A manhã de segunda-feira amanheceu cinzenta, mas o Sol já penetrava no meio das nuvens que cada vez mais se afastavam. Tendo em conta o tempo que vi da janela do meu quarto ainda de noite, quando acordei, calcei os sapatos de vela de Inverno, com sola mais alta e vesti o corta-vento vermelho. Com a mala a tira colo, saio de casa e, devido à água derramada pelos canos rotos no jardim, tive de ir por fora contorná-lo.
Esses dois minutos que perdi a dar a volta ao jardim fizeram-me perder o autocarro. Cheguei à paragem e estava com frio nas mãos. Tinha de esperar mais dez minutos pelo autocarro seguinte e reparei num colega meu do ensino básico que estava na paragem ao lado. Pegou num cigarro, que dizia ser "remédio para a concentração", e começou a fumá-lo. Falava entre cada fumadela comigo dizendo para eu não me meter naquele mundo, apesar de ele lá estar metido. Foi um momento comovente.
Vejo o tal veículo com mostrador de destino laranja a dar a volta no cimo da avenida e preparo o meu passe. Apanho a dita carreira e, quando chego à escola o tempo parece que passou a correr.
A meio da manhã pedem-me para enviar uma mensagem para uma das nossas professoras a perguntar se ela vinha, dado que não tínhamos a aula aula da manhã. Eu também queria ir para casa, mas tinha-me de me mostrar sério e reticente perante aqueles vinte e poucos humanos amorosos e adolescentícios. A resposta à mensagem não podia ser mais cómica e engraçada. Foi uma risada total tão boa que me deixei levar naquela boa disposição e me deu ainda mais uma danada vontade de comer. Estava ali no meio do corredor a comer em vez de estar na aula. Não me interessou. Eu tinha de comer! Estava com fome!!!
Ontem, o que me mais me marcou foi o facto de ter havido substituição da aula de Psicologia que quase toda a gente sabia que não iria haver. A funcionária chama-me de repente. Tive uma hora à conversa com a professora substituta. Passou-se o tempo! O mais importante foi o ter conseguido, em primeira instância, que ninguém tivesse falta marcada naqueles paralelipídedos laranja. Durante esse tempo, senti-me satisfeito. A professora deu-me um elogio. Mas eu não sei aceitá-los!
Quando voltava para casa o autocarro abarrotava até às costuras. Nós já conhecíamos o motorista e ele não era pêra doce. Deixei-me invadir naquele mar de gente e cumprimentei o dito condutor. Ele retribuiu com uma resposta do tipo: "Para si, a escola está a dar resultados". Respondi com uma frase que nada tinha a ver com o assunto e, no fim, agradeci. Vim a viagem toda no meio dos movimentos de surf com as pernas para não cair nas curvas, a pensar naquilo. Cheguei a casa e pensei se realmente era aquilo que me tinham dito duas vezes no mesmo dia: dedicado e educado. Não sei mesmo.
Acho que por um lado sim, por outro não! Porque no fundo o que sei que puxar as pessoas para mim e fazê-las prisioneiras. Quem me dera evoluir! Cada lágrima que sai destes olhos tem um significado tão específico. Acabo sempre por ficar confuso...
magnífico relato de um dia. se falas em evolução na minha pessoa, olha para a tua! este texto está muito mais maduro. mais introspectivo.
ResponderEliminardedicado e educado parecem duas palavras que te descrevem bem. nao as unicas, claro. mas boas qualidades!
Sim, parece que a Vida me está a sorrir novamente... Com um sorriso tão grande que até me assusta... :/
ResponderEliminarGostei do texto, notei-te diferente, mais 'crescido'...
E sim, Vida de Bicho é Fantástica :D :D