quinta-feira, 30 de julho de 2026

Olá Violeta

 Olá Violeta,

 Vidrado nos teus olhos vejo uma criança assustada. Por muito que já tenham passados quase 12 meses desde que que te escrevi naquele dia especial para nós, à noite, continuas a tremelicar o lábio.

 Não, não é esse lábio teu carnudo, mas aquele lábio que nos faz ter medo - o que temos lá dentro da nossa cabeça.

Sei que não sou o teu primeiro amor, mas desejo ser o último. E que por isso tenho de fazer muito mais. Sei que não sou o pai do teu amor maior e que por isso ainda mais tenho de fazer.

Sim, estou disposto a isso. Mas também preciso de ar. De voz. De me sentir acolhido. Não é que não o sinta, mas por vezes, preciso de mais. Preciso daquele beijo mais longo que teima em não aparece. Preciso daquele momento em que as nossas mãos se entrecruzam e dizemos, um ao outro, AMO-TE!

 Violeta, nunca nenhuma mulher me fez sentir como tu me fazes sentir. Só gostava que conseguisses desbloquear, de novo, essas tuas coisas que outros homens te fizeram bloquear.

Porque eu não mereço esse bloqueio. Gostava, um dia, poder ter tudo como os outros ou o outro tiveram... Até lá, sabe que vou continuar a lutar por isso, todos os dias.

E agora, que venha a nossa casa a caminho e que a nossa estrela nos ilumine o caminho.

 Um beijo para ti do teu urso.