domingo, 18 de novembro de 2012

Universidade.... Take #2, Ação!

As férias de verão passaram e comecei de novo a minha labuta... Casa-Lisboa-Casa. Apanhava sempre barcos diferentes, autocarros diferentes e os cinco dias da semana nunca eram iguais. Havia sempre algo para fazer de diferente, ou mais um papel, ou mais uma hora de condução, ou mais um sorriso e um beijo.
Como de costume, ouvia sempre que precisava de descansar e bla bla bla, mas pouco ligava e, mais uma vez, as minhas famosas olheiras escuras, fundas e negras voltaram a aparecer - como eu já esperava, mas sentia-me bem.

Após ser aprovado no exame de condução, numa sexta-feira, não podia ficar mais radioso: fui para o Zoo comer e pensar no futuro, nas perspetivas de como é que eu poderia vir a ser um bom condutor, cumprindo a maioria das regras que me foram ensinadas nas aulas: cá fora é tudo diferente; já não temos o instrutor que no último instante pode colocar o pé no travão e impedir um choque ou uma infração - somos nós apenas por nós próprios.

Expectável era o início do novo ano da faculdade e isso iria incluir novos colegas, novas chatices e novos desafios. Eu sempre gostei disto: desafios. A vida para mim sem desafios não é, de forma nenhuma prática. Preciso de me sentir bem, desafiado constantemente (mas não num estado extremo) para que possa reagir e possa pensar e fazer sempre mais e melhor - não, eu não sei parar.... até um dia em que não poderei respirar.

Particularmente passaram as habituais praxes e chega a solene noite de batismo. Sabia de ante-mão que seria padrinho de dois novos alunos - mas não sabia como deveria reagir perante eles: de forma igual, de forma austera e radical, ou numa de "tasse bem meu". Tentei ser eu próprio para ambos, dando indicações para que eles pudessem brilhar de forma mais cintilante e forte do que eu. Fiquei assim de consciência tranquila. Os miúdos eram inteligentes, tinham as indicações, os materiais e eu agora podia mostrar realmente que eu estava do lado deles: que era aluno também!

Aqui há a ter em conta que me liguei muito mais à minha afilhada do que ao meu afilhado. E é precisamente sobre ela (a quem dedico esta pequena grafia em Língua Portueguesa) que vos falo aqui...

Quando a vi pela primeira vez, já como pseudo-afilhada, ela era pequenina, de olhos brilhantes na  noite escura de Lisboa. Pareceu-me ansiosa por entregar a carta que me tinha escrito horas antes.... E eu, sem ela perceber, estava radioso porque alguém que eu mal conhecia tinha-me dado um voto de confiança.

Depois de ela ter levado com água bem colorida por cima da cabeça e partes da coluna vertebral, despedi-me e disse-lhe: "sempre que precisares, vem falar comigo!".

O tempo ia passando e as fases de acesso ao Ensino Superior  mostravam que a minha afilhada não deixava de se candidatar para outro curso da nossa Universidade. Na última, a terceira, fazendo valer o velho ditado "Há terceira é de vez", a pequena senhora conseguiu entrar no tal curso que ela tanto ambicionava. Nessa altura, já ela levava a lição bem estudada e ouvida várias vezes da minha parte: "Meus meninos, eu sou o vosso responsável. Qualquer chatice que fizerem sou eu que vou responder por vocês! Mas, por outro lado, sempre que precisarem de qualquer coisa, e mesmo qualquer coisa, ir às compras, comprar preservativos, pílulas, lingerie, ou apenas companhia podem ligar, mandar mensagem ou mail 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, 365(6) dias por ano!".

Semana após semana apercebi-me que a minha própria afilhada trazia um grande desafio para mim: uma amizade tão bela e cuidada, uma confiança tão grande e aberta, um valor inexplicável: eu senti-me padrinho, amigo e colega! Tudo ao mesmo tempo.... 

Se eu não gostasse dela já o caso era outro, mas como eu não digo não a nenhum desafio, não deito fora nenhuma amizade sem motivos válidos e ainda não tinha descobrido a razão pela qual ela tinha entrado na minha vida, fui-me tentando aproximar aos poucos - fazendo sentir em mim o que já havia sentido antes, uns anos atrás quando entrei numa escola nova em que pouca gente conhecia.

Fui-me apercebendo que eu e ela tínhamos imenso em comum... E pensei, isto vai correr mal (em tom de gozo)... Mas não correu, nem corre. As amizades devem ser estanques e o facto que impera numa é a confiança, a racionalidade e sentimentalidade doseadas e aqui havia isso!

Até hoje, semanas passadas, por muito que eu queria por um dia que seja dizer: "Não, não vou chatear a minha afilhada amiga"... Dou por mim mais tarde a mandar-lhe mensagem ou a meter conversa com ela nas redes sociais! Que chato que eu sou.... Enfim.... Mistérios da vida a razão pela qual sentimos esta necessidade de contacto... Se calhar por proteção das relações não sei....

Mas uma coisa eu tenho certa... se não fosse ela, as minhas últimas semanas não tinham sido bem dispostas, porque uma pequena, madura e robusta senhora fez-me pensar e voltar a abrir as portas para o que é a amizade e a valentia das relações interpessoais, simplesmente.... sentir e depois pensar! E sim.... os padrinhos devem dar beijinhos na testa aos afilhados - se não, quem cuidava deles?!

sábado, 15 de setembro de 2012

O tempo e os relógios...

No meio das minhas forças e dos meus alívios, tirei o meu relógio azul com zonas verdes do meu pulso esquerdo. E fiquei a olhar para ele, um, dois, três minutos. O ponteiro verdinho, o maior deles todos, ia passando e ia fazendo o seu barulho habitual, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac... E eu pensei..... Sim, o som do tempo é entristecedor e irritante.

De repente coloco o meu amigo relógio no chão e olho ao meu redor.... um outro relógio marcava exatamente a mesma hora e os mesmos minutos do que o meu relógio de pulso. Este outro, um relógio azul, com algum cinzento à volta chamou-me particularmente à atenção... O seu ponteiro dos segundos era vermelho e nunca o vi andar para trás. E o meu olhar começou-se a desviar para a direita, onde encontrei o meu pincel da barba, o meu perfume, o meu vaso de flores e o meu sabonete líquido e eles fizeram-me lembrar das horas de hoje de manhã, do momento em que o pincel da barba estava sujo de espuma, o meu frasco de perfume estava intacto, o meu vaso de flores não estava em casa e ainda o meu sabonete líquido estava completo. Enfim, a lembrar-me do passado, mas em tempos diferentes....

E se os relógios andassem para trás? Em vez de contarem o tempo da esquerda para a direita, se o fizessem da direita para a esquerda.... Faz-me isto lembrar de uma parte do filme de "O Estranho Caso de Benjamin Button", o ser humano que nasceu idoso e morreu bebé... Onde alguém conceituado tinha construído um relógio que contava o tempo para a esquerda e não para a direita, dando a ilusão de que o tempo poderia vir a voltar para trás... Enfim, mas será que o tempo poderia voltar para trás? Como seria se nós nos víssemos a fazer algo que já tínhamos feito? 

Ali, naquele espaço, onde a luz artificial irradiava toda a divisão, levei a minha mente ao passado. Baixei a cabeça, fechei os meus olhos e comecei a regredir... Comecei a olhar para o meu passado, para as minhas memórias, para as minhas recordações... E aí, de olhos fechados e com a respiração mais pesada, senti-me integrado noutro mundo, noutro lugar, todo ele diferente do que é atualmente a minha cidade, o meu planeta, a minha vida. Não vi nenhum castelo.... Vi um rio. Um mar, uma praia. Vi o horizonte, vi o limiar do poder humano. Senti que estava a descarregar as minhas energias. Respirei fundo e abri os olhos, até que senti algo que me fez balancear o corpo, para a frente e para trás, para trás e para frente, cada vez com mais velocidade, fazendo com que pensasse que o tempo tinha voltado para trás, numa tentativa de me poder redimir de ações e de poder prevenir outras. E a minha respiração continuava ofegante. Não conseguia ver o tempo a passar, já não tinha visão para isso. Estava já repleto mais uma vez de memórias, de sentimentos antigos que se perpetuaram até à realidade e um último muito importante... quando parei lembrei-me que eu adorava datas e não me esquecia de nenhuma. Agora já não sou assim. A minha existência humana fez com que eu mudasse, me transformasse, me habituasse a viver num novo ambiente, numa nova fase da minha vida.

Com todo o passado a encher a minha cabeça, fechei mais uma vez os olhos e recordo gritos, recordo dor, recordo que não há silêncio. Recordo tristeza, recordo sangue, recordo facas, recordo canivetes, recordo o sentimento da morte. Recordo o meu choro. Recordo a minha sensação de perda. Recordo com o meu medo. O meu medo. O meu medo. O meu medo. 

Recordo o meu medo particularmente porque ele fez com que eu mudasse de rumo. Fez com que eu vivesse muito mais preocupado agora do que no passado, ensinou-me que não podia ser assim como eu vivia que poderia crescer e tornar-me Homem, sim homem com H grande, com ferros na base! Enrosco-me sobre mim próprio e penso.... para que serve o passado se nos faz sentir mal? Para que serve estarmos tristes, se apenas isso nos vai fazer estar mais tristes quando nos lembramos que já estivemos tristes. E de repente sinto uma chapada de alguém na cara.... Uma, duas, três vezes.... Uma, duas, três vezes... E fico no chão, de repente inconsciente. Ao acordar, horas depois não me recordo de nada, nem do tempo, porque deixei de agarrar-me a ele para viver, deixei de ter necessidade de o fazer, porque quero viver o meu dia a dia como posso. Quero fazer tudo! Quero poder crescer mais e mais e mais hoje. Para mim o dia não tem vinte e quatro horas. O dia tem a duração da minha vida, dos meus afazeres, dos meus beijos, dos meus abraços, dos meus sentimentos..... Dos meus sorrisos, dos meus desejos, das minhas pretensões, ou seja, de mim... fazendo tudo girar à minha volta. E então pergunto, para quê relógios? Para quê o tempo? Para quê a vida?

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O tempo que passa...

Há uns anos, que belas memórias me trazem esses tempos, tentava eu publicar aqui, neste espaço que muitos chamam de blogosesfera, todos os dias um texto. Por vezes uns maiores, outros mais pequenos, uns com mais emoção, outros mais sérios.... E ainda não tínhamos a moda do Facebook.

