terça-feira, 19 de outubro de 2010

Future Thinking #2

Era uma sexta-feira, quer dizer, já sábado, uma da madrugada.

Uma das primeiras boas noites, sem vento, já com um pouquinho de calor à mistura. E estava eu ali, a conduzir um carro branco na direcção da Ponte 25 de Abril, quando me lembro de mudar de rota e seguir pela Vasco da Gama para chegar a casa. Seria mais longe, mas não apanharia nenhum controlo policial e, até podia ser mais rápido. Era caótica aquela hora na Ponte 25 de Abril para Sul.

Quando passo em frente à Estação Fluvial do Terreiro do Paço, ia atropelando alguém uma mulher na casa dos seus vinte anos de calças de ganga a correr para apanhar o último barco. Fiz-lhe sinais de luzes. Consegui parar a milímetros daquela nova senhora. Eram uma hora de cinquenta e sete minutos. Faltavam três para  partida do barco...

Parece que o tempo tinha parado para aqueles três minutos. Eu estava de barba grande, não ia dormir a casa há três dias. E ela, estava tão alta, tão diferente. Não sai do carro. Mantive-me lá dentro. Ela expressou um sorriso e continuou a sua corrida para apanhar o bem dito transporte. Encostei à frente junto às paragens dos autocarros para ver se tal rapariga apanhava o barco. Desligo o carro, tiro o cinto e fico ali. Para ver se naquele minuto a tal humana conseguia chegar ao seu destino.

Vejo-a a regressar. O apito do barco tinha sido dado momentos antes de ela ter passado na máquina o seu passe. Não o conseguiu apanhar. Quando noto tal pessoa a dirigir-se com um telemóvel na mão para trás, vou ter com ela e pergunto-lhe se o destino dela é o Barreiro. Ela responde que sim e acabo por convidá-la para entrar no carro, porque ambos tínhamos a mesma cidade como ponto final de trajecto.

Continuo a viagem e passo por alguns motoristas que conhecia, chegando à Ponte Vasco da Gama. No sentido contrário estavam a decorrer as famosas e ilegais corridas de carros. Mas por sorte consegui passar a ponte em menos tempo do que o normal. Quase que não havia trânsito.

No carro o clima era de silêncio. Quando viro para o Barreiro pergunto-lhe qual a zona onde ela morava e a resposta foi no centro. Deixei-a junto ao fórum. Era um sítio mais directo para eu depois chegar a casa, desfazer a barba e ir-me deitar. Assim foi.

Chego ao sítio onde a devo deixar e peço desculpa quanto ao quase atropelo em Lisboa. Ela volta a sorrir e pergunta se já nos conhecíamos anteriormente. Eu respondo que não sabia, mas que me chamava Guilherme. Ela voltou-se e desejou-me bom fim-de-semana, dizendo que se chamava Francisca.

Quando Guilherme chega a casa e se vai deitar lembra-se quem é que poderia ser Francisca, mas com a dor de cabeça que ele tinha, caiu na cama, não se recordando de mais nada. Apenas conseguiu sorrir, quando se levantou na manhã seguinte, com um bonito dia de Sol.

Quem seria Francisca? Ele ficou a perguntar e perguntar até que decidiu ligar a todas as raparigas que conhecia e que tinha número de telemóvel. Concluiu que Francisca era.... a Francisca de outros tempos! Apenas, mais crescida...

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