terça-feira, 5 de outubro de 2010

Depois da chuva, dois elogios não aceites, respondidos com um sorriso

A manhã de segunda-feira amanheceu cinzenta, mas o Sol já penetrava no meio das nuvens que cada vez mais se afastavam. Tendo em conta o tempo que vi da janela do meu quarto ainda de noite, quando acordei, calcei os sapatos de vela de Inverno, com sola mais alta e vesti o corta-vento vermelho. Com a mala a tira colo, saio de casa e, devido à água derramada pelos canos rotos no jardim, tive de ir por fora contorná-lo.

Esses dois minutos que perdi a dar a volta ao jardim fizeram-me perder o autocarro. Cheguei à paragem e estava com frio nas mãos. Tinha de esperar mais dez minutos pelo autocarro seguinte e reparei num colega meu do ensino básico que estava na paragem ao lado. Pegou num cigarro, que dizia ser "remédio para a concentração", e começou a fumá-lo. Falava entre cada fumadela comigo dizendo para eu não me meter naquele mundo, apesar de ele lá estar metido. Foi um momento comovente.

Vejo o tal veículo com mostrador de destino laranja a dar a volta no cimo da avenida e preparo o meu passe. Apanho a dita carreira e, quando chego à escola o tempo parece que passou a correr.

A meio da manhã pedem-me para enviar uma mensagem para uma das nossas professoras a perguntar se ela vinha, dado que não tínhamos a aula aula da manhã. Eu também queria ir para casa, mas tinha-me de me mostrar sério e reticente perante aqueles vinte e poucos humanos amorosos e adolescentícios. A resposta à mensagem não podia ser mais cómica e engraçada. Foi uma risada total tão boa que me deixei levar naquela boa disposição e me deu ainda mais uma danada vontade de comer. Estava ali no meio do corredor a comer em vez de estar na aula. Não me interessou. Eu tinha de comer! Estava com fome!!!

Ontem, o que me mais me marcou foi o facto de ter havido substituição da aula de Psicologia que quase toda a gente sabia que não iria haver. A funcionária chama-me de repente. Tive uma hora à conversa com a professora substituta. Passou-se o tempo! O mais importante foi o ter conseguido, em primeira instância, que ninguém tivesse falta marcada naqueles paralelipídedos laranja. Durante esse tempo, senti-me satisfeito. A professora deu-me um elogio. Mas eu não sei aceitá-los!

Quando voltava para casa o autocarro abarrotava até às costuras. Nós já conhecíamos o motorista e ele não era pêra doce. Deixei-me invadir naquele mar de gente e cumprimentei o dito condutor. Ele retribuiu com uma resposta do tipo: "Para si, a escola está a dar resultados". Respondi com uma frase que nada tinha a ver com o assunto e, no fim, agradeci. Vim a viagem toda no meio dos movimentos de surf com as pernas para não cair nas curvas, a pensar naquilo. Cheguei a casa e pensei se realmente era aquilo que me tinham dito duas vezes no mesmo dia: dedicado e educado. Não sei mesmo.

Acho que por um lado sim, por outro não! Porque no fundo o que sei que puxar as pessoas para mim e fazê-las prisioneiras. Quem me dera evoluir! Cada lágrima que sai destes olhos tem um significado tão específico. Acabo sempre por ficar confuso...

2 comentários:

  1. magnífico relato de um dia. se falas em evolução na minha pessoa, olha para a tua! este texto está muito mais maduro. mais introspectivo.

    dedicado e educado parecem duas palavras que te descrevem bem. nao as unicas, claro. mas boas qualidades!

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  2. Sim, parece que a Vida me está a sorrir novamente... Com um sorriso tão grande que até me assusta... :/
    Gostei do texto, notei-te diferente, mais 'crescido'...
    E sim, Vida de Bicho é Fantástica :D :D

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