Enfim.... desde essa altura, tinha eu a tenra idade dos 15 anos, muito mudou... Surgiu a nova rede social tão traduzida como "Livro das Caras", os Tumblr e ainda o Google+. O que é certo é que uns foram mais frutíferos que outros. Passado uns anos, curtinhos, rapidinhos, mas passados, com mais escola em cima e não apenas a académica atenção.... Cheguei ao ponto de estar metido numa grande embrulhada.... Já estar num curso do Ensino Superior e dia após dia, mês após mês, ouvir, constantemente algo deste género: "Médico por acidente, transportes por vocação". Antes de mais é importante esclarecer que não estou no curso de Medicina.... Mas sim numa Licenciatura de Saúde, importante como base para qualquer experiência futura nesta área. E aqui, não posso deixar de nenhuma forma de salientar o meu enorme gosto e dedicação aos transportes..... Plano daqui, carreira dacolá, preço dacoloutro.... E o facto é que tenho tentado tentear (e vão lá três t's) este nivelamento que é complicado e por vezes descamba.

Ora.... Se desde 2009 tenho a influência de Saturno na minha vida, penso que a partir do próximo mês de outubro vou ficar estonteantemente passado, porque ao que parece vou ter ainda de trabalhar mais para alcançar os meus objetivos. Desde esse ano fui.... Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da minha secundária dois anos e no 12.º ano candidatei-me a Presidente da Direção, representei os alunos do Secundário no Conselho Geral do meu Agrupamento e fui dois anos delegado de turma.... Pensei eu que quando chegava à Faculdade, ou melhor, ao Ensino Superior, tudo iria mudar.... Eu não passaria apenas de um número como a maioria dos alunos são, mas felizmente não sucedeu tal coisa.

Pergunto-me agora que já passei pelo meu primeiro ano da faculdade, se tal coisa é boa.... Sinceramente não sei. O meu espírito autocrítico e além do mais..... de vontade de fazer mudar o Mundo, muitas das vezes sozinho, não se avizinhou (mais uma vez) muito brilhante. Já uma doutorada dizia.... "Quem nada faz é brilhante e quem mexe e remexe leva com elas em cima".... É tal expressão é um facto. Cada dia que passa vejo-me cada vez mais limitado na minha ação, nos meus direitos, nos meus deveres. Eu já não consigo ser um simples cidadão da República Portuguesa! Eu preciso de fazer mais isto e mais aquilo para me poder sentir bem. Eu preciso de ter responsabilidades, eu preciso de fazer sentir aos outros que há alguém em que podem confiar, eu preciso de ser.... como uma atriz conceituada norte-americana disse num episódio brilhante de "Anatomia de Grey".... eu estou habituado a ser o número 1, não o número 2. E de facto, é isso que se passa comigo. Eu precisei sempre de ser o número 1 para pensar nisto e naquilo, sempre precisei de ter os gostos mais diferentes do habitual e do normal para poder extravasar as minhas energias e a minha vontade de viver. Eu passei por um Ensino Secundário complicado.... Toda a gente via isso... E eu digo.... Passar pelo que eu passei (e acredito que haja pior), não desejo a ninguém. Não prometo a ninguém. Não, mesmo a ninguém faço as coisas que me fizeram. Mas eu tive certa parte da culpa! Sim.... porque eu deixei e assumo isso. E como tal, lutei para ultrapassar tal situação e após isso, voltei-me para o céu e colhi a Lua, colhi as estrelas, consegui viver.

Cada dia que passa vejo uma faca a entranhar-se cada vez mais na minha dorsal, cada vez mais ao fundo, cada vez mais sangue a sair. Numa vida democrática, porque é que não há uma cena mais correta? É claro, pim pim pum pum, pão pão queijo queijo, preto no branco, como inúmeros ditados portugueses assinalam. Mas porque as pessoas não veem que não é assim, não pode ser assim, não deve ser assim? Não leem as Leis? Não sabem interpretar Regulamentos? Não leem as cartas que são enviadas? Não conhecem a Constituição da República Portuguesa? São domínios tão básicos que eu aprendi tão novo.... E não estou em Direito.... Eu estudo SAÚDE!

E mais uma vez tenho uma poça de sangue no chão, como que a minha alma estivesse a levitar sobre mim, como que tivesse voltado a ter o Tico e o Teco, um de cada lado, mais uma vez como antigamente. Eu esforço-me tanto, tenho isto e aquilo e acoloutro no meu CV para quê? Para as pessoas não perceberem como são as coisas? Para não valorizarem a minha maneira de ser e de fazer as coisas! De forma simples.... Eu quando falo, tento sempre que posso basear-me nas regras..... E quem não segue as regras nestes casos, como consegue perceber que algo não é assim, porque não estamos assados, mas sim cozidos!?

São olhos claros! Olhos claros. É só ler. Ler e interpretar. Folhear livros ou passar a mão no rato e ler. Como é possível? 

Sinto-me cada vez mais só, sem vontade de projetos. Porque cada vez que eu tenho energia e novas ideias, parece que sangro muito mais. Parece que deixo de saber o que fazer. Parece que me vejo de volta ao meu Secundário, ao meu castelo, a ter necessidade de construir tijolo para não deixar ninguém entrar. Como uma música diz, traduzindo-a... "Eu sou de titânio".... Mas quem me dera poder ser apenas de carne e osso, sem proteções, sem necessidade de ser como sou para enfrentar a nua e a crua realidade. Por favor, abram os olhos e vejam o que está certo. Por favor, lembrem-se do que eu digo.... Pode ser que algum dia me deem razão. Um abraço!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O dedicado instrutor de condução

Parecendo que não, a maioria da população portuguesa tem como objetivo aos 18 ano tirar a carta de condução. Algo que é dito sempre de forma incompleta, porque, ou por não saberem, ou por se quererem despachar, não fonetizam que pretendem obter um título de condução válido para veículos ligeiros, podendo estes ter reboque até ser atingida determinadas condições e além do mais poderem vir a utilizar motociclos específicos.... Ora mais uma vez isto se resume a se dizer que se pretende ter um título de condução para a categoria B.

Muitos antes de terem completado os 18 vão, ou por obrigação, ou por vontade própria inscrever-se numa Escola de Condução para ter então o tal título de condução desejado. Enquanto uns tentam fazê-lo aos 18, outros tentam mais tarde, ou por terem adversidades na vida, ou então, por simplesmente não terem interesse por tal.

Lembro-me particularmente da minha inscrição na minha escola de condução (é um facto.... acaba-se sempre por dizer a minha escola de condução, o meu instrutor.... e veja-se bem.... o meu carro: para muitos, o primeiro!)... Era inverno, mas desta vez, naquele dia estava Sol; já se avistava o Natal e com ele os atrasos inerentes à época natalícia, as pessoas ficam mais preguiçosas porque os dias são pequeníssimos e além disso, dois feriados em dezembro tiram dois dias úteis de trabalho!

O facto é que o presságio da época natalícia confirmou-se, porque tive mais do tempo normal à espera da minha licença de condução. Quando ma entregaram, um papel azul dobrado em três, com sulcos e picotados, com um símbolo que refletia à luz eu estava mais do que maravilhado. E o meu objetivo era não a dobrar, vincar ou simplesmente estragá-la. (Algo difícil pelo que vejo atualmente, mas enfim....).

Quando a recebi, fui rapidamente assinar as aulas que podia e percebi ao longo das lições de código que este não era tal e qual como eu pensava: ou a linha contínua proibia (mas não proíbe) a ultrapassagem ou existiam faixas (mas afinal são vias) ou ainda mais parva... os veículos de dois lugares, os vulgos comerciais, não são veículos ligeiros de passageiros! Mas sim veículos ligeiros de mercadorias... Enfim, foram aulas divertidas que me fizeram lembrar o tempo da minha Educação Primária, o meu 2.º Ciclo, ou então melhor... Os meus professores com mais idade que apenas perguntavam o que estava nas imagens do livro.

Da teoria para a prática, passei por seis aulas de simulador e cheguei à nua e à crua realidade! As aulas práticas para poder ir a exame de código... Como sempre faço antes das aulas práticas, fico na paragem do autocarro, vendo-os passar, percebendo a mecânica da complexa rede de transportes de Lisboa. Eis senão quando chega ao minuto certo da hora da minha aula e dirijo-me aos instrutores, cumprimento-os e sigo com o Caro João para o "nosso" veículo ligeiro. 

Das aulas antes do exame de código pouco me recordo, apenas de, na segunda aula, perceber que estava muito à direita e não estar minimamente em condições de circular na estrada, no preciso momento em que são colocados os quatro piscas e me é dito: "Vamos lá ver, porque assim não podemos estar na estrada!".

Feito o meu exame de código, sigo de forma rápida para as restantes de condução..... Com umas trocas pelo meio, os sessenta minutos dedicados ao carro e a mim passaram-se dentro da normalidade, com a exceção de buracos, ter passado um sinal vermelho e ter percebido a partir de determinada altura que não teria muitas instruções, uma vez que já estava preparado para fazer algo sem indicações prévias. Aqui tenho de confessar que nunca gostei de estacionar o veículo... Sempre me deu aquele friozinho no estômago e a ideia de "Eu não sou capaz!".

Após as 32 aulas legalmente obrigatórias marco o meu exame de condução..... aquele bicho papão para muitos candidatos a condutores. Dada a longa distância entre a data da minha última aula e o exame que estava marcado acabei por ter mais cinco aulas para tentar aperfeiçoar os meus conhecimentos. O que é certo é que nestas últimas aulas (entre junho e julho), estava a decorrer a época de exames da faculdade e eu estava completamente desanimado, sem forças para estudar... Aqui é que mais uma vez o papel do meu instrutor de condução foi importante: muitos pensam que não, mas os instrutores, quando têm uma boa relação com os instruendos, acabam por fazer de forma imponente parte da vida destes últimos... Foram as conversas que me fizeram reavivar o espírito académico e ter vontade de estudo! E com a ajuda do meu instrutor consegui ter bons resultados!

Já indo longe os exames chegou a data da verdade: O dia do exame de condução.... altura em que respondi torto a este e quando me apercebi fiquei estapafúrdio! Do tal momento da verdade as recordações ainda cá estão e lembro bem delas nas noites que não consigo dormir com insónias. Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ouviu-se no carro e na minha cabeça pensou-se....... "Oh não.... isto não!".

