sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Desabafo #4

Todos sabemos que mandar pessoas à merda não é fácil e admito que para mim, é mesmo bastante difícil. Muito mais difícil do que chegar ao pé de uma rapariga e dizer que a amo perdidamente ou então, chegar a casa e mostrar um teste com nota negativa à família.

Esse sítio tão horrendo que é um disfemismo de tanta coisa no mundo actual é uma expressão que me deixa revoltado, porque apenas em casos muito extremos é que a digo ou a escrevo. Se disse a uma pessoa para ir para tal sítio, é porque realmente estava mais no céu do que na Terra.

A tristeza não se afasta das pessoas. As pessoas é que se têm de afastar das tristezas e eu não consigo neste momento fazer isso. Além de que ter alguns sonhos corrompidos, trabalho a duplicar (apesar de ser opcional e de livre vontade), de ter cá em casa uma mãe que trabalha mais do que de Sol a Sol e os avós, um com o PSA elevado que não descansa à mais de um mês suficientemente e outro que meteu na cabeça que tinha alzheimer, ainda me falta o meu tremor das mãos, o frio do Inverno, o Natal que há uns anos que não me diz nada e o facto de este ser o último ano do Secundário.

Cada dia que passa é como que o escuro e a tristeza se apoderasse mais de mim. Como que não visse mais nada à frente do que senão a rotina dos autocarros e da escola, a sensibilização das pessoas para o bem-estar social, visse receitas para ir levantar à farmácia ou então consultas e exames para marcar.

Claro que todos podem dizer que não tenho falta de carinho, e na verdade o que se passa é isso. Não tenho falta de algo que é importante. Sinto é que me sufocam demasiado com as vicissitudes de algo que eu não tenho culpa em cima, nem em nenhum outro lado.

A escuridão não me faz diferença de facto. Se passei anos com ela, mais um ou dois ou os quantos que forem, serão bem-vindos. Mas o que não quero é reviver o passado. Em nada. Tive coisas boas é certo. Passei por coisas más, correcto. No entanto, nada disso é repassável, ou seja, consigo passar pelas coisas boas de novo. Por mais que queira, as coisas só acontecem de forma igual uma vez.

A luminosidade do tempo é um factor contraditório. O que sei é que apesar de tentar ser forte na escola, as horas de sono são poucas, as chatices são muitas e o tempo para não fazer nada depois de fazer tudo (fruto de ter aprendido a ignorar algumas coisas) é algum ainda - de facto o que acabo por passar são brasas nas aulas com documentários.

Ainda ontem me perguntavam: "Mas como é que sabes os manuais quase todos do secundário de cor?". Eu respondi que não sabia, no fundo o tempo livre quando estou junto ao computador tem de ser passado de alguma maneira. E de facto, quando não se tem muito para fazer, até os simples nomes dos manuais podem ser decorados. E não, os estudos não podem ser aumentados, porque depois da carga de trabalho em casa, que digo que quero fazer porque senão, nada é feito de forma capaz a minha cabeça pouco mais assimila. E olha.... Agora tenho um sonho. E esse que seja realizado... Quando? Espero que seja brevemente, mas nem isso tenho certeza.

Sem comentários:

Enviar um comentário