de forma imensa, porque tinha entrado em Aveiro e o sentido se iria perder.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Future Thinking #2

Era uma sexta-feira, quer dizer, já sábado, uma da madrugada.

Uma das primeiras boas noites, sem vento, já com um pouquinho de calor à mistura. E estava eu ali, a conduzir um carro branco na direcção da Ponte 25 de Abril, quando me lembro de mudar de rota e seguir pela Vasco da Gama para chegar a casa. Seria mais longe, mas não apanharia nenhum controlo policial e, até podia ser mais rápido. Era caótica aquela hora na Ponte 25 de Abril para Sul.

Quando passo em frente à Estação Fluvial do Terreiro do Paço, ia atropelando alguém uma mulher na casa dos seus vinte anos de calças de ganga a correr para apanhar o último barco. Fiz-lhe sinais de luzes. Consegui parar a milímetros daquela nova senhora. Eram uma hora de cinquenta e sete minutos. Faltavam três para  partida do barco...

Parece que o tempo tinha parado para aqueles três minutos. Eu estava de barba grande, não ia dormir a casa há três dias. E ela, estava tão alta, tão diferente. Não sai do carro. Mantive-me lá dentro. Ela expressou um sorriso e continuou a sua corrida para apanhar o bem dito transporte. Encostei à frente junto às paragens dos autocarros para ver se tal rapariga apanhava o barco. Desligo o carro, tiro o cinto e fico ali. Para ver se naquele minuto a tal humana conseguia chegar ao seu destino.

Vejo-a a regressar. O apito do barco tinha sido dado momentos antes de ela ter passado na máquina o seu passe. Não o conseguiu apanhar. Quando noto tal pessoa a dirigir-se com um telemóvel na mão para trás, vou ter com ela e pergunto-lhe se o destino dela é o Barreiro. Ela responde que sim e acabo por convidá-la para entrar no carro, porque ambos tínhamos a mesma cidade como ponto final de trajecto.

Continuo a viagem e passo por alguns motoristas que conhecia, chegando à Ponte Vasco da Gama. No sentido contrário estavam a decorrer as famosas e ilegais corridas de carros. Mas por sorte consegui passar a ponte em menos tempo do que o normal. Quase que não havia trânsito.

No carro o clima era de silêncio. Quando viro para o Barreiro pergunto-lhe qual a zona onde ela morava e a resposta foi no centro. Deixei-a junto ao fórum. Era um sítio mais directo para eu depois chegar a casa, desfazer a barba e ir-me deitar. Assim foi.

Chego ao sítio onde a devo deixar e peço desculpa quanto ao quase atropelo em Lisboa. Ela volta a sorrir e pergunta se já nos conhecíamos anteriormente. Eu respondo que não sabia, mas que me chamava Guilherme. Ela voltou-se e desejou-me bom fim-de-semana, dizendo que se chamava Francisca.

Quando Guilherme chega a casa e se vai deitar lembra-se quem é que poderia ser Francisca, mas com a dor de cabeça que ele tinha, caiu na cama, não se recordando de mais nada. Apenas conseguiu sorrir, quando se levantou na manhã seguinte, com um bonito dia de Sol.

Quem seria Francisca? Ele ficou a perguntar e perguntar até que decidiu ligar a todas as raparigas que conhecia e que tinha número de telemóvel. Concluiu que Francisca era.... a Francisca de outros tempos! Apenas, mais crescida...

sábado, 2 de outubro de 2010

Future thinking #1

Mais uma manhã acinzentada estava quando abri a janela do meu novo quarto. Tinha mudado de casa a pouco e, por sorte era um dia de greve dos autocarros da minha cidade. Precisava deles para ir até à estação fluvial para apanhar o barco para a outra margem do rio. Peguei no carro branco de dois lugares, novo, que ainda não tinha conduzido e estacionei longe da estação fluvial, porque era mais que certo, tendo em conta que não existiam autocarros naquele dia, que os estacionamentos mais próximos estavam completos.

Travo o carro, tiro a chave e tranco o bem dito. Começo a subir a passagem desnivelada em direcção ao terminal. As memórias começam-me a vir à cabeça. Memórias essas mais esquisitas que outras, mas adoráveis. No entanto, todas passadas. Chego ao leitor de bilhetes e valido o meu passe intermodal. O barco estava quase a partir, com todos os atrasos de não haver autocarros tinha chegado mesmo à tira para apanhar o barco do costume. Assim foi. Lugar sentado já não fui. Fiquei um quarto de hora agarrado às partes metálicas do bar do navio, depois de beber um descafeinado, simplesmente porque me apetecia variar um pouco.

Os motores do barco diminuem o seu barulho. A chegada à outra margem estava a poucos minutos de acontecer. Dirijo-me para junto da porta de saída, para que, quando o barco atracasse e abrisse as portas pudesse ser um dos primeiros a sair. Bem dito, bem certo.

Mal o barco atraca e aquela porta abre, começo a correr desalmado pelo pontão acima em direcção ao elevador da estação do metro. Era muito mais rápido ir por lá do que circundar as obras que terminariam no mês seguinte. Cheguei ao piso -2. Validei de novo o passe e dirijo-me ao cais para apanhar o comboio proveniente da tal estação internacional famosa. Entro e fico encostado, como de costume, à estrutura do comboio, do outro lado, onde as portas não abrem. A composição ia a arrancar quando ela, em conjunto com um rapaz, entram. O maquinista vê tal casal e desfaz o pré-aviso de fecho, de forma a eles não ficarem entalados na porta.

Quando a vi entrar no comboio sorrio e mexo-me para me aproximar dela. No entanto, quando vejo o rapaz, mais alto que eu, com os ténis da moda e, com o cabelo como ela gostava, mantenho-me quieto no meu cantinho junto à porta. Observo-os de longe e vejo vários beijos. A minha cara fica triste. Por pouco não chorava.

Eis então que chega a estação em que tínhamos os três de trocar de linha, porque estávamos todos na mesma faculdade. Rapidamente saio daquele comboio, subo as escadas e, aceito o jornal gratuito, que, por estar a chover, distribuíam hoje naquele corredor subterrâneo. Depressa chego ao cais da outra linha. O comboio estava como que à minha espera. Aí, sento-me e vejo as horas. Faltava um minuto e meio para o comboio partir. Mais uma vez à pressa, eles entram no comboio e eu tento disfarçar, lendo o jornal que me tinham dado. Eles sentaram-se à minha frente e, ela não reparou que aquele rapaz era eu. (Bem, também estava mais ocupada com outras coisas.) A estação antes daquela que era a correcta para se ir para a faculdade é anunciada pela voz feminina do metro. Eu coloco os óculos escuros, ponho o boné, e levanto-me do lugar onde estou, fechando o jornal. Dirijo-me para a porta de saída e começo a chorar. Mais e mais e mais, e esse tempo o metro pára na estação e ela olha para mim, já eu estava a tirar o boné e os óculos, fora do metro. Eu vi aquele acena, mas ao mesmo tempo, para ela ver limpei com o lenço que levava os olhos. Subi para a superfície e fui até à faculdade a pé. Lá cheguei e, encontrei-os ao longe. Rapidamente refugio-me numa casa-de-banho masculina e ponho-me junto de uma sanita a chorar, até que reparo que já ia atrasado para a palestra das  nove horas. Mas a dor de pensar que eles namoravam era muito maior do que a vontade de ir para as aulas.