O que é certo é que há de passar em frente e pensar no futuro. Em jeito de conclusão, devo de forma imponente um valente Agradecimento ao meu Instrutor, o Excelentíssimo João! Mas também devo-lhe um pedido de desculpas, por não ter correspondido às expetativas de forma clara..... Ora bem, e o futuro? Como será? Esperemos que seja bom! UM OBRIGADO!

sábado, 21 de julho de 2012

20 de julho, dia dos Amigos

Estou na Pedra dos Corvos, local de pensamento para os pequenos humanos que passam férias por aqui. E eu não sou exceção! Vim para este belo lugar pensar e falar de inúmeros assuntos mais resguardados.
Neste pequeno sítio, a escuridão da noite abre-nos o coração, ao invés do que acontece precisamente durante o dia, onde o espírito de aventura nos faz até pensar saltar das rochas para o rio, quando este está cheio, com pouca corrente para a direita, em direção à pacata e pequena vila, que se honra por ser a mais a norte do enorme distrito de Faro.
Foi neste local tão mítico que acabei por, ao olhar para o céu estrelado, me aperceber das minhas glórias e dos meus erros, das minhas alegrias e das minhas tristezas. E assim pensei que durante todo o meu Ensino Secundário criei na minha cabeça uma obecessão por uma colega minha. Daí as minhas irritações e chatices, o meu ar de controlador e de possessividade. Naquela altura sabia o que queria fazer, o que lhe queria dar, e além disso, o quando e o onde. Mas, como se veio a provar tudo era da minha cabeça e eu é que, tive de me reeducar e ultrapassar a barreira daquele sentimento ao qual eu estava preso.
Para isso devo-lhe um obrigado, se não fosse o afastamento dela, quem sabe, ainda agora andava "todo maluquinho". E dia 20 de julho, porque é o dia dos amigos. E sem dúvida que ela é minha amiga. UM GRANDE OBRIGADO!
Pergunto-me agora como terá passado ela e os meus colegas do secundário sem mim neste ano. Penso que bem, mas assumo que alguns deixaram saudades.
Nesse dia em que a amizade é comemorada, penso que os trilhos do passado acabam por se cruzar com as linhas tortas do presente, valendo a pena assim, o recordar, o lembrar, o sorrir e o entristecer pelo que.passámos, acompanhados com amigos que nos mostraram como devíamos seguir a nossa vida.

A Praxe.....Coisa de nada ou introdução à vida Adulta?! Melhor..... Um equilíbrio!

Estava eu a terminar o meu primeiro ano da Faculdade, quando a minha prezada Comissão de Praxe propôs aos alunos do aclamados 1.º ano escrever uma carta para estes serem ilibados das acusações proferidas no Tribunal de Praxe, mítico para o nosso curso, onde todos os anos, ao que parece, vai parar uma cabeça de um santo e pobre suíno dentro do Lago do Campo Grande, isto é, segundo histórias que se contam, pois não estive presente na penúltima dita cerimónia enquanto caloiro da minha licenciatura.

Não pude lá estar naquela 5.ª feira à noite, mas também não podia deixar de cumprir o meu dever, ou seja, escrever a mítica carta que, ao que parece muitos "caloiros" têm de redigir.

Numa noite fria e chuvosa de abril, pesquisei e grafei o seguinte:


"A praxe nasceu antes do século XVIII, em Coimbra. Tem sido ao longo dos tempos alvo de recuos e avanços; inclusive, nos últimos anos da década de 2000 levaram a que o Exmo. Sr. Ministro do Ensino Superior, Tecnologia e Ciência viesse abordar as instituições de Ensino Superior, tentando mais uma vez que estas fossem abolidas.
Pensando no sentido histórico da palavra praxe, esta deriva do grego prãxis significando ação e ainda, noutra variante do latim, como prefixo, praxe-, que simboliza prática. Assim, pode-se concluir que a praxe nas suas origens linguísticas está de acordo com os princípios dos inúmeros Regulamentos de Praxe existentes no nosso país: ações de integração, criação de hábitos, rotinas, amizades, etc.
Como já é dito por inúmeros provérbios populares, do qual se destaca um: “A mente de um sábio não é perturbada pela honra ou pelo abuso”, os trajados, praxantes de direito, são considerados sábios, ao contrário dos caloiros que, por ser novos, baixos, sem conhecimento, fracos, por nada sentem-se abusados, o que faz com que, existam dois desfechos: ou crescem e fazem uma seleção do bom e do mau, com a ajuda das praxes ou então, tentam evitá-las sempre que possível, uma vez que se começaram a desenvolver o intelecto noutras direções.
Tudo isto já se passava no tempo de El-Rei D. João V que comenta as praxes da seguinte forma: “Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos”. Será que é válido este ponto de vista? Ou os tempos mudaram? Há que ligar as duas questões para se obter a resposta, isto é, a praxe é saudável e integra, quando não existem obras de caráter menos benévolos em primeiro lugar.
Colocando um pouco de parte a parte histórica da praxe, focando assim a relação destas com a minha pessoa na Licenciatura em Ciências da Saúde, levaram a que ocorresse um crescimento mental em mim, o que me cabe agradecer à minha madrinha e a todas as outras pseudo-madrinhas que me têm vindo a acarinhar ao longo do ano que passou. Quanto à minha presença física e participação nas tradicionais atividades, de todos os acontecimentos, reconheço que a minha presença poderia/deveria ter sido maior, no entanto, valores mais altos se impuseram, como trabalhos de voluntariado e problemas familiares que tenho tido ao longo deste ano letivo, ou ainda coincidência das atividades de praxe com períodos letivos.
De todas as acusações possíveis, tenho consciência que deverão ter fundamento e são válidas, mas, tendo direito a defesa, cabe-me dizer que se me fosse possível ter apresentado mais aos momentos de praxe, tê-lo-ia feito, que como já referi anteriormente, a praxe deu-me ensinamentos e fez-me crescer em muitos níveis, no entanto, por muito que quisesse não consigo coloca-la acima da família e de outras organizações institucionais onde detenho algumas responsabilidades.
Terminando, há ainda a considerar a possibilidade ou não do reconhecimento pela Prezada Comissão de Praxe pelo marcante e relevante Traje Académico. Neste ponto, considero que sou das pessoas que mais honra o curso onde está, não só pelo trabalho que desenvolve com os colegas e docentes, mas também pelo espírito de mínima liderança que consigo criar, já assumido pelo Excelentíssimo Dux desde o início do ano letivo que agora termina. Dessa forma, balançando a presença nas praxes, com as impossibilidades que me fizeram não estar presente e com tudo o que está descrito anteriormente na presente carta, se me é permitido, peço à Comissão que me seja reconhecido o uso de Traje Académico.

Sem mais de momento, apresento os meus melhores cumprimentos, também pessoais"

E bem, o facto é que no dia seguinte foi o nosso enterro e eu lá estive, brincando com água salgada proveniente o poluído Rio Tejo, onde este se conflui com o tom azulado com o Oceano Atlântico, mas não posso deixar de dizer que foi uma honra ter sido "enterrado" pela entidade suprema da Praxe da minha Licenciatura, o DUX, e além do mais ter tido duas viagens de comboio por uma linha onde eu nunca tinha andado, mas sempre ambicionei, a Linha de Cascais. E agora, como será o próximo ano letivo?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mini-frase #7

Sinto saudade do calor e do frio que rapidamente mudava o meu humor. Sinto saudade de sorrir por nada e por tudo. Sinto saudade da minha capacidade única de perceber o que sentir.....

Desabafo #7

Oh Gente do meu País!!!!! Porque é que eu tenho a mania de me ligar demasiado às pessoas?! Damn it!

Ano Novo, Nova Tarefa Cumprida...

Chegamos a 2012!

Para muitos apelidado o ano da verdade! E de facto, faz sentido que assim o que seja. No entanto, sendo um pouco mais crítico, pergunto se todos os anos não são anos da verdade? Acabam por ser, porque não conseguimos saber no primeiro dia do ano o que irá acontecer nos restantes 365 dias (ou 366, como é o caso deste).

Apesar de para mim este ano ter tido um início na cama, adoentado por causa do meu querido amigo fast-food, e tendo em conta que para mim todas as pessoas passam e "penetram" na minha vida por algum motivo, com gosto partilho que já neste primeiro dia do ano consegui cumprir mais um objetivo meu!

Quem me conhece minimamente sabe que acabo sempre por fazer algo às pessoas que se relacionam comigo... E hoje consegui dar um "abre-olhos"! Agora sim, faz sentido a inclusão de tal pessoa na vida da minha pessoa.

Keep smiling, my dear friend!

No entanto tenho outro objetivo para cumprir: Há alguém na minha vida que ainda não consegui perceber qual é o objetivo de tal presença... Espero bem descobrir e poder ajudar essa pessoa.


É um post curtinho, mas cheio de contentia para o Dupé! Bom 2012 para todos :)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Da minha janela eu vejo... #7

Hoje  conto-vos que acabei de ter uma grande aventura e digo-vos já que foi mesmo inesperada. Não sabendo porquê, decidi acompanhar aquele meu amigo que via da janela de casa, que, se bem se lembram, não saia e ficava triste, em frente ao computador, naquela casa tão modesta e conservadora, com alguns pingos de liberdade.

Vamos lá então...

- Psst.... - dizia o Tico;
- Cala a boca.... - dizia o Teco;
- Chiu o quê pá?...., respondia o Tico apressado e já um pouco irritado.
- Não vês que ele está amedrontado, Tico? Nunca o vi assim, respondeu o Teco.
- Não me interessa, mas ele é um homem ou um rato, bah!?, terminou o Tico.

Bem, de facto é que eu que acompanho O tal rapaz hoje na sua aventura, decidi meter conversa com o Tico e com o Teco: depois de um ar de admiração porque há muito que não me viam, sentaram-se os dois no meio daquele jovem córtex cerebral e escutaram o que tinha para dizer. Lá lhes tive a explicar que o pequeno rapaz ia ter com a madrinha dele a Lisboa, uma amiga que ele sentia necessidade de compensar!

