segunda-feira, 14 de junho de 2010

A decisão foi tomada (XVIII) - Uma nova vida em Londres

Já noite cerrada, Carlos veste-se com as piores roupas que tinha. Ao sair bate com a porta de forma estrondosa, algo que nunca havia feito de propósito. As lágrimas corriam-lhe pela face, a cara de esforço para tentar contê-las quase que fazia com que a cara abrisse os poros demasiado e começasse a sangrar. As mãos estavam de tal forma contraídas e com pressão que ele era capaz de dar um grito no meio da rua ou fazer alguma parvoíce irracional.

Sem mais nem menos, e sem saber onde ia parar, seguiu na direcção da China Town. Quando se apercebe de tal entrada naquela zona corre loucamente para a prostituta mais próxima. Trá-la para um beco e dá-lhe um pontapé tão forte que a faz não mexer os joelhos. De seguida paga-lhe 1000£ e deixa-a nua.
Quando Carlos cai em si, percebe que ali não pode estar. Que não devia ter feito o que fez, que se havia tornado num homem mal educado e sem educação. Senta-se a um canto e oferecem-lhe um cigarro, mas um cigarro diferente. De certeza que era droga. Ele dá-lhe um murro na pessoa que lhe tinha "dado" tal droga e foge de tal sítio. Alguém puxa-o do meio da rua, estando coberto com uma capa parecida à de um missionário.

Começam a conversar e Carlos responder mal à pessoa que o ajudou. Joaquim responde-lhe dizendo que ele já nem conhece o amigo. Abraçam-se incondicionalmente e Carlos volta a chorar. Joaquim diz-lhe que não é preciso contar nada porque Roberta já o tinha feito. Acrescentou que ele devia ter aprendido a lidar com tais situações de silêncio ainda no Secundário português e não continuar-se a atormentar anos fora como fazia.

Carlos respondeu que o fazia porque não encontrava nada que não fosse mau em tal comportamento. Joaquim calou-o à força. Levou-o para casa e, à porta, deixou uma mensagem para ele: "Pensa no que fazes cada dia e não tentes mudar o que não consegues, tenta sim adaptar-te ao que tens". Carlos ouviu e baixou a cabeça. Quando subiu e vestiu o pijama não estava ninguém no quarto, nem qualquer mensagem de despedida. Depois de desligar a luz e fechar os olhos, tentando assim descansar... Começa a ouvir vozes... "Let's go dear...Let's go..." de forma tão suave; Carlos ignorou tais vozes e chegou-se para o lado direito da cama. Deixando que quem tivesse dito tais expressões pudesse deitar-se no lado esquerdo a seu lado. Depois de se deixar dormir sonhou com a altura em que estava a passar para o 12.º ano. Lembrou-se das dúvidas em relação a mudar de escola, os prós, os contras, as saudades que tinha, os textos, os sons; era como estivesse a reviver aquela situação de novo. Quando ele tomou a decisão, e estava a sonhar com essa parte da vida, acordou. Tinha de voltar ao trabalho, mas deixou um pequeno bilhete para quem fosse que estivesse ao seu lado.

"Dear Person,
Let's go to work... And see our memories in the evening. The 12th grade was very very grateful for me and we were together".

Fonte da Fotografia: Google Images

3 comentários:

  1. adorei esta comédia. continua

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  2. às vezes o desespero leva-nos a fazer coisas sem sentido u.u

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  3. um post simplesmente como nunca vi.

    apesar da emoção transmitida, não consigo deixar de lhe achar uma piada tremenda.

    surpreendente.

    hahaha :D

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