De certa maneira, o passado foi neutro e nulo. Apesar das aprendizagens que se fazem, sem qualquer dúvida, é também verdade que não somos capazes de fechar os olhos a cenas teatrais, a desenlaces, relações e tudo o resto que pode baixar o grau de "bondade" do passado. Assim sendo, equilibram-se o mal e o bem do passado, deixando-o neutro.
Dando seguimento ao título do texto "O passado passou... Não pertenço ao presente", leva a querer que pode ser algum problema social, a nível da interacção com a sociedade, com os hábitos, com as rotinas, etc. Mas não, ao passar o passado, ao passarem todas as imagens, todas as palavras, todas as conversas tidas, não se tem nenhum problema social, mas sim algo pessoal, cá de dentro de nós. Um problema nosso, uma tarefa que é difícil de realizar.
O passado passou, aconteceu tudo. As memórias ficam para nós. Parece que ninguém gosta do passado. Ninguém gosta de pensar no que fez em x dia de há y anos, mas, eu, pelo contrário, gosto disso, e, por vezes, tento, a todo o custo, tentar lembrar-me de tudo! De tudo o que fiz, de tudo o que disse, de tudo o que conversei. Daí pertencer ao passado.
Passa agora um ano desde o fatídico acidente na minha vida. Não um acidente físico, mas sim psicológico, onde tive de alterar, de certa forma, como sou. Facto este, que acabei por não perceber muito bem, em plenas férias de Verão, mas também algo já dizimado, e com efeito, um bom resultado.
A partir desse dia, o presente foge-me como algo que não consigo controlar. Uma velocidade, uns tamponamentos de palavras, um silencio monótono. É como que estivesse a tentar dizer algo, e isso já não estivesse correcto, não estivesse justo, e acertado para aquele momento e ocasião.
Note-se que os seres humanos, ao terem sentimentos, vibram com todas as vírgulas, pontos e exclamações. Basta estar algo nalgum sítio, algo que não se perceber, que para nós não faz sentido, para dizer algo errado, para interpretar de outra maneira, para ler um "o" em vez de um "a", ou responder "Não" em vez de responder "Sim".
Realmente não pertenço ao presente. O tempo, como já referi, ao passar rápido, não deixa lugar a eu poder dizer um simples "Olá", mas deixa lugar ao vazio, à solidão, à tristeza!
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