quarta-feira, 1 de julho de 2009

A 2, não é difícil (TF1)

Barreiro, 7 de Fevereiro de 2009
Foi um choque tremendo, consegui ao mesmo tempo perder toda a minha família e ganhar parte de uma nova. Não sei que fazer, que pensar, que achar. Sinto-me vazio. Todas as recordações que tinha têm de ser apagadas. Como é que poderei fazê-las? Todos os ensinamentos, gostos, entre outros que adquiri, foi devido à família que perdi. Sinceramente, acho que não sinto o que escrevo, simplesmente está a trabalhar o meu interior para eu conseguir ter algo escrito num dia tão negro como o de hoje.
É como ter chegado ao fim de uma linha de comboio e ter estado na última carruagem ao contrário dos restantes, e o agulheiro, de um momento para o outro, faz a agulha que nos permite sobreviver ou então ainda não chegou o nosso fim, a data da nossa morte.
No momento da 'agulha' vi toda a minha vida mudada. Agora somos só 2 a viver numa casa sozinhos, sem saber o que fazer, espero não desiludir ninguém com os meus defeitos e aprofundar as minhas qualidades. Sinceramente, acho que com quem fiquei percebe-me e consegue perceber o tudo.
Apenas poderei ter certeza de isso, quando vivenciar a expressão que aqui coloquei. Espero não me ter enganado.
Não posso sentir-me mal, se me sentir, a minha família também o estará. Devo sorrir e continuar a vida para frente, tal como era o desejo de toda a gente que perdeu ali a vida.
Vejo alguém sentado na sala a chorar, fortemente, não obstante, não me consigo aproximar. Sabendo que a dor é a mesma não consigo. Nem o consigo explicar. Atrevo-me a chamar-lhe 'irmã' ao vulto que ali está. Digo mais uma vez que não a quero desiludir.

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