quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quem me dera ser quem não sou...

Sou diferente dos outros de manhã à noite. Mas quem me dera não ser. Poderia parecer-me a um adolescente normal, onde a escola é para aulas e namorar apenas, a família é para dar dinheiro e os amigos são para sair. No fundo, nada disso sou eu. Choro muito baba e ranho, quando me desvio da estabilidade que é minha.

Em vez de acordar à hora normal, há três noites que as quatro da manhã são o meu despertador e fico assim, até às seis sem fazer nada a pensar no meu dia.

Assim é, os meus olhos choram, o meu nariz entope, e lá já vão três dias.

Em vez da escola ser apenas um espaço de aulas e namoro, para mim é o espaço da calmaria e do consolo. Tenho saudades dela muitas vezes. Lá, posso chorar, gritar e escrever tudo. O gosto pela família não me permite tirar-lhe (pedindo) dinheiro a toda a hora e os amigos são para ouvir (ajudando-os) e para sair.

Em vez de saber jogar futebol, sei ouvir as pessoas; em vez de andar com os rapazes sei ver e lidar com as raparigas; em vez de jogar jogos violentos, adoro transportes.

Quem me dera não ser assim. Ser mais um como todos os outros. Se calhar pareceria melhor.

Ups... Já ouvi o som do primeiro comboio na estação. O dia já começa. Não o posso fazer parar. Só peço para não chorar muito hoje. De resto nada posso mexer. Apenas tentar ser eu.

Vivo todos os dias amedrontado. E quando vou ao pé do rio muitas vezes, é mau sinal.

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