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quinta-feira, 14 de abril de 2011

TPC de Matemática

Sempre gostei de Matemática desde pequeno. Brincava com os número e aprendi a contar cedo. Contas, números ordinais, números cardinais, numa 1.ª fase. Depois os números romanos e as tabuadas, os fracionários, os negativos. Por fim já aparecem números com vírgulas e raízes e ainda incógnitas e agora números imaginários.

A Matemática apresenta inúmeros trabalhos de casa desde cedo até ao final do 12.º ano, pelo menos… Mas o facto de um trabalho de casa poder mudar o rumo de uma vida é algo que é muito raro acontecer, mas deu-se.

Naquele domingo de início de ano letivo, eu não me lembrava do trabalho de casa de matemática acerca dos volumes: parte que sempre gostei e adorei.

Eu peguei no pequeno conhecimento que tinha dos meus novos colegas e perguntei o que era o TPC. Se eu não o tivesse feito tinha tido uma vida diferente. Será que era mais feliz? Ou mais triste? Será que me tinha conseguido tornar um pouco mais independente do que sou? Será que tinha crescido como cresci?

Há alturas do dia em que não me arrependo tremendamente de tal pergunta que fiz há quase três anos. No entanto, há outras alturas em que pensar na origem de “tudo” mostra-me o que eu não deveria ter feito.

Se calhar fiz uma má escolha, ou então fiz bem porque acabei por aprender…

sábado, 19 de março de 2011

Recordações #4

A minha cabeça pensa em Portalegre. Chovia muito, e eu aclamava que queria viajar para a América. Nas estradas com curvas, andava eu de estômago às voltas, mas o meu companheiro pequeno e portátil acompanhou-me no banco da frente do meu carro, preto, grande e alto.

Questionei-me o que deveria fazer? Estava a mais de trezentos quilómetros e nada.... Apenas pensava que deveria sorrir e transmitir boa disposição, afinal nunca tinha passado nem por aquilo nem naquela estrada, e muito menos naquela cidade.

Lembro-me como se fosse hoje, as curvas daquela estrada nacional ecoavam com o frenezim e com a tristeza que existia. Eu só pensava que havia choro associado e não podia fazer nada. O meu coração bombeou mais sangue e as curvas cada vez eram mais fechadas. Eu bafejava os vidros do carro e mal arranjava uma solução. Tinha de tomar uma medida. Ou ignorava ou fazia algo que era profundamente chato ou ainda, entrava no jogo e ajudava.

Silêncio..... 1 mensagem nova recebida.....

O que eu fiz? Ajudei - ganhei o meu tempo em perceber a realidade de outros que influenciaram a minha vida recente

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Recordações #3

Mais uma vez está a chegar o meu aniversário.

E também mais uma vez que até posso ser dramaticamente dramático, expressamente melodramático ou espontaneamente diretamente verdadeiro, cá vai mais um despe vida.

Pode ser que assim vejam, por mais uma vez como não há vontade para muito, e porque as pessoas são como são.


Ter aniversários nunca foram grandes coisas para mim, apesar de nada família se cultivar desde cedo o dia de anos, a rolote que recebi como prenda ao ano de idade dizia o que seria o meu pensamento acerca do aniversário para o resto da vida.

Até aos cinco anos foram todos passados em casa, em conjunto com a mãe, fazíamos e fazemos anos com poucos dias de diferença de mim. Tinha quatro anos. Na minha festa de anos, tentei brincar um pouco ao que as raparigas gostavam na altura - as Navegantes da Lua. Resultado: não conseguido. Ninguém me ligou.
Tinha cinco anos. Foi a primeira festa de anos fora de casa. No ATL que tinha abrido de propósito para se fazer a minha pequena festa de anos. Queria comer um pão nessa altura, na festa. Resultado: não conseguido. Os meus "amigos" tinham comido todo o pão que havia. Cheguei a casa e chorei. Já não chorava em público. Seis anos. Estava no primeiro ano da primária e não era convidado para qualquer festa. E na minha, quase ninguém foi porque havia outra no mesmo fim de semana. Fiquei triste. Sete anos. A minha primeira festa de anos maiorzinha. Éramos para ir de fato de treino, porque a festa era no ginásio. Todos foram, mas eu ostentei gravata, suspensórios e sapatos. Fiquei triste por ser diferente. Oito e Nove anos feitos. Normais. Festas de 30 pessoas, onde as prendas faziam parte do meu dia de anos. E uma semana depois, tudo o que recebia já tinha passado à história. Dez anos. Estava no 5.º ano. Era comum o aluno que fazia anos ser o último a entrar para todos lhe cantarem os parabéns. A mim ninguém fez isso. Fiquei triste. Só me deram os parabéns no dia seguinte (falo dos meus colegas). Onze e doze anos. Deixei de ter prendas caras. Passei a dar valor ao que realmente era o dinheiro. Quem queria convidar para ir à festa não ia. Fiquei triste. Treze e catorze anos. Os piores aniversários da minha vida. Aos treze, de 15 pessoas, apareceram 3. Parecia que tudo estava chateado comigo. E sim, estavam, eu era diferente dos outros, porque tinha posto a minha vida a nu perante a turma e tinha feito os meus professores chorarem. Aos catorze uma simples festa em casa com um bolo que me deixou com o estômago às voltas durante a semana seguinte. Conclusão: Tentar esquecer. Quinze anos. Cinema do Fórum. Quase toda a turma. Nada de especial. Convivia com quem vivia todos os dias úteis. A presença deles fez-me bem. Recebi prendas boas, bastante sentimentais. Mas estava triste de antemão. Dezasseis anos. Não fiz festa. Duas colegas minhas encarregaram-se de trazer um queque com fósforos para celebrar o meu aniversário. Fiquei contente, mas triste quando ouvi da boca da professora: "só fazem isto?, vocês que sabem fazer muito melhor?". Conclusão: Obrigado, mas a boca ficou cá dentro.

