Estaria alguém naquele quarto. Abriu os armários e os locais que poderiam ter alguém escondido, mas nada. Apenas conseguiu sorrir com ar maroto, porque havia descobrido utensílios de Carlos que lhe diziam muito; Roberta não tinha ido espreitar à prateleira dos livros de logística, mas ouve um outro espirro e outro. A escada tinha a luz apagada, para não dar nas vistas, e por isso, era fria, escura e nada acabada. Era como nos centros comerciais de Portugal: tudo o que é acessível ao público é muito arranjadinho, mas a parte da administração e as saídas de emergência são inacabadas com cimento à mostra.
Carlos sobe as escadas e com a chave que tinha no bolso abre o cadeado que trancava a entrada para a passagem do quarto de Roberta. Fica a meio do corredor e tenta acender a luz num dos três interruptores que a escada tinha.
Como não ouviu mais nada, Roberta segue para o quarto dela e abre a segunda gaveta onde ela guardava os textos que tinha de reler e que lhe faziam sentir bem, ao contrário dos textos guardados na primeira, que eram meramente informativos ou mesmo lixo. Carlos aproxima-se, apesar de dentro da passagem, da entrada do quarto de Roberta, onde a consegue ouvir; ficou deliciado, parecia a pessoa que ele tinha conhecido, que fez provas de Educação Física com ele; parecia a pessoa que ele beijava na testa e que queria ter como irmã. Aquela respiração leve, mas carregada de ânimo enchia o quarto e agora a passagem secreta, deixando um espírito de satisfação no ar. Depois de Carlos estar quase a abrir a porta para ver o que Roberta estava a fazer, este decide regressar ao seu quarto e adaptar minimamente a escada secreta a um sítio acolhedor onde ele pudesse viver, trabalhar e estar mais perto de Roberta. Aquele sítio escuro tornou-se um sítio perfeito, com cor e ânimo próprio. Parecia alguma combinação para que alguma acção futura de ambos se passasse ali, naquele sítio.
Finalmente Carlos acaba de arranjar a passagem secreta e sai. Desde o regresso que tomava as refeições na sala das funcionárias, contrastando com Roberta que continuava a jantar na sala ao lado do quarto de Carlos. Naquela noite, o chefe da casa surpreende Roberta com companhia ao jantar. Mas não foi uma simples companhia. Foi um jantar diferente. Ambos partilhavam a mesma cadeira. Ambos partilhavam os mesmos talheres, ambos comiam às prestações, mas cada um punha a comida nos talheres para o outro. Ambos, após o jantar, referiram que não queriam confundir as coisas, porque queriam apenas experimentar aquilo. Como se sentiriam naquela situação, a comer com o mesmo talher, estarem na mesma cadeira, neste caso, Roberta sentada nos joelhos de Carlos.
As horas iam passando, e cada um, voltou para o seu quarto. Carlos, após vestir o pijama utiliza a passagem secreta e vai ao quarto de Roberta, onde, já com a luz apagada, a beija na testa. Após tal acção regressa à passagem, trancando a entrada do quarto dela e, de seguida, dirigiu-se à sua cama. Soltou uma lágrima, mas pensou que no dia seguinte iria trabalhar em casa, na sua nova divisão que estava desde Dezembro em obras, que ninguém se tinha apercebido de tais mudanças.
De manhã, cedinho, Roberta sai do quarto e vai ter com Carlos. Acorda-o e, de seguida, pergunta-lhe se quer. Carlos responde que sim e ela dá-lhe um beijo no nariz. Eles levantam-se e dançam uma grande valsa naquele quarto enorme.
Passam-se horas e Carlos redopia com Roberta pela casa, para uma zona que ninguém sabe que existe. Onde vê três portas. Uma com o símbolo da TfL, outra com um símbolo de uma chucha e uma terceira sala com a imagem de um estetoscópio na porta. Carlos diz a Roberta, abrindo a porta ao mesmo tempo, que ali vai ser o gabinete dela, após ter acabado o internato. Ela agradece abrançando-o enormemente, mas repara que na secretária está um papel semi-escondido a dizer "Assina aqui!". Carlos retira-se e, Roberta assina o papel. O gabinete de Carlos era de paredes camufladas com todos os transportes possíveis de Londres, constrastando com as paredes brancas do consultório de Roberta.
Esta grande amiga de Carlos, questiona-se porque é que aquele papel estava ali. Não conseguia mexer nele, não o conseguia tirar dali, não conseguia visualizar o resto das folhas. Continua intrigada com tudo aquilo e vai ter com o seu grande amigo Carlos vestida de bata branca e responde sim. Carlos beija-a na orelha.
Roberta vai para o quarto, mas continua a pensar naquele papel. O chefe da casa vai ter ao consultório de Roberta e tira o papel que tanto afligia Roberta, com o truque do costume.
uuuuh, o que estaria no papel!?
ResponderEliminargostei.
esta casa é cheia de divisões secretas e mistérios escondidos!
percebeu-se como surge a escada e percebe-se a diferença nas gavetas!
continua!