Os pequenos neurónios acabaram por perceber e pararam. Em vez de o massacrarem com pensamentos confusos, passaram a dar-lhe dores de estômago. Mas aí já eu não podia intervir. Ele é nervoso todos os dias e anda sempre a correr; com certeza que não é um mísera dor de estômago que o vai parar.

O barco tinha atracado e ele, preparado para o violento frio da noite lisboeta, apanha o metro. Decide seguir o mesmo caminho que faz diariamente para a faculdade para se tentar acalmar. O engraçado é que ele nunca correu uma vez (coisa esquisita, dado que é o ele passa a vida a fazer).

Agora, e depois estação atrás de estação, o rapaz chega ao Campo Grande, uma estação que ele tão bem conhecia já de há muitos anos. Chegou-se ao pé da amiga e cumprimentou-a devidamente. Por mais incrível de pareça nunca tinha visto aquele ser humano a deliciar-se por uma amiga assim do nada; discretamente mandava os seus bitaites, enquanto o pequeno 767 não chegava. E ele começou a ter medo: perna à mostra, está frio... o que é que eu devo fazer? Tirar o casaco e pôr-lhe sobre as pernas? Ou não fazer nada?

Ele acabou por nada fazer e mesmo depois de mudarem de autocarro para o 22 (um número que muito lhe diz), chegaram ao restaurante que ele tinha previamente reservado para aquela ocasião. Aqui o Tico e o Teco ficaram confusos.... Queixavam-se que ele só jantava com pessoas normais e agora estava a jantar com a madrinha, com a amiga, e com.... eh, pois aqui está a parte complicada da coisa. Mas o que é certo é que eles voltaram a ficar quietos durante todo o jantar e o rapaz metia-se e divertia-se o mais que podia, mantendo sempre as regras que lhe tinham ensinado quando era pequeno. Batata frita após batata frita, pedaço de bife, após pedaço de bife, o prato ia ficando vazio e ele cada vez mais cheio. 

Vi vária peripécias durante aquele delicioso e divinal jantar, mas acho que ele não quer que eu as escreva aqui. São dele e dela e mais nada; de doutora para caloiro, de madrinha para afilhado, de amigo para amigo, apenas.

Após conversas e conversas e conversas, e mais conversas, ele percebeu que ela não era quem ele pensava; ele tinha a ideia de que ela era reservada, tímida, mal falava com os outros, não gostava de sair, etc. Mas não.... Para ele, ela era a gota de água para o copo ao qual ele chama miúda gira por dentro e por fora ficar completo e dar um tom diferente à solução que ele ali tem.

Já passando das 21h30, com o frio a apertar, saíram do restaurante e eu segui-os. Foram para o metro; Entre gesto daqui e dali, acabaram por ir às compras, sem comprar nada. Mas, mais uma vez, o que interessou foi a viagem de metro. Como de costume, não é? Se ele adora metros é normal que adore tais viagens. 

No cais, junto a entrada para o metro, pensar que só circulam 3 carruagens como antigamente ainda lhe soa estranho, mas é assim, ou poupamos ou fechamos.

Deixando o pequeno a parte, ele, junto à estação de Cabo Ruivo desvendou que ela era uma rapariga que ele gostava. Não conseguiu dizer-lhe: mais uma vez seguiu joguinhos de gato e rato e além do mais não sabia como é que as coisas iam correr. Pior não ficavam, pensava ele.

Acabando o trajeto de metro seguiram e giraram nas compras e ele, já um pouco cansado, dá de si e quando regressa para o metro dá sinais de sonolência. Eu nunca vi uma conversa tão rápida sobre gostar e amar ou simplesmente dizer com a cabeça sim ou não! Mas o que é certo é que deve ter tocado a ambos o que um disse ao outro. Mas na vida tudo é assim, o que é verdadeiro claro!

Deixando tudo para trás e depois de um abracinho contente e feliz, no meio daqueles túneis cinquentenários do metro, começou a pensar o tal rapaz. Por incrível que pareça, ele aí sabia que eu estava dentro do córtex cerebral dele e começou a falar diretamente comigo:

"Ela não é nada do que eu esperava. Apresenta os seus toques de queridez e como é óbvio não gosta de falar de muitas coisas. Devo-lhe um respeito enorme. Raparigas como ela já não se "fazem" hoje em dia. Quem não as aproveitar (não no sentido de possuir, mas como companhia e estabilidade emocional) não poderá ter uma vida feliz, pelo menos penso eu. O que é certo é que estava um pouco confuso em relação a ela, mas depois de tudo, em vez de ficar mais inóspito, não.... deixei de ter dúvidas! Depois de sofrer imenso tempo, acho que encontrei de novo a minha estabilidade emocional. 

Dado que jeitinho para as raparigas não tenho e segundo ela, jeitinho para os rapazes ela também não tem, concluo que a vida tem uma nuance que na qual não entra a Matemática: enquanto que menos com menos dá mais, sem jeito com sem jeito dá nada. Ou seja, chapéu! Pergunto-me porque é que Deus me continua a deixar a pensar nela desta maneira bela (tendo memórias do que ela é por fora e por dentro) depois de tudo? Dever-me ia deixar ficar a um canto, com calma e tranquilidade, começando a dar-me "luzes" para pôr este sentimento em arquivo ou então apoptá-lo! Não sei se quero. Mas respeitando-a, tenho de ficar no meu sítio. Ou não? Grrrr.... Apesar de não ter dúvidas agora quanto ao que sinto, tenho dúvidas quanto as ações! Bah!"

O rapaz disse aquilo tudo e eu depois não lhe respondi propositadamente, para ele pensar sozinho. Só há 2 pessoas que podem intervir neste assunto: ele e ela. Tudo o resto pode opinar e ajudar minimamente, mas a decisão é simples de explicar..... e tem de ser tomada pelo(s) próprio(s).

A viagem de regresso acabou num navio tão familiar para ele: no Miguel Torga, o apaixonado pela Terra.
Em honra a ele, e antes de eu ter mergulhado no poluído rio Tejo e começando a nadar até casa, para pensar no que devia, fica aqui um pequeno poema:
Vem.
Adormece encostada a este braço
Mais débil do que o teu.
Entrega-te despida
Nas mãos de um homem solitário
Que a maldição não deixa
Que possa nem sequer lutar por ti.
Vem,
Sem que eu te chame, ou te prometa a vida.
E sente que ninguém,
No descampado deste mundo, tem
A alma mais guardada e protegida

in Miguel Torga - Poesia Completa - Publicações Dom Quixote

Por fim, ele continua com dúvidas.... Não a que tinha, mas a que criou... E ele.... Afasta-se ou fica no mesmo sítio? Lembra-se do passado e segue o que aprendeu ou fica a pensar no que "não deve"?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Deus escreve direito por linhas tortas... (I)

Vagueava pelos velhos corredores do Hospital de Santa Maria. Olhava para cada.lado e via obras, paredes cheias de humidade e pessoas para lá e para cá. Estava onde normalmente as pessoas comuns não vão, junto ao local dos armazéns e dos elevadores que levam a comida e a roupa lavada para os utentes internados. Enfim, estava a olhar para as catacumbas de uma instituição completamente antiga e que precisa urgentemente de uma reformulação...

Acabo de lavar as mãos, depois de sair da casa de banho, fechando a porta com o cotovelo. (Com o vento que por ali passava nem era preciso tal gesto, mas sempre era mais educado.) Estava realmente perto de fazer o meu primeiro teste no Ensino Superior. Nas minhas costas escorria suor dos nervos, mas por fora, mantia a minha postura normal, de lábios cerrados, cara séria e de poucos amigos. Com pouca vontade atravessei o corredor da morte, cheio de cacifos amarelos e cinzentos de um lado e outro, e termino a minha oração, pedido a Deus que me ajudasse na resolução do teste que iria fazer seguintemente.

E de facto, após todas as burocracias do costume, mantendo-me separado dos colegas, como há 7 anos acontecia, o teste correu bem. Achei-o fácil e acessível. 20 não consigo, mas espero chegar perto do 15.
Saio da aula com um sorriso na cara, de satisfação, de entusiasmo, de alegria. Janto e ponho-me no metro para começar a longa viagem até casa. Uma hora e quarenta e cinco minutos esperar-me-ia até colocar a chave na fechadura da porta de casa.

As linhas tortas começam agora...
O metro aproxima-se da estação. De panamá para a chuva na cabeça e com o chapéu com a mesma finalidade no antebraço esquerdo, sigo em direção ao terminal dos barcos.

Zás! Pás! Toca a fugir de uma linha para a outra, porque o tempo entre metros é curto... E segui. Pareceu-me ver um vulto ao longe que eu conhecia. Acabei por não ligar e chegar à carruagem de metro da linha azul. Quando o metro quase estava para fechar, o vulto que tinha visto era uma colega minha. Que por mero acaso, conheci há três anos e era simpática; tento ao máximo segurar a porta do metro para ela e a amiga possam entrar no veículo. Fiquei contente por elas terem apanhado o metro. Mas...

O que me diziam sempre para não ser, é como elas estavam. A enaltecer-se pela realidade do curso onde estão: em Medicina.

Por vezes, parece que o passado não conta para nada!
Não obstante.... Para a frente é que é caminho.

Fiquei com toda esta situação na cabeça. Se formos a ver bem, Deus deu-me forças para o teste, mas fez-me perceber que nem sempre tudo pode correr bem e que existem necessários momentos de reflexão...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Pirâmide da Amizade

Estava ele junto ao mar, com boné escuro e com umas roupas esfarrapadas. O dia estava horrível: vento fortíssimo, chuva “certinha” e uma bela e valente trovoada audível a quilómetros de distância. Já toda a gente tinha saído da praia.

As pessoas começaram a desabelhar cedo, não só pelo tempo, mas também por causa do desporto que dava na televisão e, aliás, como se estava perto do fim do mês era necessário arrumar tudo para se voltar à mesma rotina do resto do ano (levanta, trabalho, come, trabalho, come, dorme)!

Não obstante, aquele rapaz continuava ali, já com uma toalha que estava embrulhada no seu corpo, que tinha sido dada por um turista que teve pena dele. E eu, da minha janela a vê-lo; no quentinho da minha casa, já de banho tomado e vestido a roupa “normal” de cidade a olhar para aquela pessoa, a única naquela vasta areia esbranquiçada.

