quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os ditos do passado são cada vez mais as verdades do presente (XXIX) - Uma nova vida em Londres...

Após as lufadas de arroz misturado com suco gástrico vêm vómitos de sangue, compassados de forma regular, a sair pela boca. Roberta tenta ver a pulsação de Carlos e esta quase que nem se sentia. A regularidade dos vómitos sanguíneos continuava; a cara de Carlos estava branca... Ele tenta dizer algo, mas Roberta não percebe. Mais tarde, os vómitos tranquilizam de novo e ele deita-se. Mais tranquilo, com o pijama sujo de sangue e molhado por se ter limpado este, e com a face mais rosada, Carlos pede um carinho de Roberta. Ela dá-o, e ele tenta, ainda com alguma dificuldade dizer-lhe algumas palavras: "Não me quero separar de ti outra vez. Parece que adivinhas o futuro e eu não quero. Não quero ter de voltar para Portugal e sentir a tua falta. Não quero separar-me de ti. Quero estar contigo. Quero sentir a tua presença, sentir as tuas pernas quentes, sentir o bater do teu coração junto do meu corpo. Não te afastes. Não me deixes mais uma vez sozinho. Não me faças chorar mais! NÃO QUERO! Eu escondo-me em casa e choro por não ter sido sincero para contigo este tempo todo. Não vás embora, por favor."

Roberta não responde. Suspira apenas e continua a fazer festas na cabeça e a tentar tranquilizar Carlos. Mais uma vez, ele repete, não te esqueças de mim, se eu tiver de ir embora, por favor.

Carlos mais uma vez fraco, começa a tremer os lábios e os braços. Com o "treme-treme" aponta para a estante dos livros de logística.

- Vai lá e tira o livro do meio. Depois....Depois roda o que está por de trás do livro e empurra a prateleira para um lado. Com...Com...Conseguiste?, disse Carlos

- Sim, respondeu Roberta.

- Agora sobe dois degraus e abre a tapa que aí está. Está aí... um che.....um cheque e por baixo uma caixa. Traz-me as duas coisas por fa....favor, disse engasgado Carlos.

Roberta põe ambos os pedidos em cima da cama, ao lado de Carlos e ele, dá-lhe o cheque com o papel que estava dentro da caixa. Roberta leu-o em voz alta:

"Lembras-te quando não querias que eu gastasse dinheiro contigo? Eu guardei dinheiro e, agora, que estou quase a ir-me embora, está aqui. É teu. Keep smiling"

Ela deve ter percebido que Carlos não estava em condições de nada e deixa-o tranquilizado, guardando ambos os papéis no bolso.

- Agora, a caixa, por favor. Está aqui uma arma. E por baixo está a licença e mais umas memórias nossas. Usa-a se precisares para te defenderes, disse Carlos.

Antes do início do vómito que Carlos sentia que aí vinha disse, já com baba na boca: "Mais uma vez, não te esqueças de mim. Que eu vou-te sentir sempre comigo".

2 comentários:

  1. naaao x.x

    Carlos nao pode morrer :X

    ... ou pode?

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  2. Olá! Venho do blog do The RP, onde estive a ler a saga Austrália. Foi ali que encontrei o seu blog, e aqui chegando vejo que o gosto por criar textos é algo muito presente entre os amigos do blog do The RP.
    Enquanto o Carlos agoniza por choque hipovolêmico, ainda encontra forças para amparar e instruir Roberta. Muito legal. Prossiga. Também gosto de criar textos. Acho isso algo mágico. Parabéns!

    Abraço do Jefhcardoso, do Brasil!

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