Roberta bate com a mão na testa dizendo que se tinha esquecido da bata que precisava que Carlos a passasse a ferro. Mas lembrou-se que, apesar de no dia seguinte ser sábado, ela não iria trabalhar, ao invés de Carlos.
No escritório do chefe máximo dos transportes de Londres, o tempo ia ficando cada vez mais curto para a entrega daquele estudo. Eram vinte e uma horas e vinte e um minutos. Ele tinha de acabar o estudo até às vinte e duas, hora em que o edifício encerrava portas. Faltavam-lhe três capítulos, excluindo a introdução e a conclusão. Carlos já punha as mãos no ar, barafustava consigo próprio, e culpava a secretária de tudo, e da falta de profissionalismo dela. Até que se lembrou que no final do décimo segundo ano tinha comprado um dispositivo que transformava o que era dito pelo humano em escrita no computador. Foi um alívio.
Carlos tinha levado aquele dispositivo para o escritório na última vez que lá tinha ido, mas estava a pensar dá-lo a alguém.
Por outro lado, e voltando à casa de Carlos, Roberta repara uma vez mais no DVD que estava na cabeceira e abre-o. Não tinha qualquer indicação do que era e se podia ser visto ou não. Como curiosa que é decidiu colocá-lo no leitor de DVD do escritório da casa de Carlos.
Começou por ver publicidade do canal de televisão generalista estatal inglês, mas rapidamente começa um talkshow especial numa estação de metro. Roberta começou a pensar que estava enganado, visto que ela não gostava de transportes, mas sim Carlos. No final de contas, passou-se mais um minuto do programa gravado e a entrevista começa. Roberta presta atenção e repara que tudo lhe é familiar:
- Entrevistadora: Bom Dia Srs. telespectadores, hoje estamos aqui, na estação de Tower Gateway para fazer uma entrevista especial a uma das pessoas mais importantes de Londres. Esta pessoa tem sido muito falada ultimamente e muitos londrino têm estado contra as suas reformas. Aí vem, o chefe máximo dos Transportes em Londres, o Eng. Carlos Bráz.
Bom Dia, sr. engenheiro. Diga-nos então como chegou a Londres e veio parar agora a chefe máximo dos nossos transportes?
- Carlos: Olá a todos. De facto foi uma escolha muito difícil ter vindo para Londres. Estive bastante tempo centrado na minha pátria, Portugal, e vir para aqui alterou muito do que eu era enquanto pessoa. Bem, ao acabar a faculdade TfL convidou-me para estagiar aqui em Londres e claro que eu aceitei. Eu adoro o sistema de transportes de Londres.
- Entrevistadora: Excelente. Mas de facto não era logística e transportes que queria seguir pois não?
- Carlos: Não, não queria seguir nada relacionado com transportes, apesar de ser ter gostado deles desde pequeno. Estive muito mais ligado à área da saúde e ao contacto com as pessoas. Detestava o trabalho de fato e horário fixo das 9h às 17h.
- Entrevistadora: Mas rendeu-se às evidências e tornou-se o nosso "chefão". Fale-nos um pouco acerca de si, porque é que decidiu mudar todo o metropolitando? Para que tantas mudanças?
- Carlos: De facto são mudanças que irão alterar a 100% a vida dos cidadãos de Londres, mas eram reestruturações necessárias. O nosso sistema de metro estava e em algumas partes continua a estar bastante degradado e com falta de acessibilidade a pessoa com mobilidade reduzida, e, perante a União Europeia é necessário progredirmos e evoluirmos para a completa adaptação para todos poderem usufruir do modo de transporte da mesma maneira.
- Entrevistadora: Muito interessante esse seu ponto de vista. Diga-me agora outra coisa, disseram-me que não gosta do Verão. Porquê?
- Carlos: O Verão é uma estação do ano que nos deixa com calor e eu sou bastante friorento, não gosto muito de calor. Gosto muito de praia, mas confesso que nada melhor que a neve e as montanhas. Além do mais, a chuva e o frio, o vento e a neve inspiram-me e dão-me um maior rendimento a nível do trabalho.
- Entrevistadora: Então agora outra questão. A maioria das pessoas, especialmente as raparigas da sua idade estão curiosas para saber porque é que não se mostra à população londrina e porque é que não se deixa levar pelos caprichos próprios da sua idade?
- Carlos: Tudo isto começou quando eu conheci a pessoa que mais me marcou até hoje a minha vida - a minha grande e respeitosa amiga Roberta. Não sinto necessidade de me expor ou de procurar ajuda, porque sinto-me completo e feliz. Estou bem comigo próprio e percebo que se amar alguém isso chegará até mim.
- Entrevistadora: Interessantíssimo o que disse! Essa sua grande amiga Roberta poderá ser a sua companheira para o futuro?
- Carlos: Sinceramente, não acho. Eu e ela conhecemo-nos há bastantes anos, mas não nos amamos. Apenas temos uma grande e aberta relação de amizade. Ajudamo-nos mutuamente, abraçamo-nos e brincamos quando temos de brincar, mas não temos nada, nem achamos que devemos ter, mais do que uma relação de amizade no futuro.- Entrevistadora: Vejamos isso então daqui a uns tempos!!! Assim foi a entrevista com o nosso chefe de transportes em Londres. Obrigado por ver o nosso canal e a seguir vêm as notícias. Uma vez mais obrigado!"
Roberta ficou pasmada com o que Carlos disse. Não sabia como reagir a tanta coisa que ela já sabia, mas Carlos nunca tinha dito em público. Ela ficou boquiaberta no meio do quarto, em pé!
gostei de ver o lado mais bem-sucedido da vida de Carlos Bráz.
ResponderEliminarestou curioso para saber qual a reacção de Roberta.
tens conseguido terminar as partes com um bom final!
quanto ao facto de Carlos não ter conseguido saúde, não significa que o mesmo ocorrerá contigo!