No fundo, com os meses passados estávamos em pleno meio de Agosto. Por tradição, a família de Roberta ia de férias nessa altura. Indiscretamente, pergunto a Cristina se queria que eu voltasse a Londres, aquela cidade de pouco alcance, fria, chuvosa, turbulenta, com um metroplitano antiquado, mas quente, alegre, serena onde vivia Roberta. Cristina responde que após ter falado com Josué, pai de Roberta, decidiram levá-lo de férias com ele, não só devido ao quarto clínico, de uma cirurgia recente, de um cancro no estômago e com a cara que ostentava na maioria da vezes, mas também, porque achavam que estava na altura de perceberem o que Carlos era, como vivia, um pouco da sua história, e muito mais acerca dele.
O ponteiro dos segundos fazia "tic-tac" no relógio de Carlos e a viagem começa. No carro, algo longo de quase 300km, o silêncio das conversas constratava com o barulhento ruído da estação de rádio mal sintonizada. À chegada, o calor não existia. O fresco ar do mar lançava uma lufada de ar para o continente, e após arrumarem a tralha, vão para a praia.
Cristina começa a conversar com Carlos e este pede-lhe mais um tempo para se habituar à região, porque nunca lá tinha ido, e dispersa-se ao longo do extenso areal. A maré estava baixa. Carlos passa os pequenos rochedos que dividiam as duas praias e, entrou numa parte de nudistas. A vontade de sentir o que sentia quando era criança, e quando passava férias ao lado de um praia de nudistas, fez Carlos despir-se e estar como veio ao mundo. Uma sensação de liberdade, um prazer em sentir o vento em todo o corpo. Acaba por passear na praia dos nudistas e, quando regressa à praia onde estava com os pais de Roberta, volta a vestir o calção. Chega ao chapéu-de-sol e agora, é ele que vai falar com Cristina.
- Peço desculpa há pouco,disse Carlos.
- Eu percebi que precisavas de andar por aí sozinho. Mas diz-me agora, o que se passa realmente contigo?, perguntou Cristina.
- É uma longa história. Tudo começou no 10.º Ano. Foi nesse ano que os meus hábitos começaram a mudar e conheci a sua filha. Devo muito a ela. Sem ela, não seria o que sou agora. Mas não interessa. É algo que digo e sinto vezes atrás de vezes. Depois, às escondidas tentei tirar Medicina, mas as notas que tive no exame de Matemática não dava para eu entrar. Então alistei-me à logística. Tirei o curso e acabei por ser um dos melhores alunos. Havia uma vaga na empresa de transportes de Londres e eu acabei por aceitar e estagiar lá. Acabei por estar com Roberta no mesmo voo e revivemos os momentos do passado. Desculpe, mas não consigo. Não me quero lembrar dela agora., falou Carlos, estando com uma cara de tristeza.
- Que se passa? Não queres estar nem pensar na minha filha?, questionou Cristina.
- Não. Eu quero estar longe dela. Preciso de um espaço sem pensar nela, longe dela e sem ela... Mais tarde até lhe posso explicar porquê, mas agora não consigo., disse enfurecido Carlos.
Cristina, ainda com receio da história que Carlos tinha para contar, e tendo em conta a aproximação da hora de jantar, retira-se e os três, Josué, Carlos e Cristina regressam a casa. A aproximação da noite com uma ligeira brisa, contrasta com a noite que se avizinhava em Londres, com uma noite bastante chuvosa e nada convidativa a uma saída nocturna.
Roberta estava sentada na sua cadeira do consultório e consegue decifrar mais uma pista da surpresa de Carlos. Ela pensou da seguinte forma: De forma adolescentícia. O bem e o mal, o que é bom e o que é mau. De certeza que tem algo a ver com o berçário.
E lá foi, sai do gabinete dela e entra no berçário, onde estava uma caixa de fraldas guardada na terceira porta do armário AL. Lá descobriu outra pista:
Estás quase a chegar ao ponto final nesta aventura de descoberta. Faltam apenas três pistas. Esta diz o seguinte: O prazer carnal não é mais do que uma atenção para com os sentimentos. A amizade não é nada mais do que um passo intermédio, mas duradouro. No fundo todos os caminhos vão dar a Roma, quer dizer, o puzzle consegue-se montar e ouvem-se gritos.
Mais um mistério fez com que Roberta fizesse cara feia e fosse remexer, no seu quarto, em todas as memória que tinha de Carlos. Mas ela, no fundo, estava muito preocupada com ele. Ele não lhe dizia nada. Ela não sabia onde ele estava.
Horas mais tarde, Roberta ouve o telemóvel a tocar: era sua mãe, Cristina. A conversa baseou-se toda na pessoa Carlos e nos desejos dele, nas conversas que Cristina tinha tido com Carlos e na preocupação deste para com Roberta. Ao terminar a chamada, Cristina diz a Roberta para ela perceber o que está a fazer a Carlos, porque no fundo não foi só ele que se portou mal.
Mal Cristina desliga o telefone, naquela casa, tipicamente algarvia, Carlos tem mais um vómito ensaguentado e desmaia. Sem força nenhuma pede a Cristina para falar com Roberta acerca do seu cancro do estômago. Quando Cristina tentar ligar de novo a Roberta, Carlos começa a perder sangue pelo ânus, de forma incontrolada. Josué, médico, acorre rapidamente a Carlos, e ao gritar por uma ambulância, Roberta percebe que algo não está bem.
Em primeiro lugar: muitos parabéns pela tua nota. Fizeste por merecê-la! :)
ResponderEliminarEu também não concordo muito com o sistema utilizado para a entrada na faculdade. E não gosto de competições injustas... E não gosto de ser reconhecida, ou não, por causa de uma tripla de números... E não gosto de ser igual a tantos outros!!
Um beijinho * espero que as férias estejam a ser MUITO boas :)
-Está tudo bem.
ResponderEliminarHá dias em que as saudades me atormentam e me deitam ao chão, mas há outros que correm bem, em que esqueço (em que o esqueço)... Agora só me resta acreditar que os dias em que a saudade aparece sejam menos do que os outros! *
"Sente-se a passos largos que estás muito mais forte, com vontade de viver e de seguir em frente!!!!!
ResponderEliminarAinda bem que assim estás!!! "
- eu não sei se estou assim tão mais forte... a verdade é que, cada palavra dele, o risco constante de o encontrar, ..., me amedrontam, me fazem tremer as pernas... a verdade, a única, é que 'finjo que sou feliz' na ausência dele.
- discordo.
ResponderEliminarEu acho que há realmente pessoas erradas. E penso-o porque exitem pessoas nas quais não deveriamos depositar certos sentimentos, não deviamos criar determinadas expectativas. Poderás dizer que os sentimentos é que são errados, não as pessoas. Mas eu digo que, os sentimentos são, para mim, incontroláveis - não fosse eu coração dos pés à cabeça - e, contra eles, nada posso fazer. Assim sendo, prefiro tomá-los como certos...
quando ele fala de 'agir naturalmente', refere-se à 'relação' de amizade que tinhamos antes desta 'relação-que-nem-sei-definir'. eu, assim, não consigo reagir. eu não consigo fingir sentimentos, nem consigo escondê-los. para ele talvez se tenha tornado fácil, com a Vida, mas para mim... e sim, isto porque o coração há-de sempre ser rei em mim.
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