sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mais uma tarde maravilhosa (XLV) - Uma nova vida em Londres

A pedido de Carlos, o médico colocou por debaixo da caixinha do textos um deles. Quando Roberta regressou Carlos pediu-lhe para ler em voz alta. O título era: Mais uma tarde maravilhosa.

Comecei o dia com dores de cabeça e com um nó no estômago. Tive uma manhã atribulada e super ocupada, aviar medicamentos, fazer o teste do colesterol. Acabei transpirado, quando cheguei a casa, já esgotado e ainda com mais dores de cabeça. Disseste-me para ficar em casa, mas apresar de tudo não aceitei. Queria ver-te e não aguentava mais as saudades que tinha de ti. Queria entregar-te o que era para ti hoje. Fui almoçar a tal canjinha com gelatina. Por sorte encontrei uma colega que me deu ibuprofeno. Era algo desconhecido para o meu corpo. Apenas tinha tomado paracentamol... Era ali a derradeira altura para uma reacção alérgica. Por sorte, não aconteceu.
Depois, pensava que ainda estavas na saída desde manhã e mandei-te uma SMS à qual não respondeste. Eu tinha ido para a minha escola de línguas, e de repente reparo que tinhas mandado uma SMS a dizer que nos encontrávamos junto ao centro comercial ao pé da tua rua. Respondo de forma afirmativa e continuo as minhas lições.
O tempo ia passando e eu olhava para o relógio. Na última vez, quando tinha acabado a primeira de três lições daquela unidade, olho para o relógio do 'speaking centre' e vejo que ainda eram 15 horas. Não liguei aos minutos. Saí de lá pensando que ainda tinha tempo para ir ao fórum comprar uma garrafa de água. Pus uma camada de bâton do cieiro e, depois segui para ir ter contigo ao sítio combinado. Antes de fazer a esquina do banco, vi-te ao longe. Passo a estrada e ao fazer a esquina de novo, mas do outro lado do passeio, deparo-me com alguém a chamar-me. Pensei que fosses tu, alguém me chamou, ou pelo menos pensei isso. Não estava à espera de te encontrar tão cedo, mas vieste sem óculos de Sol. Parecia que adivinhavas que apesar de te ficarem bem, gosto de te ver a cara toda sem óculos.
Girei em 180º em direcção de novo ao fórum. A primeira coisa que faço é ver se és mais alta que eu, da mesma altura ou mais baixa. Não chego a nenhuma conclusão e na minha cabeça, com os batimentos cardíacos mais acelerados começam a colocar-se questões: Será que ela vais gostar da prenda? Será que ela vai gostar da saída? Será que ela já não está ofendida comigo? E se encontrarmos alguém? Como vai ser? Será que lhe vou ler o texto?.
Passamos o fórum por dentro e sentámo-nos no acimentado que existe ao pé da farmácia. Pergunto-te qual é a prenda que queres primeiro: a cinzenta ou a castanha. Depois de responderes que era indiferente, dizes que queres a de Lisboa, ou seja a cinzenta. Entrego-ta e quando abres reparo que estava trocada. Não devia ter dito, mas foi instantâneo na minha cabeça. Saiu-me aquilo.
Depois vem a prenda castanha. Aí ainda tive mais receio se ias gostar. De repente começas a adivinhar tudo o que havia para adivinhar e, vem a parte dos textos. Aquele que eu te queria ler, mas como estava Sol, acudi ao teu pedido e disseste-me que o lerias em casa. Espero que quando o leres, sorrias como eu sorri quando estive contigo.
Saímos daquele sítio e começamos a passear pelo fórum. Vamos a várias lojas e antes de entrarmos numa mexo-te no cabelo e faço-te cócegas. De seguida, digo que estava com saudades tuas. Era para te pedir um abraço nesta altura mas engoli o pedido e ouvi a tua resposta. Tu respondeste, com uma pequeno espaço de tempo para pensar, que eras como mel. Eu respondo que não era uma abelha, mas sim uma vespa. Se calhar arrependo-me, mas nos próximos dias de certeza que pensarei melhor no que disse. Corrigiste-me de forma tão rápida e eu era um zângão e não uma vespa.
Entrámos numa loja de roupa, onde tinhas comprado algo que eu tinha de adivinhar. Não foi à primeira, mas digo-te que o que compraste deve ficar estupendamente bem! Mas eu não me deixei ficar e coloquei-te o mesmo desafio depois. Descemos e depois de vermos as minhas colegas do ensino básico, entramos numa das lojas e desafiei-te a adivinhar a peça que lá tinha comprado e que levava vestida na altura. Perguntaste-te os tipos! Eu não respondi. À primeira chegaste lá, sem te dizer nada. Sim, tu viste o ano passado quando te dei a outra prenda e não, se fosse o outro tipo, não me importava nada de mostrar. Porque eras tu!
Saímos de lá e fomos à livraria. Depois de te lembrares do aniversário da tua mãe, e ainda juntos, comecei a recordar o momento em que te dei as duas prendas e que me disseste que não me trazias nada. Eu digo-te agora que dá-me um sorriso enorme e dias após dias de boas conversas que me fazem feliz. É a melhor prenda que me podes dar. Além disso, e a olhar, de forma discreta para o relógio pensei como estavas igual na cara, com tudo como eu te tinha visto em Julho antes de irmos de férias.
Falei-te de um livro acerca de rapazes e compraste-o. Eu queria oferecer-to, mas não fui explícito o suficiente. Acabaste por o comprar e no caminho para a caixa acabei por te dizer que ia pôr os meus contactos a funcionar. Mas não o vou fazer. Porque, como amigo teu, tenho de te respeitar e penso, e afirmo com quase 100% de certeza que se tivesses algo de importante para me dizer acerca de ti, me dizias, de qualquer assunto. Saímos e como não viste ninguém, entrámos na loja ao lado. Aí deste por falta do teu outro telemóvel e, ligaste para quem ali deveria estar e não estava e depois essa pessoa liga-te. Saíste da loja dizendo para ficar lá até me mandares SMS. Esperei pela mensagem e após lê-la, fui-me embora, nunca olhando para trás. A minha cabeça pensava que tinha de ir para o autocarro!
Já na carreira 7 comecei a pensa em tudo o que se tinha passado, nas nossas conversas, nas cócegas, nos textos, nas prendas, no tempo que passei contigo e que adorei. No fundo achei-o pouco. Queria passar mais tempo contigo. Uma manhã ou uma tarde inteira, só os dois!!!! Depois perguntei-me se querias passar tal tempo comigo e o que é que iria fazer nessa altura. Não obtive resposta. Mas o que sei é que, foi alegre e bastante amicíssimo.

Por tudo isto, dedico-te este bocadinho de texto, dentro dos outros milhentos que gostas que são meus para ti...

Depois de Roberta acabar de ler, Carlos pede-lhe opinião acerca do texto e a cabeça dela levanta-se. Roberta diz que...

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