Faço dezassete agora. Não tenho vontade de fazer nada. As pessoas importantes na minha vida são amigos, além da família. Por serem amigos, têm de ser respeitados. Por isso é que não há festa com pompa e circunstância. Digam-me... Depois de tudo isto que vontade há de fazer festas e sorrir?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Recordações #2

Parece que foi hoje, e já se passou algum tempo. Mas aquele sábado ou domingo, que já eu nem me lembro bem foi diferente. Pela primeira vez na vida, arranjei coragem e meti conversa com uma pessoa que não conhecia de lado nenhum num Hi5. Bem, de perto era essa pessoa de facto, mas tal humano estava a dar volta aos fígados!

Então mal e porcamente, de forma disfarçada, como quem não quer a coisa meti conversa e acabamos por trocar mails no mesmo dia. Julgo que foi nesse dia que começou uma segunda amizade relâmpago! Nunca pensei ter uma, quanto mais duas.... Mas a segunda foi muito boa! Foi e é! Espero eu!

O tempo é que não me esqueço... Chovia torrencialmente e eu tinha saído do banho naquele momento. Depois do clique parece que tinha ganhado mais um pilar para me suportar! E de facto é mais um pilar para me suportar de algumas quedas estúpidas.

O silêncio foi uma arma importante. Do zero, onde não nos conhecíamos passei a ser um amigo! Fiquei contente por isso. Ultimamente, essa pessoa tem voado pelo mundo, passado imensas fronteiras, abrindo novos horizontes. E eu, sorrio. Sim, porque é um bom sinal. E mais cedo ou mais tarde vamos ter de nos adaptar a essas mudanças também.

Desde aquele dia chuvoso de Janeiro que tanta coisa mudou, e tanta coisa passou. E tanta conversa foi escrita e falada. E tantos textos foram escritos.

Sem dúvida que, agora, uma ave a voar e outra, que espero eu, esteja a levantar voo, poder-se-ão cruzar um dia e relembrar momentos felizes que passaram juntos no Secundário. Tenho pena de não ser mais inteligente um bocadinho... Mas sou como sou! E acho que ainda tenho uma mini-pinguinha de orgulho no que sou.

Que ele tenha uma boa vida. E que não se engane muito. E que conte com os amigos de cá de trás, da outra escola, para que possa continuar a ser o que foi... AMIGO!

sábado, 16 de outubro de 2010

Recordações #1

Era pequeno, mas lembro-me como se fosse hoje. Por volta das vinte e uma horas de um sábado. Tinha três anos quando vi ao vivo um incêndio. Ao pé da escola onde eu fiz o segundo e o terceiro ciclo, ao pé da casa de uma amiga minha.

Aquelas labaredas encarnadas, com um tom laranja e amarelo pelo meio. A cor transformava-se em cada segundo. Quando olhei para aquilo fiquei estático. Não conseguia andar, as mãos que estavam dadas ao meu avô e à minha mãe caíram.

As sirenes estavam cada vez mais perto. Os bombeiros estavam a chegar para apagar uma casa que eu sempre achei que era feita de madeira. Agora ainda está ali à venda, em conjunto com o terreno, mas ninguém a compra.

Mas naquela noite tudo mudou. Passei a entender que existiam coisas más que podiam acontecer às casas das outras pessoas. Hoje quando passo por ali, por vezes, ainda me mete impressão. Reviver aquela noite tão intensa. A última coisa que me lembro é ter começado a chorar, já os bombeiros estavam a tentar apagar o fogo.

Quando quero esquecer,... Ainda mais me vem à cabeça. Continuo confuso :S