A atitude de Daniel, após ter lido aquele texto mudou por completo. Assim sendo, ele passou a noite a sorrir e estar a 'brincar' com Adriana, tal como faziam há uns anos. Parece que é uma acção rotineira, corre bem, chega a tempestade, e no fim, regressa a bonança. Cada vez acredito mais nisso. Desta vez, Daniel adormece em cima da mesa da cozinha e Adriana não reparou. Estava a ver televisão. Mais tarde, por volta da primeira hora da madrugada, Daniel acorda e vê que estava sentado na cadeira da cozinha. Nesta altura, estava Adriana com sono, já de cabeça caída no sofá. Daniel tira um lençol da cama e dá-lho.
As restantes horas até à primeira acção rotineira do dia, o pequeno-almoço, foram passadas a descansar. Mal raia o primeiro pedaço de luz, Daniel levanta-se e vai para a cozinha. Lembra-se de ir escrever.
Como a irmã se havia deitado tarde, ele esperava que ela se levantasse tarde.
Fiquei emocionado da forma como Daniel escrevia, conjugava as palavras, compunha as frases e ligava os sentimentos que raramente poderiam ser escritos. Ele escreveu algo como:
'Mana, como estás?
Acho que estás muito bem, depois da noite de ontem. Tive pena de ti, porque está quente, no entanto, a noite aparentava o frio, daí estares tapada com um lençol. No entanto, e indo ao fundamental da razão que me leva a escrever, tenho de te agradecer especialmente ao texto riquissímo que me enviaste ontem. Há muito que não recebia nada assim, mas este texto fez-me recordar todos os nossos velhos tempos, que, na minha opinião, foram excelentes. Espero que desde a noite passada, possamos voltar a tê-los, mesmo que não sejam completamente iguais, pelo menos em mais de 85% da igualdade.
Todos aqueles sentimentos que rolavam da tua boca, que entravam nos meus ouvidos contrapunham a totalidade daquele ditado do 'entra a 100 e sai a 200'. Escutava com atenção toda as dulcíssimas palavras que 'lançavas' para mim. Sorria como tivesse a sorrir para uma alteza real, a quem tinha um dos valores mais altos de respeito. Após aquele fatídico acidente e tanto tempo a viver juntos, cujo facto, foi uma 'obrigação' para ambos. Endento perfeitamente todos os teus medos, os teus receios, a tua falta de confiança que possa existir, em alguns casos, depois de ter ficado sem Sol durante 30 dias que para mim foi uma eternidade.
Porém, esses tempos passaram e eu digo BASTA depois de tanto tempo a pensar no assunto. Eu quero estar com a pessoa que conheci e que estive ontem à noite. Uma pessoa bem-disposta, alegre, confiante, sorridente e confiante. Não consigo, hoje, esconder o meu sorriso. Quero estar de alma aberta, para te poder dizer que sim, és minha irmã.'
Sem dar por isso, Adriana chora ao ler o texto que Daniel havia estado a escrever em todo aquele tempo...
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