sábado, 6 de março de 2010

"Água quase tudo e Cloreto de Sódio"

O título deste texto é o final do poema "Lágrima de Preta" de António Gedeão, consagrado escritor. Não pretendo retratar o que António Gedeão retratou, mas sim, algo diferente, porque as lágrimas têm na sua composição "Água (...) e Cloreto de Sódio".

De facto, têm sido ultimamente, companheiras pela manhã e pela noite, e por vezes, discretamente, no meio de actividades lectivas na escola. Pode até parecer estranho, para quem me conhece apenas como rapaz que faz tudo e é frio, sério e que mal aparenta ter sentimentos. No entanto, não o é. Essa é apenas a minha faceta social, porque, a nível pessoal, não tenho auto-estima, sou bastante sentimental e sério por vezes. E também pode-se dizer que o regime de certinho dissipa-se, em algumas vezes.

Até posso enverdar a "máscara" social nas comunicações pela Internet ou pelo telemóvel, mas quem realmente me conhce sabe quando as coisas e eu não estamos bem.

É impressionante, e agora, voltando-me para minha faceta social, a confusão e a sentimentalidade que albergo. Qualquer coisa que devia ser como o alfabeto, algo fácil de aprender, torna-se, para mim, normalmente, difícil e complexo. Torna-se complicado haver alguma confiança em mim, pela minha imagem social; não pelo que sou, uma simples e rude pessoa neste mundo inóspito, mas, pela parte em que não tendo a guardar segredos. Posso dizer, e fazer plena fé sob isto, que pessoalmente, existe quase que um túmulo em mim, que não conta as coisas que me são ditas, que me são pedidas em segredo, etc.

Tudo começa pela confiança. Sem ela, não há relação que dure e que cresça, desenvolvendo-se. A confiança é responsável pelo carinho, pela atenção, pela preocupação para com o outro e pelo desejo de se sentir bem com...

No entanto, é imprescindível também existir liberdade; outro ponto em que falho. Sem ela, e já dizia isto, uma grande e consagrada colega do meu Ensino Secundário, um ser humano, não é um ser. É apenas um simples pau mandado e controlado por outro(a). Alguém pretende uma relação assim? Parece-me que não!

Depois da confiança e da liberdade, e se calhar, um dos mais importantes pontos de uma amizade e de uma relação, vem o conhecimento. Torna-se imprescindível conhecer o outro, alargar os conhecimentos, saber como está, etc, porém, o conhecimento é muito mais do que um simples parágrafo.

Acho que, as minhas amigas aquosas e cloretosodiadas, também marcam algo em relações; ou algo que correu mal e nos faz correr tais sais pela cara, ou então, porque sentimos que algo está demasiado bom que os tais sais correm-nos também pelas faces.

Perguntar-se-ão agora, qual a situação? Qual o verdadeiro motivo do texto "Água quase tudo e Cloreto de Sódio"? Em realidade, este texto mostra, ou pretende mostrar que, é de certa forma, improvável esquecer algo que nos fez chorar. E que, ao nos lembrarmos dela, iremos chorar sempre. Todas as boas rotinas, todos os carinhos, tudo o que fosse bom numa relação, que se deteorou. Admito que por vezes é bom, mas por outras, sente-se um vazio enorme, que culmina com algo salgado na cara.

Será que tudo foi correcto? Todas as excelentes acções de crescimento que não levaram, naquela altura, cloreto de sódio aquoso na face, mas apenas, um bater de coração forte de nervosismo? Não o sei. Continuo a chorar por tudo, por todo o passado que passou por mim. Pelo ideal que surge na minha cabeça, cuja impressão parece estar errada, equivocada, e delimitada ao meu pensamento errado e horrivelmente obscuro. De certa forma, não existe presente, sem se ter encerrado o passado. E sem presente, não se consegue, deixar de derramar cloreto de sódio nas faces. Mesmo que seja uma pequena porção.

Termino agora com uma citação de outra colega minha do Ensino Secundário, que diz que as lágrimas que não caem são as piores, as mais sentidas.

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