terça-feira, 13 de julho de 2010

A cor e os números (XXXIII) - Uma nova vida em Londres

Roberta questiona a razão da recusa e Carlos responde-lhe com bom modo e de forma directa para que se lembrasse das férias do 11.º ano. De seguida, pedindo desculpa a Roberta, saiu do quarto e foi à sala das funcionárias, dois pisos abaixo de onde estava. Foi buscar o correio que lhe pertencia. Naquele dia tinham-lhe escrito mais do que 50 cartas. Umas a criticar, outras a agradecer o trabalho que fez à cidade, mas a trigésima segunda chama-lhe em particular à atenção.

Era uma carta do hospital onde ele esteve internado, dizendo que, se ele estivesse interessado existia uma vaga na gestão do hospital e, com as referências que ele tinha, teriam muito gosto em tê-lo como membro do conselho de administração.

Carlos, após ler a tal carta, sobe até à sua nova sala e escreve mais uma pista para o desafio de Roberta, contendo o seguinte:

" Quando o velho se tornar novo, o meu último desejo tornar-se-á possível. Aí, serei como um computador em substituição das memórias RAM. E que tal os passos que dás até ao quarto forem compensados em passos para a casa-de-banho de serviço, desde a entrada e verificares este código: 341."

Coloca-a na mesa de cabeceira de Roberta e começa a responder à carta do hospital dizendo que aceite a proposta que lhe enviaram por correio, mas que o tempo que iria trabalhar dependeria do avanço da sua doença. Como era hábito, imprime duas vezes a mesma resposta, mas, como o tinteiro da impressora estava a terminar, aquela que mal se via ficou na impressora. Roberta, curiosa com a pista e à procura de Carlos, vai ao seu ex-escritório e lê a carta que tinha ficado mal impressa. Conseguia ler, mas quando chegou à parte que falava das condições do trabalho, tornava-se tudo ilegível.

Por outro lado, a primeira carta, aquela que tinha ficado bem impressa, estava na companhia de Carlos, a caminho do hospital, desta vez, de autocarro. Sem contar a Roberta, e sem telemóvel, devido à raiva que tinha tido anteriormente, volta rapidamente a casa. A sua amiga, por sua vez, estava com a pulga atrás da orelha. Não só não percebia o que a mensagem para decifrar dizia, bem como estava intrigada com o que Carlos tinha escrito para o hospital. Começou a pensar o que quereria dizer 341 na casa-de-banho de serviço. Mas lembrara-se que Carlos, ao gostar de códigos e de química, algo tinha de estar relacionado.

Ao jantar, Carlos apenas comeu canja e uma peça de fruta. Não tinha vontade para mais. De rompante, Roberta pergunta-lhe o que significava 341 na química para ele. Tímido e com a mão nos intestinos responde que é Al3, ou seja, Alumínio. Ausenta-se de repente e, ao chegar a uma das casas-de-banho da casa, vê que os resíduos corporais eram de cor negra. Algo não estava bem...

3 comentários:

  1. Terminaste o teu comentário no meu blog com esta frase: 'No fundo, a racionalidade não deixa que a sentimentalidade se exponha :S '.
    Não podia estar mais de acordo. Por vezes, era mais simples se não fossemos possuidores de razão, que todos fossemos só coração!
    É exactamente isso, a racionalidade impede-me de dizer o que realmente sinto. Se por um lado o que mais quero é ficar com ele, por outro tenho medo de sofrer, porque a nossa relação não é fácil... É demasiado complicada até!

    Obrigada Dupé, pelo teu comentário :)
    Um beijinho

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  2. Não tens que pedir desculpa por comentares novamente, agradeço imenso cada vez que alguém comenta o que escrevo, cada vez que me aconselham, que me apoiam com palavras...
    Eu percebi que também estás numa fase de mudanças. Desejo-te a maior sorte do mundo para que tudo se resolva.
    A minha relação é um tanto ou quanto diferente. Ele é um pouco mais velho, tem uma visão completamente diferente do Mundo.. Temos gostos e formas distintas de pensar e de viver. No entanto, ele já tem uma bagagem maior do que eu, já aprendeu a viver despreocupadamente, sem pensar muito no amanhã... Eu ainda não tive tempo suficiente para aprender!
    Obrigada pelas tuas palavras *

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  3. Obrigada, primeiro, pelo elogio relativamente à minha escrita. Obrigadíssima...
    E depois, o que dizes em relação à bagagem, até compreendo. Todos amadurecemos em tempos distintos, uns mais rápidos do que outros, mas o que importa é que ela nunca seja demasiado pesada, para a conseguirmos carregar ao longo de todo o caminho... Mais uma vez, agradeço as tuas palavras - acredita que são sempre importantes. Um beijinho

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