Roberta veste o pijama e dá uma volta pela casa, ignorando o DVD que estava em cima da sua mesa de cabeceira. Após tal volta, liga-se à Internet e começa a conversa com os amigos de Portugal. Mal entra no software de mensagens instantâneas repara que Carlos estava online e tenta falar com ele, mas, ele desliga-se antes de receber a mensagem de Roberta.
Carlos tinha acabado o trabalho, estava despachar para regressar a casa, quando a secretária informa-o que vai ter de fazer mais um estudo, visto que a regra da empresa onde ele trabalhava obrigava que fosse o chefe a realizar tal estudo - o de mobilidade a curto prazo (um dos mais difíceis) que tinha de ser entregue até ao dia seguinte; que por erro da secretária devia ter chegado à secretária de Carlos há um mês. A face de Carlos era como uma água poluída, sem vitalidade, com grandes olheiras e pouca vontade de trabalhar. Mas aquele estudo tinha de ser feito, por isso, liga para casa e avisa que não sabe a que horas vai chegar. Nesse telefonema não se lembrou nenhuma vez de Roberta. Ao desligar o telefone, é-lhe dito que adoraram tal entrevista daquela manhã.
Roberta vai ao quarto de Carlos e não o vê. Começa a imaginar coisas erradas, à partida, devido àquele bilhete que ele lhe deixara de manhã. Lembra-se de ir à caixinha dos textos e maravilhar-se com mais uma escrita por Carlos.
Desta vez calhou na rifa um texto que Carlos queria dedicar a Roberta, mas nunca tinha tido coragem, que tinha como tantos outros a mesma mensagem de sempre:
"Quero-a. Ela é minha amiga. Minha amiga, é importante para mim. Ela completa-me. Sinto-me livre com ela, a falar com ela, a sentir-me junto dela, a pensar nela. Digo-lhe isto tantas vezes de forma indirecta. Ela é a minha companheira em quase todas as conversas. Aprendi muito com as conversas mais pessoais com ela. Senti-me como ouvido. Ninguém queria ouvir tudo o que eu tinha para dizer. Mesmo que não a perceba sempre, gosto dela na mesma. Ela é minha amiga".
Roberta chora, levando a caixa para o quarto, vendo uma vez mais o DVD em cima da mesa de cabeceira.
Gosto de me aperceber de que a história ´parece estar a arrancar.
ResponderEliminarTambém devorei esta parte num instante.
O confronto entre o trabalho e a amizade e entre o desejo e a realidade...
Continuo curioso quanto ao DVD!
gostei desta parte ^^ pareceu-me muito sincera.
ResponderEliminarquanto ao teu comentário, para a IW não faria sentido ir a Nova Iorque sozinha, porque iria na mesma sentir a falta dele. as coisas para ela só fazem sentido quando ele está por perto, por enquanto.