Tinha de fazer algo! Não consegui manter-me a ver uma pessoa ao longe, que parecia ser da minha idade, ali, naquele pedaço de areia que piso todos os dias de férias, e fiz à estrada (como quem diz… Fui à praia). Ia com o pensamento de que pouco ou nada conseguiria fazer para levar aquele rapaz dali, mas quando cheguei perto dele, tudo mudou:

Ele não era um ele, mas sim uma rapariga;

Ele não era um desconhecido, mas sim uma amiga;

Ele não era um “tomba lobos”, era bem ricalhaça.

Sentei-me ao lado esquerdo dela e perguntei, como fazia sempre… Maria, que se passa? E ela responde:

- Tive uma ideia e precisava de olhar para o mar para pensar nela. Não consigo sair daqui. As lágrimas do silêncio são pesadas de mais para eu poder ter vontade de sair deste sítio bonito, mas que agora está carregado de cinza, com um mar revoltado e com uma areia que nem parece a habitual, por causa da chuva.

Eu abracei-a e fiquei quieto. Engoli o que ela disse em seco e dois ou três minutos depois perguntei-lhe qual era a brilhante ideia dela. “Sem fus nem fás” a rapariga contou-me o que tinha pensado: A pirâmide da amizade.

Entusiasmado como de costume, perguntei eu:

- O que é isso; Explica-me! Sabes bem como sou eu com novas ideias!

Ela mostrou-me ao lado um desenho igual àquele que está ao lado direito da página. E eu pus-me a imaginar todas as minhas relações de “amizade” e de amizade verdadeira que tinha.

O lugar mais baixo era o de “Amigos do Facebook”. Quando eu falei num tom mais alto ao ler “Amigos do Facebook”, Maria voltou-se e começou-me a explicar o porquê daquela pirâmide, e o que colocava em cada um dos espaços. E eu, interiormente, comecei a catalogar as pessoas:

- Nos amigos do Facebook estão todos aqueles que tu tens adicionado à tua conta no “Face”;

- Certo, digo eu.

- Já quanto aos “Amiguinhos” são aqueles que dão conta da tua existência de vez em quando, muito de vez em quando, mas já mostraram provas anteriormente que podiam vir a ser outro tipo de amigos (em síntese, são aqueles para os quais já fizeste e desdenhaste tudo e agora, nicles batatoides), exprimia ela;

- Não me digas isso, Maria. Essa etapa não, traz-me más recordações.

- Vá, vá [como já estivesse boa e as lágrimas tivessem parado], eu sei o que dizes, mas vamos continuar. Depois vêm os “Amigos Normais”: são aqueles que estão presentes de vez em quando, mais do que os “Amiguinhos”, mas tu nunca fizeste nada por eles ou pouquinho. É uma relação normal.

- Porque é que colocas os “Amigos Normais” à frente dos “Amiguinhos”? – perguntei eu.

- Porque quem olha para o outro lado da Lua e não para nós, não merece uma pontinha de um dedo. Mas digo-te já que tanto eu como tu vamos cair na esparrela e, em vez de uma pontinha, damos um dedo, ou aliás, a mão inteira! – respondeu ela.

- Continuando a nossa subida, depois temos os “Amigos Próximos”: são aqueles que estão sempre lá, mas que podiam estar mais; são aqueles que tu sentes que podiam dar mais de si!

- Hum, estou a ver! – exprimo eu.

- Em penúltimo lugar vêm os “Bons Amigos”. Tal como os amigos próximos eles… Podiam dar mais de si (tens de sentir isso!), mas… Vejamos! Uma pessoa faz tudo por ti e depois mantém-se a fazer, mas decai um pouco na relação como algo se tivesse acontecido.

- Interessante Maria, interessante. Nunca tinha pensado em nada disto!, respondi eu já com um pouco de frio. Eu coloco aqui os professores, eh eh!

- Por fim, e já no topo chegam os “Melhores Amigos” ou os “Ídolos”. Porque normalmente os “Melhores Amigos” são também aqueles que nós queremos imitar por vezes. Este são os nossos companheiros, mas que, como tudo e todos, podem passar a “Amiguinhos” do nada. Mas olha, eu própria me pergunto se existem “Melhores Amigos” se estes rapidamente podem descer de categoria.

- Desculpa lá, mas podemos ir embora? É que está frio. Vem para minha casa que tomamos um café e explicas-me o resto da pirâmide.

E assim foi, seguimos a correr em direção à escadaria e chegámos a minha casa. Com uma mesa corrida na sala de jantar, com um cafezinho para cada um em cima da mesa, ela explicou-me o que faltava da pirâmide: o triângulo que incluía todos os níveis que era o de nome “Família Presente”.

Depois de ela me explicar que a família presente é muito mais do que nossa amiga e que nós não conseguimos entender isso por vezes, e que, os “Amigos do Facebook” podem estar incluídos noutras categorias, abracei-a de novo e perguntei-lhe:

- Porque é que fizeste isto? Porque é que foste para a praia e ficaste lá com este tempo?

Ela respondeu: a vida, foi a vida que me obrigou a isto…

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Por obrigação ou por amor à camisola?

O dia tinha nascido sem quaisquer nuvens no céu, mas com o passar da manhã começaram-se a notar nuvens na nossa querida atmosfera terrestre que avizinhavam chuva. E nada mais certo aconteceu.

Pouco depois de almoçou começou a chover intensamente. Quem diria que de manhã o céu se apresentava azul e naquele momento estava nubladíssimo, carregadíssimo de moléculas de água para molhar imensos humanos que tinham saído de casa sem guarda chuva. Estavámos em pleno início de outono, ou seja, finais de setembro.

Nessa manhã tinha acordado radiantemente radiante, uma vez que iria estar com uma grande amiga que não via desde o fim das férias, a Margarida. Eu conheço a Margarida há 3 ou 4 anos, mas apenas nos víamos nas férias de verão, no Algarve.

Como de costume eu fico triste quando chove, apesar de continuar a fazer a minha vida normalmente. Apanhei o autocarro até à estação dos barcos onde ia buscar a menina "guidinha". Quando lá cheguei, àquele pedaço de metal já um pouco ferrugento e velho, com mais de 15 anos e com paragens de autocarro pintadas frequentemente para não mostrar ferrugem, para não falar no cheiro a lodo, uma vez que a maré estava vazia, corri para junto dela. Dei-lhe um abraço tão grande que quase a sufoquei. Mas aquele abraço era especial, continha saudade, muita saudade! Depois de falarmos um pouco sentados nos bancos que estavam molhados junto às bilheteiras dos barcos decidimos ir para Lisboa: jantávamos lá e acabava por ir ter com a minha mãe que mais tarde me traria para casa. Sem qualquer problema!

O meu passe estava a caducar. Tinha de o carregar. Pus-me na fila das máquinas de venda automática e quando chega à minha vez.... Ups! Como fui fazer o passe a outro operador, este dá-me para fazer o carregamento apenas como passe normal (sem desconto) nas máquinas!

Parei, respirei fundo, pedi à Margarida para esperar mais um pouco e olhei para o céu. Estava cada vez mais carregado, com relâmpagos ao fundo; ouvia-se trovões constantemente, uns ao longe, outros ao perto. 
A noite não se avizinhava nada boa para uma passeata na capital. Depois do passe carregado e de já termos validado a viagem, ficámos parados na sala de espera a ver os quadros maravilhosos que lá mostravam sobre a história dos barcos desde o seu nascimento até aos dias de hoje.

Cerca de 10 minutos depois, chegou o navio que nos levaria a Lisboa: carregado de pessoas para ir para casa, após um dia de trabalho cansativo e de várias viagens de transporte prolongadas e monótonas. Eis senão quanto vislumbro que uma das cordas que estavam a prender o navio estava-se a desfazer e o responsável pela atracagem do navio não se encontrava no cais. O mar estava também tempestuoso. Naquela "baía" que quase nenhumas ondas existiam, via-se onda atrás de onda como se fosse uma praia do sul do país.

De um momento para o outro, o rio agitou-se e o barco ainda a atracar partiu as batentes que eliminariam o encosto violento contra o cais de embarque. Do nada, naquele segundo quando consegui ver que as pessoas lá dentro estavam aflitas, dou um pontapé na porta esquerda que permitia o acesso ao cais e corro sem capucho para o batelão junto ao barco. A corda que segurava o navio ao cais estava por um fio! Sem luvas agarrei no resto da corda e tentei amarrar quando ouço um grito de dento do barco: Era Luísa, uma ex colega minha do Secundário. Enquanto ela gritava eu tentava a todo o custo segurar a dita corda. Estava a dar o meu máximo: a pouco e pouco o barco ia, de novo, se encostando ao cais para permitir as pessoas sairem com a máxima calma.

Pisco os olhos duas vezes, um código que significa olá em mim e a Luísa, que estava junto à porta do navio agora. Ao olhar para a direita vejo uma onda gigante a abater-se sobre o barco: dei um gito e larguei a corda, acenei com a mão para dizer adeus e imitei uma onda com as mãos em sinal de perigo, mas era tarde de mais.

Margarida na sala de espera do terminal deu também um grito e tentou seguir-me, mas as pessoas que ali estavam impediram-na. Num único momento, o perigo da onda, o perigo do barco bater contra o batelão e ferir Luísa e o medo de eu ficar sem vida não entravam cá dentro, na cabeça. Num segundo larguei a corda, o barco parte o batelão, eu dispo a camisola vermelha que vestia e salto para dentro do rio... A onda tinha-me comido e atirado para o teto do terminal; quanto ao barco, tinha ficado destruído e mais de metade das pessoas estavam mortas. Tinha-se salvado apenas Filipe dentro do barco e Margarida no terminal. Eu, seminu, tentei fazer sinal às autoridades para me salvarem dali e ao final de seis horas de completo desespero safei-me com uma fratura exposta na perna direita.

Depois da cirurgia que tive de fazer e que tinha deixado com uma cicatriz do joelho até ao calcanhar perguntei por Luísa e por Margarida. A primeira tinha morrido e a segunda tinha começado a namorar com Filipe. Mais tarde recebi a visita de ambos no quarto e chorei como nunca tinha chorado, com pena da morte e alegria da nova relação! Mas não tinha conseguido salvar Luísa...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ora mais um para o molhe....

Estava vageando por entre papéis virtuais quando descobri o seguinte texto. Assentou-me que nem uma luva. Vejamos então. O texto foi publicado com a devida autorização.

