Mais uma vez está a chegar o meu aniversário.
E também mais uma vez que até posso ser dramaticamente dramático, expressamente melodramático ou espontaneamente diretamente verdadeiro, cá vai mais um despe vida.
Pode ser que assim vejam, por mais uma vez como não há vontade para muito, e porque as pessoas são como são.
Ter aniversários nunca foram grandes coisas para mim, apesar de nada família se cultivar desde cedo o dia de anos, a rolote que recebi como prenda ao ano de idade dizia o que seria o meu pensamento acerca do aniversário para o resto da vida.
Até aos cinco anos foram todos passados em casa, em conjunto com a mãe, fazíamos e fazemos anos com poucos dias de diferença de mim. Tinha quatro anos. Na minha festa de anos, tentei brincar um pouco ao que as raparigas gostavam na altura - as Navegantes da Lua. Resultado: não conseguido. Ninguém me ligou.
Tinha cinco anos. Foi a primeira festa de anos fora de casa. No ATL que tinha abrido de propósito para se fazer a minha pequena festa de anos. Queria comer um pão nessa altura, na festa. Resultado: não conseguido. Os meus "amigos" tinham comido todo o pão que havia. Cheguei a casa e chorei. Já não chorava em público. Seis anos. Estava no primeiro ano da primária e não era convidado para qualquer festa. E na minha, quase ninguém foi porque havia outra no mesmo fim de semana. Fiquei triste. Sete anos. A minha primeira festa de anos maiorzinha. Éramos para ir de fato de treino, porque a festa era no ginásio. Todos foram, mas eu ostentei gravata, suspensórios e sapatos. Fiquei triste por ser diferente. Oito e Nove anos feitos. Normais. Festas de 30 pessoas, onde as prendas faziam parte do meu dia de anos. E uma semana depois, tudo o que recebia já tinha passado à história. Dez anos. Estava no 5.º ano. Era comum o aluno que fazia anos ser o último a entrar para todos lhe cantarem os parabéns. A mim ninguém fez isso. Fiquei triste. Só me deram os parabéns no dia seguinte (falo dos meus colegas). Onze e doze anos. Deixei de ter prendas caras. Passei a dar valor ao que realmente era o dinheiro. Quem queria convidar para ir à festa não ia. Fiquei triste. Treze e catorze anos. Os piores aniversários da minha vida. Aos treze, de 15 pessoas, apareceram 3. Parecia que tudo estava chateado comigo. E sim, estavam, eu era diferente dos outros, porque tinha posto a minha vida a nu perante a turma e tinha feito os meus professores chorarem. Aos catorze uma simples festa em casa com um bolo que me deixou com o estômago às voltas durante a semana seguinte. Conclusão: Tentar esquecer. Quinze anos. Cinema do Fórum. Quase toda a turma. Nada de especial. Convivia com quem vivia todos os dias úteis. A presença deles fez-me bem. Recebi prendas boas, bastante sentimentais. Mas estava triste de antemão. Dezasseis anos. Não fiz festa. Duas colegas minhas encarregaram-se de trazer um queque com fósforos para celebrar o meu aniversário. Fiquei contente, mas triste quando ouvi da boca da professora: "só fazem isto?, vocês que sabem fazer muito melhor?". Conclusão: Obrigado, mas a boca ficou cá dentro.
Faço dezassete agora. Não tenho vontade de fazer nada. As pessoas importantes na minha vida são amigos, além da família. Por serem amigos, têm de ser respeitados. Por isso é que não há festa com pompa e circunstância. Digam-me... Depois de tudo isto que vontade há de fazer festas e sorrir?
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