quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A maldita apresentação...

Era um dia extremamente chuvoso e extremamente frio. Uma segunda-feira. Tinha eu uma apresentação na faculdade logo de manhã e, ainda precisava de ir levantar os cabos à Associação de Estudantes.

Apanhei o primeiro barco, 5h15. Cheguei a Lisboa, nem Metro havia. Precisava de ir de autocarro e muito sinceramente não tinha conhecimento acerca dos autocarros que passavam na Cidade Universitária àquela hora. E comecei a pensar... 735, 732, Metro, 746+a pé? As hipóteses eram escassas.
Passou por ali um 732 e eu meti-me nele. Era o primeiro do dia. Vinha vazio como praticamente vinha o barco. Desejei bom-dia ao motorista e sentei-me junto à porta traseira.

Era de noite, ou pelo menos aparentava isso. E no fim lá cheguei ao meu destino. Tiro do bolso a chave da AE e vou buscar as fotocópias. Por meu espanto tudo estava arrumado como eu tinha deixado na sexta-feira anterior. Bem, não liguei e levei o conjunto de papel para o grande auditório.

Montar e não montar o computador, ligar e não ligar os cabos, e para além de ter ido em jejum para a Faculdade, já estávamos quase pelas 8h00. E eu senti-me a desfalecer. E assim foi. Fiquei ali caído ao que parece. Pelo que me contaram estava a sangrar demasiado dos pés e eu não tinha dado conta, dado que tinha tais partes do corpo tão frias.

Dei por mim na enfermaria do hospital mais próximo. E já eram 10h05. Já tinha faltado à minha própria apresentação e além disso, tinha posto em causa a apresentação dos meus colegas. Por muito que eu quisesse ajudar, só me iriam dar alta no dia seguinte, depois de vinte e quatro horas de observação. E ali fiquei naquela cama a tarde inteira, com o livro de farmacologia à frente a estudar. Não tinha vontade de sorrir e as dores ainda eram algumas.

Chorar? Não valia a pena porque ninguém me ouviria ali.

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