"Eram suricatas; Apareceram plantas

Faltava poucos dias para o final. A partir daquela data ficávamos livres como lindos e bonitos pássaros que habitam o planeta Terra. As promessas de oferta de uma população especial de suricatas (onde era possível comunicar com elas e saber que se passava com as mesmas) eram imensas.

Dia após dia, ficava quieto de manhã na cama a pensar quando viriam as minhas suricatas. Um dia tinham de me ser entregues, caso contrário significaria uma desilusão imensa por não existirem novas relações. Acabava todos os dias por viajar no meu imaginário: a adorar as suricatas, a pensar que, se fosse uma delas, possivelmente não teria de estar a ver semana após semana cortes e mais cortes orçamentais no país.

Chegou o momento em que eu pensava que as suricatas me iam ser entregues; já tinha tudo preparado: local para as pôr, tempo para as ouvir, sorriso para as acarinhar.

No entanto, naquele preciso momento, zás! Em vez de uma linda população de suricatas, ofereceram-me uma planta cheia de clorofila. Apesar de todos os constituintes da planta, eu não conseguia comunicar com ela. Apenas via o que se passava dentro daquele ser vivo. Aquelas trocas de fluidos existentes, que são lindas, é certo, mas que não deixam que exista comunicação. Nenhuma, enquanto não faltar alguém. Acho que nesse caso eu também me integrava na planata como se fosse uma hormona que só não é inibida quando existe falta de outro componente (o tal outro que iria fazer com que eu recebesse as minhas queridas suricatas).

O que sei é que acabei por ficar um pouco desiludido. Não tenho suricatas e não consigo falar com a querida plantinha que me deram. Ai... Ao menos posso ter um quarto mais oxigenado durante o dia, mas até parece que o efeito nem é esse.

Só eu, só eu..."

Acho que tenho de acrescentar quem é o autor do texto. No entanto e por vergonha da mesma pessoa, apenas posso dizer: S.B.

Fiquei a pensar nisto. Como a realidade de um texto que nada parece ter a ver com a adolescência acabou por dizer muito acerca dos comportamentos de amizade entre adolescentes... É só pensar e descobrir palavras com duplo sentido. Adorei!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Tiro ao alvo ou sonho acertado?

Terminaram a fase de exames nacionais. Agora para todos aqueles que se querem candidatar ao Ensino Superior resta esperar por dia 9 para conferir os resultados dos exames da 2.ª fase e por fim, concorrer à 1.ª fase de acesso.


As vagas que existem, apesar do alarido dos média, são poucas, muito poucas, para o número de alunos que proveem do Ensino Secundário.


Deixo aqui a minha mensagem de apoio a todos aqueles que pretendam entrar este ano letivo que começa em setembro no Ensino Superior:

Por vezes acordamos a pensar que queremos seguir isto ou aquilo. Outros dias pensamos no caso e dizemos: não! Já não quero este curso. Quero aquilo.


Andamos assim praticamente até ao último dia em que nos é permitido alterar a nossa candidatura. Será que fizemos a decisão certa?


Para muitos, o curso que colocaram na candidatura é nada mais do que seguir um sonho que têm. Para outros, é tentar seguir um sonho, mas aliado a isso, ainda acrescentam a vontade de conhecer, de descobrir, de aprender coisas novas. E ainda há outros que põem ao calhas cursos no final do 12.º ano de escolaridade.


Nenhum curso é independente. Todos eles estão interligados com outros na mesma área. Existe um grande leque de opções que permite, mais tarde, ao aluno mudar de curso e obter equivalências.


Não vale a pena ficarem tristes por não terem nota suficiente para o curso a, se podem entrar no curso b e depois verem o que podem fazer lá dentro, já no Ensino Superior.


Como o velho ditado diz: “As tristezas não pagam dívidas”. E de facto é verdade. Pesquisem, explorem, vejam. Diversifiquem o vosso conhecimento acerca das possibilidades de curso e SONHEM!


quarta-feira, 27 de julho de 2011

A vida e as amizades

Todos nós, independentemente da nossa idade, pensamos que quando alguém deixa de nos falar como falava, ou muda a atitude para connosco, algo está mal. Assumo, porque eu também penso assim na maioria das vezes. Mas adotei há pouco tempo uma maneira de pensar que se calhar é útil para todos aqueles que pensam que se passa algo.


Nós, homo sapiens, vamos criando relações de companheirismo e amizade ao longo da vida. Quem não se recorda, nem que seja um pequeno pedaço, do colega x ou do colega y do 1.º Ciclo ou então dos “amigos” pré-escolar ou melhor ainda, da pessoa com quem teve a primeira relação de namoro?


Como a racionalidade é incrível acabamos por dar conta que a resposta à questão anterior nunca pode ser verdadeira para todos os humanos que existem no nosso planeta, mas podemos generalizar tal pergunta e resposta retórica para a sua maioria.


Pensando então agora no seguinte: eu conheci a pessoa A e estive com ela 3 ou 4 anos. Tivemos altos e baixos, mas a força da nossa amizade superou tudo. E do nada, puff… Acabou, deixou de haver interesse em falar com a pessoa ou então, passou a ser alguém indiferente para nós, mas entretanto conheci a pessoa B.


A vida lança-nos um grande desafio: o da aprendizagem. Como já digo há muito, desde que nascemos até à nossa morte aprendemos com todas as pessoas que passam pela nossa vida.


Eu acredito que como seres sociais temos um objetivo que, em muito dos casos, é desconhecido e raramente damos como cumprido, quando nos relacionamos com uma pessoa.


É do género de uma reação enzimática, obrigatória ou não: estreitamos os laços de amizade com a pessoa, cumprimos o nosso objetivo e depois, ou a pessoa, ou nós, diz-nos Obrigado e que está sempre disponível para nós; ou seja, nós ajudamos a pessoa em questão a decidir em determinado caso sobre determinado assunto sobre uma qualquer situação.


Com tudo isto é preciso também ter em conta que temos de saber dizer “chega” e “basta” quando está no momento oportuno. O mais complicado é descobrir esse momento. Muitas das vezes não sabemos quando é o tal momento oportuno.


A experiência própria acaba por transmitir às relações futuras, uma chave para se definir o objetivo da relação e para percebermos o momento “basta” na mesma.


Falando por mim, já tive uma relação para ajudar uma pessoa a crescer e perceber o curso que tal pessoa queria para a Universidade, já tive outra que culminou com a junção de duas pessoas e outra que serviu para ajudar colegas para o Exame Nacional.


Em conclusão, não podemos deixar de seguir o rumo que nos é destinado. Apenas temos de usufruir o que nos é dito e darmos à manivela, ou melhor, à chave, para que a nossa vida corra sobre rodas.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

O atraso dos nossos aeroportos! E o povo até ajuda!

Vejamos então agora este espetacular caso!

Um passageiro português chega a um dos aeroportos batidos do continente e passa o tempo a ouvir: "Senhores passageiros para o voo nhaca nhaca com destino a Algures no Mundo devem dirigir-se à porta de embarque qualquer coisa". E além de ouvirmos esta "grande" informação em português, ainda temos de "sofrer", ouvindo a mesma cantilena na língua de origem da companhia aérea ou então em Inglês (apesar de nem ser tão horrível neste caso).

Transportando agora a mesma situação para Espanha ou Itália temos o invés. Em Espanha ouve-se que não se anunciam as partidas pela "megafónia" deste terminal e em Itália nem isso se ouve - chamando a atenção das pessoas para os painéis informativos que, só por acaso, tal como nos nossos aeroportos, são tão comuns que até irritam!

Analisando agora esta segunda situação:

Em Portugal temos inúmeros balcões abertos para o check-in para o mesmo voo. Claro que em alguns aeroportos do estrangeiro (acredito eu que em mais de 95%), o número de balcões disponíveis seja muito mais reduzido. Mas o povo é tão unido (só quando não lhe dá jeito ser diferente dos outros) que quando, apenas e só, existem 3 balcões para entrega de bagagem, que se concentra todo no balcão do meio! No do meio!!!! E mais uma vez, ao contrário do que acontece com o nosso querido país, os assistentes não avisam as pessoas para se dirigirem para aqui ou para ali.

Mas ainda o mais cómico é que quando alguém repara nessa situação e fala um pouco, um pouquinho de nada mais alto, ainda leva por cima.

Não é bonito???? Acho que apenas estamos a mostrar lá fora preocupação pelos outros e não pelos nossos.

O Errado "Culto da Sexta-feira"

Todos nós pensamos que sexta-feira é o último dia de trabalho da semana, mas estamos todos redondamente enganados. Nos fins de semanas, não só os estudantes, mas todas as pessoas em geral, trabalham muito mais do que míseras 8 horas diárias (míseras ao tom da senhora alemã que falou recentemente para os Portugueses).

Se formos a ver, apesar de 98% da população se levantar mais tarde, não temos casa para limpar, matérias para estudar, ou então trabalho no PC para executar, ou ainda, elaborar um complexo trabalho que, por falta de tempo, durante a semana não se conseguiu fazer?

Então podemos concluir algo... A alegria da sexta-feira resume-se à tristeza do domingo à noite, no entanto, a palavra sábado remete-nos para um sentido muito reto no nosso cérebro! Sábado = descanso que, como pudemos ver, não é bem assim.

O ser humano é algo fantástico no que respeita a deduções e induções mentais, mas vejamos... A semana tem sete dias e não 5! O homo sapiens, nós próprios, trabalhamos nos 7 dias da semana. Por isso, o "culto da sexta-feira" apenas quer dizer que estamos fartos dos nossos superiores dos nossos colegas e ainda do nosso local de trabalho!

Não vale a pena minimamente estarmos a esconder o nosso grande desejo: ter dinheiro, saúde e sermos livres. Poucas pessoas têm prazer a trabalhar (infelizmente).

Porque não pensamos assim: segunda-feira é bom: já limpei a casa, tenho tudo feitinho e vou tentar mudar a minha atitude para com os meus colegas/superiores? Se calhar poderei obter melhores resultados...

Back no. 1

Caros Leitores,

Há muito que não passava por cá, é verdade. Dupé tem estado imensamente ocupado com a escola e com outros seus afazeres! Vejamos então no que este regresso dá!

sábado, 7 de maio de 2011

Trabalho n.º Lx, Encontro n.º R

Mais cedo não podia ser. Eu apenas entrava ao trabalho quando a noite se começava a pôr, quando o Sol já estava a passar os seus lindos e brilhantes raios para o outro hemisfério terrestre.

