Estava prestes a terminar o 12.º Ano. Era o último dia de exames. Depois disso ia de férias e, como no ano passado não a ia voltar a ver. Nem a ela nem a mais ninguém, a não ser quem passa férias comigo na fronteira do Alentejo com o Algarve.
Pois bem, tinha tomado a decisão há uns meses de pôr na ficha de candidatura "Aveiro", "Covilhã", mas claro, antes duas em Lisboa. Naquele ano abria Aveiro e eu até estava completamente radioso de poder ser um dos primeiros alunos a ir para lá. Apesar de ser a terceira minha escolha, se lá ficasse colocado, ia sem dizer não. Apesar de inicialmente eu querer ir para Sevilha, mas cá em casa não me deixaram.
Estava na hora de lhe dizer. Derrotista como estava nesse dia, onde tinha feito exame de manhã, e ainda com as malas para fazer, vou ter à porta dela e convido-a a ir lanchar comigo, assumindo que era urgente e que era importantíssimo. Eu ia-me embora e não sei se era justo e válido o que eu ia fazer.
Mas disse, acabámos por fazer o caminho do costume e quando chegámos ao local onde eu lhe disse, não lhe dei nenhum papel. Voltei-me e disse-lhe que tinha posto Aveiro e Covilhã para o fim da lista de hipóteses. Aí comecei a derramar lágrimas. Líquido atrás de líquido e ela manteve a sua postura: firme, de costas direitas e com um sorriso; dando-me de seguida um lenço para eu limpar as lágrimas. Assim findou o lanche com metade do meu pão na mesa e um leite com chocolate cheio.
Eu queria fugir dali! Queria ter um conforto. Ela deu-me um lenço. E sim, confortou-me. Mas continuava com medo da reacção dela. Tinha medo nessa altura. Quase na paragem do autocarro e com ele já ao fundo, não quero saber de quem ali passa e abraço-a! Fechei os olhos e deixei dentro da blusa um mini-bilhetinho, porque já sabia que não iria conseguir dizer-lhe tudo. E voltei a chorar. Acho que aquele abraço dizia tudo.
Entrei no autocarro e vim para casa. Desliguei o telemóvel e meti-me na cama em pleno Verão com as malas para fazer. Pego numa fotografia nossa, e deixo-a no sítio, apenas a tinha limpado com um pano.
No meio das férias ela ligou-me. Disse que tinha entrado em Lisboa. Eu menti. Disse que ainda não tinha visto. Mas sim, tanto eu como ela sabíamos que eu tinha entrado em Aveiro. Ia-me descaindo ao telefone na consegui conter-me. Desligo-lhe o telefone com tal impacto na tecla vermelha que ela se estraga. E vou em direcção à casa de outra amiga e bato-lhe à porta chorando de forma imensa, porque tinha entrado em Aveiro e o sentido se iria perder.
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