terça-feira, 20 de julho de 2010

A cegueira do nervosismo (XXXVI) - Uma nova vida em Londres

Passam-se setenta minutos desde que todos lhe bateram à porta por causa do grito que ele deu. E, após esse tempo, Carlos destrancou a porta. Abriu-a e esperou, sentado na cama, com o chão sujo de sangue que alguém viesse, mas ninguém veio. Nem Roberta.

Carlos começou a imaginar coisas, para a frente para trás, da direita para a esquerda e nada, apenas chegava à memória o tremor das mãos, o sentimento vazio, o querer e o não ter e a sensação que o tempo não passava. O nó que ele tinha quando escreveu aquele texto tinha voltado. A imagem que ele tinha da realidade e das pessoas à sua volta tinha-se alterado. A vontade de querer regressar ou se começar tudo do 0, ou então de fazer algo, de ter força para poder mudar os acontecimentos que dão origem a tudo o que é mau. A vontade de querer mudar o que tinha foi levada ao extremo. Desce do quarto a toda a força e bate com a porta da sala contra a parede, começando a falar com Roberta, com calma, de olhos fechados, mas como via que ela não respondia, que o ignorava, põe a caixa dos textos em cima da mesa e mostra-lhe, um por um que toda a razão por ele escrever era ela. Toda a possibilidade de ele estar mal é porque não percebia as atitudes dela. Ele queria mudar, mas ela não deixava. Começou a chorar de novo.
Com tanta raiva e ideias, deixou de ver. Carlos ficou cego, naquele momento na sala, junto de Roberta, e do seu colega que lhe havia trazido a bata.

Carlos, com esperança que, após fechar os olhos iria recuperar a visão, diz-lhe:

- Um dos meus últimos pedidos: acaba o desafio. Corre até ao teu escritório e revolta-o! Está lá a resposta! Encontra-a e abre a porta do que está escondido. Encontra-o e junta-o com um cotonete. Mas não me deixes assim cego. Eu não consigo ver. EU NÃO CONSIGO VER! Por favor, faz o que eu te peço. Não me julgues o resto dos tempos!

Após tudo isto, que para o colega de Roberta era uma encenação teatral e que, para Roberta, fazia-lhe com que a paciência chegasse ao seu limite, ignora o que Carlos diz e deixa-o ali, a arrefecer no meio da sala. Quando ele regressa ao quarto, tenta abrir os olhos e o que vê são quadrados brancos misturados com uma névos cinzenta. O que ele queria ver era a companhia de Roberta e o seu sorriso de novo.
Mas a paciência tinha-se esgotado. E Carlos tinha ficado cego.

2 comentários:

  1. ''Começo a questionar :S... Será que faz sentido e está ligado o teu desejo ao que transcreveste do blog da "Girl in Motion"??? ''

    Desculpa lá mas o teu comentário....
    Primeiro, não tens que questionar nada... Segundo, eu sinto que faz todo o sentido.
    E tu, que conheces mais da história do que muitos outros, deverias saber que sim, que eu espero pela resposta dele... E espero porque me habituei já a esperar , não só por ele, mas também porque acredito... E porque não quero 'desistir' antes do tempo, porque não quero cortar o fio que ainda nos une...
    E quanto a fumar... Obrigada pela preocupação mas acho que quem decidi o que fazer ou não, da minha vida, ainda sou eu.

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  2. Não tens que pedir desculpa. E sim, espero que tenhas razão, que a minha 'estabilidade' volte rápido.

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