Sempre às sextas-feiras, quando descia do barco das 19h00, corria que nem um desalmado para poder apanhar um autocarro até ao meu trabalho. É certo que a distância era pouca, mas com o mundo que aí se vê a minha opção era manter a minha segurança. Por mais um dia iria estar a olhar o rio depois de trabalhar, era o que fazia todas as noites de sexta-feira, após a meia-noite: subia até ao último piso do edifício e olhava para aquele belo elemento natural. Cada semana o movimento do rio era diferente e isso deixava-me muito mais entusiasmado: a mudança do natural.

Sentei-me na secretária, abri o portátil que levava comigo, liguei o cabo de rede e pronto, pus-me a engendrar planos para combater a crise e poupar recursos das empresas institucionais de transportes do estado. Era chato como tudo. Tinha de estar a pensar em todas as circulações diárias de todos os modos de transporte, mas só aquele pensamento dava-me um gozo bestial.

Centra-me naquele dia na empresa dos autocarros em Lisboa. Era o meu primeiro desafio rodoviário: não tinha muitas bases. Estava ali por ter uma carta de recomendação e pedir um salário não muito elevado. Tentava sempre seguir o instinto, analisar os dados e prever que em determinada hora de determinado dia poderia perder passageiros se tirasse este ou aquele autocarro e podia ganhar se prolongasse a carreira x ao lugar y, substituindo a z, economizando m litros de gasóleo ou gás natural.

Às 23h já me doia a cabeça de tanto pensar em tantas carreiras que existiam e ali não podia mexer em todas as carreiras (já existiam quase 110 anos de transporte público em Lisboa). Não conseguia mais. Tive de parar. Entretanto entra de rompante pela sala a dentro uma rapariga, dizendo que tinha sido minha colega de escola no Secundário. (Eu cá pensei: Credo, nem aqui?!) Ela falou e acabei por convidá-la por subir ao terraço comigo. Trouxemos umas bebidas quentes e um pãozinho para nos satisfazer a fome e passámos mais do que hora e meia à conversa,  matando as saudades que existiam.

A minha memória continuava a atraiçoar-me. Eu não conseguia de maneira nenhuma lembrar-me de quem era aquela mulher! Pensava, pensava, pensava e acabei por não concluir nada. Pedi para ela me acompanhar à saída, porque tinha acabado o meu turno (e já eram para lá da uma e meia da madrugada). Quando chegámos à saída é que me lembrei: "não eras tu que tinhas alguém que por sua vez tinha no blog o tema do metro?" Ela baixou a cabeça e respondeu que sim. E eu, continuando educado como sempre, tentei reconfortá-la.

- "Corre, corre! Vamos perder o barco!!"
- "Eu não vou", respondeu ela.
- "Vem aqui ter amanhã à mesma hora, acho que precisas de me contar o que se passou", disse eu.

As conversas nunca se finalizam num único encontro. Muitas vezes, elas são intemporais. As pessoas é que têm de ver como abordar as outras de forma correta, a fim de continuar o que ficou inacabado, especialmente quando além de uma relação profissional, se tem uma relação pessoal.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Para o Luís e para a João

Corriam lá fora os meses frios de inverno e eu, como de costume, sentado ao computador, lembrei-me de ir meter conversa com o Luís. Bem, quem diria que de uma simples conversa se teria desenvolvido o que se desenvolveu. Nós já tínhamos sido colegas há uns tempos e ele sempre me tinha marcado por ser uma pessoa dedicada aos outros, amiga das outras pessoas e inteligente. Mas o curso de Inglês tinha acabado e pronto, ponto final parágrafo (pensei eu).

No entanto, nada foi assim. E neste último inverno, voltando ao passado recente, reparei que ele não me parecia bem, coisa que tentava ver através da escrita dele. No entanto, não me enganei. Ele andava aos altos e baixos e o que eu podia fazer ela fazer percebê-lo que havia solução para tudo e para todos os males. E assim foi, ele arrebitou até perceber que estava perdidamente apaixonado por uma rapariga. O Luís caracterizava-a como sendo atenciosa, dedicada, carinhosa e simpática, mas acabava sempre por ter ou receio da resposta dela, ou então, faltava-lhe a coragem. Acho que lhe chateei tanto a cabeça que o pobre do rapaz decidiu ir ter com ela e dizer-lhe as coisas todas. E aí começou o que eu chamei de "algo que eu já conhecia de antemão".

E sim, todos aqueles vais e vens, altos e baixos habituais depois da resposta da João tinham sido completamente normais - como tinha dito ao Luís, no entanto, nunca lhe confessei uma coisa muito importante: se ele perder esta etapa e ficar muito tempo em baixo nada feito - sem força de vontade, nada se consegue.

O tempo foi passando até ao ponto de achar que podia fazer algo por eles. (Finalmente alguma intervenção que não desastrosa!). E conheci a João. O Luís tinha razão em relação ao que dizia e acabei por aplicar neles o que tinha aprendido na escola e na escola da vida. A Psicologia dá muito jeito especialmente para estes casos!

A João estava confusa e eu pouco ou nada podia fazer: mal a conhecia e não podia fazer nada sem ter a mínima consciência de que o objetivo final era eles ficarem juntos. Consegui apanhar algo que me interessou bastante: Frases controversas!

E por aí peguei, armando-me em Psicólogo, tentei levar a bom porto a João, fazendo sempre o esforço de manter o Luís naquela de "não desistas, vá lá, só mais um bocadinho...". Após alguns dias consegui! Não fazia mais sentido aqueles dois estarem tão empolgados um com o outro e não desenvolverem nada entre eles: já pareciam dois parvinhos que não olhavam um para o outro, mas que se amavam perdidamente!

Fazia-me sentido na cabeça e ao que parece na daqueles dois também a utilização das férias da Páscoa para solucionarem a questão que perdurava. E assim foi, aqueles dois ficaram felizes. Ele, já sem medo das novidades. Agora o que ele deseja é partir à descoberta do mundo novo que lhe apareceu à frente. E ela a viver na felicidade, sem medos à mostra, apenas com um único receio - não querer minimamente fazê-lo triste.

Como já disse terminei a minha intervenção convosco e não me interponho mais, a não ser que me peçam vocês! Foram tempos importantes aqueles que passei com o Luís e com a João, mas, para não cair em saco roto, temos todos de ter a perfeita consciência do fim. E ele, aqui está!

Sejam felizes, porque o merecem...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

No meio dos campos do Além tejo

Marco saía todos os dias de manhã, com todas as cores na paleta que ele mais gostava: quadrada, enorme, onde conseguia juntar cores até dizer basta. Aquele rapaz pegava na trouxa e caminhava sem rumo até a um ponto qualquer, marcando sempre o chão barrento, de 500 em 500 metros, com um pouco de tinta preta, que ele comprava para esse efeito.
Aqueles campos alentejanos mostravam o esplendor. E Marco, rapaz pintor, cobria todas as suas telas vazias com paisagens verdejantes na primavera, mais amareladas no verão, acastanhadas no outono e imaginava a neve no inverno. Coisa que ele nunca tinha visto.
Em casa dele, um pequeno casebre sem luz elétrica e sem água canalizada, expunha numa parede todos os quadros e parecendo ou não coincidência, todos eles mostravam ser a continuação dos anteriores.
Ele à tarde, deixava uma segunda marca no local onde estava a pintar e regressava de novo ao casebre, para ir guardar o gado, seguia em direção ao norte todas as 3.ªs e 5.ªs feiras e em direção a este, a Espanha, durante os outros dias. Caminhava em conjunto com o gado por estradas alcatroadas, mas com pouco tráfego automóvel. Os sinos das ovelhas tilintavam constantemente e Marco adorava ouvir aquele som. As ovelhas eram o ganha pão dele: quando as conseguia vender, conseguia dinheiro para comprar novas tintas para pintar e por sua vez, duas vezes por ano acabava por tentar vender aquilo que ele pintava.
Certo dia, a maioria das suas ovelhas foram atropeladas na estradas alcatroada em direção a Espanha, enquanto o rapaz pintor estava a urinar atrás de uma árvore. Ele tinha deixado de as ver durante um minuto e durante tal tempo zás! Apenas tinham restado 2 ovelhas.
Marco saiu daquele local rapidamente, fugindo. Ele não conseguia olhar para tanto sangue que ali existia e quando chegou a casa, com as duas ovelhas já com ar de mais mortas do que com vontade de viver, pediu aos céus para iluminarem o seu caminho daí em diante.
Sem ovelhas o pintor não poderia expor no inverno os seus quadros e as paisagens que ele pintou a partir desse momento eram frias, com as tintas mais baratas: na loja onde ele comprava as tintas, o preto e o branco tinham o mesmo preto, eram as cores mais baratas; depois seguiam-se as cores mais frias e por fim, as mais caras eram as cores quentes.
Com o pé de meia que Marco tinha apenas conseguia comprar cores frias e muito de vez em quando. Pouco tempo depois da morte das ovelhas, as paisagens dos quadros dele tornaram-se frias, com o céu cinzento, prados azuis, searas brancas. Não existia a realidade naquela cabeça. Ele tinha distorcido por completo a impressão do que via, imaginando o seu mundo, onde ele era o culpado pela morte das ovelhas.
Não existiram com prazer, exposições de quadros junto ao Natal, não houve muito mais dinheiro para as cores quentes e Marco entrou num mundo completamente dele, tomando conta das duas ovelhas junto dele, seguindo agora sempre o mesmo caminho para pintar todos os dias.
Com vontade de mudar, mas sem posses, o pequeno pintor sucumbiu ao que tinha para poder viver, mais ou menos feliz, o resto da sua vida.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TPC de Matemática

Sempre gostei de Matemática desde pequeno. Brincava com os número e aprendi a contar cedo. Contas, números ordinais, números cardinais, numa 1.ª fase. Depois os números romanos e as tabuadas, os fracionários, os negativos. Por fim já aparecem números com vírgulas e raízes e ainda incógnitas e agora números imaginários.

A Matemática apresenta inúmeros trabalhos de casa desde cedo até ao final do 12.º ano, pelo menos… Mas o facto de um trabalho de casa poder mudar o rumo de uma vida é algo que é muito raro acontecer, mas deu-se.

