... do passado, para o presente e para o futuro.
Lembro-me como se fosse hoje. Era um fim-de-semana, à noite. Vinte e três e qualquer coisa. Ambos estávamos fora da hora normal para nos irmos deitar. Ainda me recordo que pouco faltava para a meia-noite. E eu estava com medo. Não a conhecia. Não sabia como dizer nada, acerca de assuntos mais sérios, com menos brincadeira. De repente veio-me uma vontade louca à cabeça e disse-lhe que a amava. Mal a conhecia e disse-lhe isso. Parecia um puto de dez anos a dizer a uma amiga que gostava dela. Aquilo foi sentido. Não foi "epah, acho que gosto de ti...", foi mesmo algo importante que saiu (apesar de ter sido com algum medo) após pensar e repensar, ler e reler conversas, olhar e reolhar para mim. Mas continuava a não conhecê-la. Depois de ouvir a resposta dela, pergunto-lhe com sinceridade se devia esquecer, e ela responde que deveria fazê-lo se conseguisse.
Aí começou o retrocesso. O aprender a controlar-me e saber que apenas poderíamos ser amigos, independentemente do que eu achasse dela, ou que soubesse, ou que pensasse, ou que me dissessem ou que nós fizéssemos. Foi complicado. Sim, foi bastante complicado. Um amigo meu, meses depois, voltou-se para mim e disse-me que tinha sentido tudo aquilo porque se nós assemelhassemos o acto de início de uma relação mais séria à vitória de uma batalha, esta poderia ter sido uma batalha quase ganha. Depois de ouvir o que ele me disse, disse que não podia ser e que não acreditava naquilo que ele dizia. E continuo a não acreditar. Apesar de ele mo ter dito.
O tempo passa e admito que não sou de ferro. O processo de retrocesso também tem recaídas e eu assumi-as, nunca perguntando se ela estaria interessada, dizendo apenas o que se passava comigo mesmo. E os meses continuaram a passar...
Passaram até ao ponto de eu achar que já nada poderia influenciar as minhas recaídas, isto é, não voltaria a ter pico de gosto amoroso por tal rapariga. E de facto, se os tive recentemente, não dei por eles. Se calhar porque registei cá dentro a resposta daquela noite que foi calorosa, mas que me parecia definitiva. Não me lembro mesmo de recaídas recentes. O que sei é que por vezes, desejo as ter, quando não estou em mim, ficando arreado a uma parede branca do meu quarto ou na escola, num canto da "minha" sala quase que a chorar. Por outro lado, acho bem não ter tido nada, porque significa que sou forte o suficiente e que consolidei, com cimento forte, os sentimentos passados.
Mas tudo tem um mas... Mesmo que não queiramos algo adversativo, existe sempre um mas, em tudo. Pergunto agora, e se fosse agora. Se a tivesse conhecido nesta altura e começasse a sentir tudo como naquela altura? Ou ainda, depois de tudo, se sentisse muito mais do que senti naquela altura? Ou mais ainda, se me viessem dizer que ela estava interessada em mim, como é que eu reagiria? Será que alteraria o meu comportamento ou ficaria como estou agora, respondendo-lhe de forma clara e objectiva o que está cá dentro.
Muitos dizem que o futuro é incerto, e eu também sou apologista disso. Mas, e o presente? Também não o é? Nós não sabemos o que traz cada comunicação, cada pensamento que nos chega naquele instante que não estávamos a pensar ter ou ler ou ver ou receber ou enviar.
No entanto, e se fosse agora? Não tenho dúvidas. Mas se fosse eu parvo o suficiente? Ou o racional de mais? O presente ainda me coloca mais questões do que o futuro.
Não nós, mas os leitores e eu: segredamos as coisas. O que farei? Não sei. O que ouvirei: uma forma querida. O que responderei: nada. O que penso agora: a estupidez do motivo que me levou a escrever isto. O que acho em termos matemáticos: Deveras improvável.
PS: Acho que o ser casamenteiro não se aplica a mim. Só o consigo ser para os outros. Mas o passado não o posso largar do nada. E ela é um marco indúbio que me fez abrir os olhos e pensar como poderão ser e o que poderei achar das pessoas que poderei vir a amar no futuro. Raios parta para os outros que me chamam tonto todos os dias. Mas eu é que sei da minha vida. Cá dentro, mesmo que o coração bata por estar atarefado, o cimento está forte. E acho que isso é bom!
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