sábado, 16 de outubro de 2010

Now....? The night was long.... Now?

Naquele dia tinha acordado bem. A horas de fazer a barba, vestir-me, tomar o pequeno-almoço e ainda ver um bocadinho de televisão. Eu sabia que aquele dia era preponderante para a minha vida e também para a vida de todos os meus colegas. Era eu o responsável para que aquelas 24 horas se transformassem nas melhores dos últimos anos... Mas tudo tem um mas...

Saí de casa às 7h19, quando olhei para o relógio ainda acelerei o passo, mas o autocarro já tinha passado. Quando perco o autocarro é sinal que o dia não vai correr bem. Consigo depois entrar na carreira alternativa, cinco minutos depois, e tal decisão obriga-me a andar 600 m até à escola, que sem nenhum problema o fiz. Estava fulo! Eu detesto perder autocarros, porque faz-me pensar que não sou o certo o suficiente para que consiga ter uma rotina decente, apanhando sempre aquele autocarro.

Rapidamente dá o primeiro toque e entro na aula de Biologia. Começámos a falar de outros professores, de outros anos. Não gosto de falar disso, porque apesar de ser aluno também sou representante em tantos outros órgãos (dois novos, inclusive) e aí tenho de me parecer igual à maioria dos seus membros - professor.

Depois da ficha resolvida saímos. Como tinha comido no meio da aula de Biologia não tinha qualquer fome, mas tinha a necessidade e saber se eu poderia ser útil nas actividades que se iriam realizar naquele dia. Mandaram-me lá estar no intervalo a seguir para fotografar a acção.

Entrei na aula de AP com a grande conversa entre colegas de grupo já tida e, decidido que com um grupo de oito pessoas seria impossível trabalhar. Saímos da aula para escolher um novo tema: "Culturas, de onde somos? O passado e o presente". Admito que sempre quis trabalhar saúde em AP, mas não tive sucesso entre o grupo. A sorte é que sou um pouco flexível e acabei por me adaptar à ideia de trabalhar as culturas.

Sei lá mais... Vim para casa, já com uma carrada de tosse e espirros, a chocar uma gripalhada, mas tinha de a conter até ao fim do dia, no entanto não podia tomar qualquer remédio químico. Quando cá cheguei almocei de forma rápida e fui acabar o relatório que tinha para fazer, de forma a que o pudesse apresentar na reunião à noite. Mas estava tudo muito silencioso.

Não me importando com isso saio, e passo pela escola, pela delegação de saúde do município, onde fui buscar métodos contraceptivos para o meu trabalho de grupo de Biologia e acabei no Espaço da Juventude, a testar o meu computador para a apresentação que ia fazer. Tudo estava bem!

Venho algumas pessoas na rua que me realçam a vista e comento isso com uma outra electronicamente. Aí percebi que mesmo que seja ínfimo, algo poderia não bater certo.

As horas iam passando e as 21 estavam a chegar. Eu pedi-lhe para ela conter o que me queria dizer até depois da reunião. Isso fez-me chorar. Estava super nervoso. Naquela altura, não era só pela reunião. Era também porque algo se passava e eu deveria saber - apesar de ter tentado travar.

A reunião passou-se. Ouvi elogios atrás de elogios, rebati comentários que até alguns achei despropositados. Um dos pontos altos da reunião que mudou os transportes barreirenses foi a Câmara Municipal convidar-me para criar a Comissão de Utentes dos Transportes Colectivos do Barreiro. Disse que ia pensar, mas só se não puder é que não irei criar tal comissão. Há muito que isso é necessário!

Acabei a reunião e fui para a paragem à espera. Apanhei uma das últimas carreiras que me podia levar a casa. Já tinha feito aquele percurso vezes sem conta após quase 17 anos de andar de autocarros. Mas foi especial! Porque era de noite e era o único passageiro. Conhecia o motorista e fiquei o percurso inteiro a falar com ele e ao mesmo tempo atento ao telemóvel de forma a que eu pudesse saber o que se passava e o que se precisava de falar comigo. Compreendi as respostas que me deram e quando cheguei à paragem tinha a família à espera. Abraçaram-me de tal forma que até me senti melhor. Poucos minutos faltavam para a meia-noite. O que sei é que quando cheguei a casa e acabei por ir para a cama, fiquei a magicar naquele assunto. Será isto? Será aquilo? Oh meu Deus, o que é? O que eu fiz de mal? Isto levou-me muito tempo. Não dormi quase nada e ainda tinha de fazer análises no dia seguinte (no sábado de manhã!) e eu estava triste e não queria de maneira nenhuma chorar outra vez.

Estou triste.

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