Assim Roberta o fez. Partiu o porquinho mealheiro e vê outro papel. Lê-o em voz alta:
"O Dinheiro não é o mais importante na vida. Mas sim a própria vida. Lembra-te dos meus desejos e pensa na realidade mais subjectiva possível. De facto o que é novo, vem de alguém já usado".
Ela, ficou muito mais confusa após ter lido aquela pista. Sentou-se no chão e desejou não estar ali e ter de resolver aquele enigma. Mas ela tinha de o resolver. Viu a cara de Carlos quando ele lhe entregou o primeiro envelope. Parecia de tristeza. A razão? Ela não a sabia.
Nas imediações daquela divisão, trabalhava ainda, Carlos. Decide, porém, terminar por aquele dia o trabalho e pôs-se a olhar à janela. Liga para os pais de Roberta. Tem uma grande conversa com eles e dá a perceber o que se irá passar. Quando desliga a chamada corre para o quarto, e por sua vez, deste para a sua passagem secreta. Roberta, tenta mais uma vez falar com Carlos, mas quando entra no quarto ouve o barulho de uma porta a fechar. No entanto, não se apercebe do que era. Sobe para o quarto e vê lá Carlos. Inicia-se naquele momento, de novo, uma grande cumplicidade. Ouve-se a frase "Vamos deixar de ser parvos" e ouvem-se beijos de forma tão tenra... na barriga de ambos. Riem perdidamente após tal "chuac" e voltam-se para a janela. Comentam o tempo que estava negro como a noite portuguesa, frio como a neve em Andorra, os vidros embaciados como a porta da banheira em Portugal.
Depois de se arranjarem, Carlos pede a Roberta para o acompanhar à sala das conferências de imprensa, na qual estavam, àquela hora, todos os funcionários da casa:
"Meus senhores e minhas senhoras. Tenho uma decisão a comunicar-vos. A partir de amanhã, não serei mais responsável pelo vosso trabalho. Ao meu lado está a vossa nova chefe. Quero-vos agradecer todo o trabalho que tiveram para comigo e em especial com o meu quarto e a paciência que tiveram por causa das obras. Mas o fim do meu contrato aproxima-se e, pelo sim, pelo não, quero ter a certeza que continuam a ter trabalho, que continuam a receber mensalmente, que conseguem ter algo que muitos não têm neste momento: harmonia na sociedade. Bem-haja a todos".
Carlos sai de rompante da sala e tranca-se no gabinete, longe de todos, longe de tudo, menos do trabalho. Pegou mais uma vez no monte de assinatura e começa a colocar o carimbo da sua assinatura. Desta forma, quando ouve passos, diz: "Podes entrar - estou no gabinete". Era Roberta e Emily. A primeira chorava, porque Emily tinha-lhe contado que Carlos tinha estado durante um mês numa estação de metro. A segunda sentia-se preocupada com o ainda chefe, porque adorava-o. Por sua vez, Carlos pede a Emily para se retirar, visto que quer falar com a companheira de casa. Abre a gaveta do meio da sua secretária e mostra-lhe os exames que fez em Portugal quando teve uma apendicite. Roberta viu-os e disse que era melhor Carlos ir já para o hospital. Ele recusa e mostra-lhe a costura que ela não tinha reparado quando o tinha beijado na barriga. Depois disso, Roberta ausenta-se da sala ainda com uma cara triste e Carlos continua a carimbar os documentos com mais firmeza, parecendo uma funcionária de correios.
O que restava do dia passou-se. Com a noite, vem um desejo enorme de sair e satisfazer a grande vontade dele - andar no metropolitano a altas horas da noite. Mas não consegue. Vem-lhe um vómito de tal maneira forte que o manda para a cama. Mais tarde veio a febre altíssima. O que lhe valia era uma médica em casa. Já na cama, de mãos dadas, pede um abraço a Roberta e quando esta o larga sente o coração de Carlos a bater suavemente, mas ele tinha-se deixado dormir. Ela sendo mesmo médica, começou a pensar o pior. "Será que ele me morreu nos braços" disse Roberta, seguido de um grito enorme.
A funcionária de serviço chega rapidamente ao pé de Roberta e tira-a do quarto, mas esta fica ali, à porta, a noite inteira, até que ouve a porta da casa-de-banho a abrir. Agora tinha a certeza que Carlos estava acordado. Vai ter com ele e ouve: "Pensa em mim para a pista, no que eu queria. No que eu fiz. No que eu desejava e sonhava". Carlos voltou a vomitar, após ter terminado a palavra sonhava, deixando Roberta com a mão toda suja de arroz misturado com suco gástrico e com ligeiras gotículas de sangue. Estaria Carlos bem?
ai, que horror: a última imagem do texto é tão visualmente dinâmica! x) - parabéns por isso!
ResponderEliminarmas gostei e estou a gostar desta charada.
os beijos prosseguem, os leitores temem pela saúde do protagonista e Roberta está mais confusa que nunca.
a pista levá-la-á para algo relacionado com Medicina, não?