sábado, 3 de julho de 2010

O renascer e o morrer em tempos iguais (XXVII) - Uma nova vida em Londres

Carlos ficou contente por Roberta ter assinado o papel que passava o casarão para o seu nome. Ele queria assegurar que se a TfL não lhe renovasse o contracto, Roberta poderia continuar na casa onde estava agora, porque ela merecia viver e trabalhar num sítio daqueles com todas as condições. A chover torrencialmente lá fora, o quentinho da casa fazia com que os vidros ficassem todos embaciados e a escorrer água. A manhã foi passada com tranquilidade. Carlos no seu escritório e Roberta no hospital.

Chega-se à hora de almoço. O dia da comida inglesa e do pouco apetite de Carlos era mais que óbvio com a quantidade de assuntos que tinha para trabalhar e terminar naquele dia. Roberta bate à porta do gabinete de Carlos e chama-o para almoçar. Almoçam os dois juntos, cada um na sua cadeira, ao lado um do outro, a olhar para a grande janela que dava para o grande largo onde se situa o National Bank of England. Cada vez mais os suspiros eram evidentes nos dois. Cada sorriso mais confiante que o anterior puxava para cima o ânimo daquela sala multi-funções. Ali almoçava-se, via-se televisão, filmes, trabalhava-se no computador, e era por ali que o chefe dos transportes tinha acesso à sala das conferências de imprensa. Foi ali, naquele sítio cheio de quadros com paisagens lindas tipicamente portuguesas, especialmente alentejanas e algarvias que agora se iria colocar uma grande fotografia daqueles dois, juntinhos.

A refeição termina e Carlos puxa Roberta para a sala das conferências de imprensa. Um espaço amplo, cheio de luz, com grandes janelas fechadas com um comando automático, onde não estava nenhuma câmara de filmar naquele momento. Ali dentro estava calor. Ambos tiram a parte superior da roupa, mantendo-se a postura de Roberta com o soutien. Carlos sente um tocar na perna e Roberta abana a cabeça - Carlos beija-a no pescoço. Aí ele sentiu-se cada vez mais atraído por aquele corpo esbéltico. Aquela perfeição. Aquele pesoço maravilhoso. Carlos queria estar com Roberta, como esteve naquele jantar do dia passado. Pediram às funcionárias para trazerem a televisão da sala de estar para a sala de imprensa para verem a estreia em televisão de um dos filmes mais conhecidos por eles. Roberta deita a sua cabeça nas pernas de Carlos. Este não se importa e passa a mão pelos cabelos castanhos e fofos dela. A cumplicidade era elevada.

Roberta sem mais nem menos beija a anca de Carlos, que tinha ficado à mostra, uma vez que, este não usava cinto nas calças em casa. As coisas estavam cada vez mais quentes, mas ambos deixam-se dormir. Quando acordados perguntam-se um ao outro o que estavam ali a fazer semi-nus. Acordaram apenas com a roupa interior. Admirados, cada um segue par ao seu quarto com as calças do avesso. Carlos esconde-se uma vez mais na passagem secreta. Abana-se para a frente e para trás e pensa no que fez. Ele tinha de ir trabalhar e assim foi. Abstraiu-se do pensamento e dirigiu-se ao seu escritório. Chegou lá, mas não conseguiu trabalhar. Carlos foi rever todas as memórias uma vez mais, até que alguém lhe cortou a corrente eléctrica.
Foi Roberta. Aproveitando o acontecimento, Carlos chama Roberta aos gritos para que esta venha ter com ele. E expõe-lhe a situação.

Nos trinta minutos seguintes, naquela sala, com a porta aberta falou-se da questão do nome da casa e por isso é que Roberta assinou um papel, da questão do novo gabinete médico para Roberta e do fim do contracto de Carlos. Este, um pouco mais triste, é destressado por Roberta com uma doce massagem nos ombros e com um tenro beijo no início das costas. O chefe de casa agradece e lembra a amiga de que existe uma terceira sala naquele espaço, decorada com um berço na porta. Carlos diz o seguinte a Roberta:

"Aquela sala é especial para mim. Não por ser um espaço para tratar de bebés, mas pelo seu conteúdo, pela sua cor, pela sua arte. É um espaço cheio de desafios onde vais ter de encontrar um tubo. É esse tubo, bem guardado naquela sala que te vai dar sorte para o resto da tua vida. É como um renascimento que vás fazer quando o encontrares."

Roberta fica desejosa de saber o que se iria passar. Tendo em conta isso, Carlos dá-lhe a chave daquela porta e uma carta onde estava a primeira pista para ela encontrar o dito tubinho. Cheia de vontade, e com o Sol a raiar pelas janelas daquele palacete no meio da cidade, a amiga sai de casa e, já na rua, lê a primeira pista.

"De facto, é algo emocionante que me fez transpirar. É tão bonito! Entra volta três vezes à esquerda e remexe quartenta e cinco vezes nas moedas que estão no na caixa. Cada mexidela deverá ser mais funda de forma a que encontres a tua segunda pista".

A cara da desafiada fica muito mais sorridente e o desejo de voltar a casa é enorme. Ela ia às compras.

Já por casa o trabalho não dá tréguas a quem mais necessitava delas. Estudos atrás de estudos, assinaturas atrás de assinaturas, panfletos atrás de panfletos era o que estava na recém-inaugurada secretária de Carlos.

Roberta, já de volta a casa, após cinco horas de centro comercial, pega na chave e deslumbra-se com o que encontra naquela sala. Tudo preparado à minúcia para algo de futuro. Ela fez o que estava na pista, mas apenas encontrou uma moeda diferente das outras. Retirou-a e olhou para o resto da divisão. Encontrou um mealheiro que estava por baixo de um carrinho de bebé, bem como um martelo dentro do próprio carrinho, com uma indicação: "Abre-me!"

1 comentário:

  1. o papel! e não era nada do que estava à espera!

    esta caça ao 'tesouro' deve ser interessante :p

    continuo sem perceber os beijos em partes diferentes, os quais têm algum significado oculto que ainda não entendi. (a mim disseram-me que tinham um mistério por detrás). será chama, paixão, desejo?

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