Naquele domingo de início de ano letivo, eu não me lembrava do trabalho de casa de matemática acerca dos volumes: parte que sempre gostei e adorei.

Eu peguei no pequeno conhecimento que tinha dos meus novos colegas e perguntei o que era o TPC. Se eu não o tivesse feito tinha tido uma vida diferente. Será que era mais feliz? Ou mais triste? Será que me tinha conseguido tornar um pouco mais independente do que sou? Será que tinha crescido como cresci?

Há alturas do dia em que não me arrependo tremendamente de tal pergunta que fiz há quase três anos. No entanto, há outras alturas em que pensar na origem de “tudo” mostra-me o que eu não deveria ter feito.

Se calhar fiz uma má escolha, ou então fiz bem porque acabei por aprender…

sábado, 26 de março de 2011

As noites não são sempre calmas, (in)felizmente

Pairava já há uns dia sobre o meu novo espaço de trabalho. Tinha acabado de aceitar uma nova oferta de trabalho. Além de ser Presidente da Câmara Municipal da minha cidade, ainda era responsável pela gestão de um Centro Hospitalar.

Tempo para mim não havia. As refeições ou eram tomadas no hospital ou na Câmara Municipal. E fazia sempre o trajeto de autocarro, tanto de casa para um dos trabalhos, como entre eles. Não tinha a mínima vontade de andar a poluir o meio ambiente que tanto tinha ouvido na escola para preservar. Sempre que me lembro disso vem-me à memória todos os professores de Ciências, a falar da preservação dos ecossistemas ou do aquecimento global - de facto é algo que o homem não considerou quando começou a revolucionar a indústria e que é drasticamente importante, mas... é abusiva a forma de tratamento nos diversos anos de ensino.

Lembro-me da rotina daquela quarta-feira. Todinha... Como de costume, levantei-me às 7h13 para higienizar-me e antes das 7h30 estar a tomar o pequeno-almoço, para até às 7h47 estar na paragem a fim de apanhar o autocarro que me levava ao hospital onde eu fazia questão de entrar até às 8h15 todos os dias. Após o trabalho naquele enorme complexo de saúde e dado que na véspera tinha tido uma alteração de rotineira devido a uma reunião na Câmara de manhã, dizem-me para ir à Igreja do centro da cidade. Espantado com o que me tinham dito, anui ao pedido e aventurei-me pelos transportes até ao centro. E quando lá cheguei as lágrimas começaram-me a cair. A pessoa com quem eu barafustava quando era adolescente, bem como fartava-me de dar conselhos estava ali, dentro do caixão castanho que contrastava com a branquidão das paredes. Eu ao entrar, com uma calmaria não habitual, fiz ranger a porta de madeira que ali se opunha à minha entrada.

Era tão nova a última vez que a tinha visto. Tinha-se acabado de graduar. E agora está ali à minha frente inanimada, com o coração parado, com as ideias em standby definitivo. Peguei em mim e nas minhas forças e saí daquele espaço. Não a conseguia ver morta. Nunca! Ela não merecia aquilo, ainda por cima tão nova ainda. Atrevi-me a perguntar ao rapaz que estava a fumar à porta o que se tinha passado, até que percebo que ele também tinha sido meu colega de escola. Tínhamos andado os três no secundários juntos e ele era o marido dela. As únicas palavras que o meu ex-colega me disse foi acidente de carro. Cá, fora, longe da presença dela derramo as minhas lágrimas a torto e a direito. Depois disso, mas ainda com a tristeza presente na face reentro na igreja e aperto pela última vez a mão esquerda dela. Já estava fria. E ela sempre era quente, alegre e bem disposta.

Não aguentei de novo. Saí de lá e cheguei à Câmara. Encharquei-me em comprimidos para me dar sono e deixei-me dormir na minha secretária. Aquele dia já me tinha dado demasiadas emoções. Vê-la ali, e ao marido a fumar à porta foi demais para mim.

Não conseguia olhar, retrai-me depois quando acordei e deixei-m escorregar pela porta do gabinete a baixo. O que eu perdi!, exclamei. Fechando também os olhos de seguida, para tentar esquecer o que se tinha passado naquele dia, a minha cara conseguiu voltar ao que era, mas a dor, cá dentro permaneceu a mesma desde aquele minúsculo dia que demorou imenso a passar. Já era noite...

quarta-feira, 23 de março de 2011

O destino não será tramado? Lá no fundo ainda nos ajuda....!

Acabo por ser muito supersticioso. E tudo o que gira à minha volta acaba por me indicar o caminho mais correto para a minha vida. Vejamos este exemplo. É pena, mas bateu tudo completamente certo. Infelizmente a vida torna-nos atentos a estes sinais:

- Achar uma pessoa completamente bonita e no dia seguinte feia como tudo. Já viram, como podemos mudar de opinião? Já parece os pressagos que por vezes existem nas obras literárias que nos fartamos de analisar em Português/Língua Portuguesa.

- Males feitos e males entendidos, bem como personalidades bem contrárias. Mais um santo exemplo da minha burrice. Porque é que eu andei feito tontinho a tentar remediar as coisas por três vezes? Uma devia ter bastado...

- Rapazes.... e Raparigas. Se os horizontes se abriram para outros lados, porque é que a minha santa mente ficou empatada ali naquele momento?

- Telemóveis. Sonhos tidos.... Sonhos concretizados. O verão corria no seu auge e eu andava a deambular no meio dos transportes da minha cidade. Porque é que não dei por terminado (ou melhor quase terminado) a situação, e não, acabei por tentar adaptar-me à situação e olha.... colhes aquilo que semeias.

- Crescimento e Escrita. São parceiros lado a lado. Quando um acontece, a outra muda e torna-se mais firme e muito mais evoluída e com mais sentido Eu percebi a mudança, mas mantiver-me no meu cantinho e ignorei-a.

Hum... acho que eu ao mesmo tempo quero contrariar o destino e não o contrariar. O que eu faço? Tento ter um misto entre ambos os feelings e viver. Acho que é o mais correto. Mas como tudo por vezes custa e faz-nos cair na tristeza. Por outro lado, faz-nos sorrir e ficar contentes.

terça-feira, 22 de março de 2011

Da minha janela eu vejo... #6

Aquele dia está soalheiro. Andava eu atarefado de um lado para o outro como de costume, até que cheguei ao meu amarelo gabinete, com uma faixa verde ao meio da parede e enchi os pulmões de ar - parecia que tinham lavado tal sala luminosa. E de facto tinha acontecido.

Deixo as minhas coisas em cima da mesa e sigo para a porta em frente, falando assim com a chefe dos funcionários, perguntando quem é que tinha limpado o meu gabinete (dado que normalmente sou eu que o limpo!). A funcionária responde que tinha sido um aluno de 12.º ano. Ele estava tão, mas tão triste que acabou por lhe pedir para fazer alguma coisa. Eu, com o meu estado espírito de esponja absorvente, fiquei a pensar e tive de encontrar o aluno!

Assim o fiz. Nesse mesmo dia acabei por conseguir falar com ele e, ao mostrar um ar tão carregado, convidei-o para tomar um café no meu gabinete - o dia já estava no fim, as luzes da rua já estavam acesas e o frio aí vinha.

Ele começou por derramar umas pequenas lágrimas sobre a mesa preta. Dizia, ensoluçado que tinha perdido confiança nele próprio, porque não conseguiu cumprir o que a amiga lhe tinha pedido e ele tinha prometido. Ouvi-o por mais de 10 minutos e acabei por intervir:

- Sabes, não fiques assim. De certeza que ela não fica amargurada por tu não teres resolvido um mistério médico. A amizade é mais do que isso. E até é muito mais do que ir daqui à Lua e voltar.

Ele não se convenceu, porque dava extrema importância à tal rapariga (e, cá para mim.... ele é obcecado por ela) e disse que devia ter posto os medo de lado e enfrentado quem conseguia para saber o que tinha de saber! Eu sorri, mas fiquei triste interiormente. Eu próprio naquela situação não saberia reagir.

O rapaz acabou por beber o café e sair da sala, pedindo um lenço para limpar as salgadas e transparentes lágrimas que derramava constantemente daqueles dois lindos olhos castanhos. Ao sair agradeceu-me o bem que lhe tinha feito falar e pediu-me para eu pedir desculpa à tal rapariga por ele não conseguir ter atingido o objetivo que se tinha proposto.

Para mim, o pobre rapaz não queria desiludir em nada a amiga, mas não conseguiu, porque na nossa sociedade acabamos por encontrar regras e muros dentro de labirintos infinitos.

Já não o via, mas saí a correr da minha sala e dirigi-me a correr para a porta chamando-o. Ele estava ao longe, no fim da outra rua. Quando ele olhou para trás desapareceu. Tinha dado um tropeção na calçada e tinha caído. Por azar do mesmo estava um carro a passar na mesma altura. Ficou ali o pobre rapaz. E eu, a única coisa que podia fazer era chamar o 112! Acabei por chorar o que ele tinha chorado por tudo o que se tinha passado naquele dia. Os meus olhos, as minhas janelas naquele dia, estavam tristes também.

sábado, 19 de março de 2011

Parede com sentido...

Pinto a parede com lápis de carvão. O que antes era a minha parede branca, de lado, onde a cama estava estava encostada, agora está rasurada com ideias e bonecos mal feitos a carvão. A cor não vem e as tonalidades da grafite acumulam-se naquela parede que era tão perfeita.

Como é que algo deixou de ser perfeito para se tornar imperfeito? É como que um retrocesso, quando a parede esteve a ser construída pela primeira vez com cimento e tijolo.

Hoje chateei-me com os desenhos que tinha feito a lápis na parede e peguei num balde verde, redondo cheio de água e esfreguei a parede. Não queria retrocessos. Não queria sentir a força de algo que quer estar limpo, brilhante e na calma contra mim, (sim, porque eu estava a estragar uma bonita parede branca). A única coisa que lhe posso fazer é dar-lhe cor, mas, como disse, elas não chegam.


Silêncio.... Toque do WLM. Parece que mais alguém precisa de uma informação importante.

O que eu fiz? Escrevi num post-it que a minha parede que era branca não pode deixar de o ser e inferiorizar-se e tenho de conseguir as cores de forma rápida e segura.

PS: As próprias paredes têm vida, sentem o que nós sentimos.