quinta-feira, 10 de junho de 2010

De regresso à grande cidade (XVI)... Uma nova vida em Londres

Dias passaram e Carlos decidiu regressar a Londres. Ao chegar a casa Carlos desata a chorar, molha a almofada em grande quantidade. Sentia-se sozinho. Ele não queria falar com Roberta, com as funcionárias, com os superiores. Ficou meia hora a choramingar e de seguida saiu. Com a cara vermelha, húmida e com cara de choro, sobe a escadaria da estação que gostava mais: Tower Gateway. Uma estação remodelada no tempo em que um dos seus melhores amigos estava em Londres de visita. Foi lá para pensar e poder, ou melhor, tentar passar aquele dia com uma memória decente.

Mas ele não consegui: não havia música, não havia amizade, apenas existiam comboios e uma bilheteira a funcionar. Era demasiado entediante para Carlos. Sentado num banco chorou mais um pouco. As horas passavam, os comboios partiam e ele continuava lá. Até à noite. Decidiu sair da estação quando chegou o comboio que não sairia mais naquele dia. Ficava em Reservado naquela estação. Era hora de jantar. Já estava frio, as luzes das ruas acesas e, ele sem casaco. Tinha trazido roupa à portuguesa e não se tinha vestido de forma formal ou à londrino. Chega a casa. Já quase congelado e sem qualquer vontade de se ir aquecer num banho, deita-se a cama e tranca a porta.

Roberta acha estranho a porta do quarto de Carlos estar fechada e trancada, porque ela passava lá os momentos que podia; aquele quarto era o melhor: o mais aconchegador, o mais quente e com mais recordações. Ela tinha passado todos os dias ali. Sem notícias de Carlos, enverda para a cozinha, perguntando aí à empregada o que se passava. A empregada responde-lhe que Mr. Carlos tinha regressado. Roberta ficou sem saber o que fazer. Ele tinha trancado a porta. Estaria ele lá dentro? Estaria ele no banho? Ela vai ao chaveiro e traz a chave suplente. Carlos, durante esta confusão completa, decide despachar-se e ir tomar um bom banho. Quando Roberta abre a porta vê Carlos em toalha e abraça-o. Ele tinha a toalha bem presa e ambos caíram na cama para conversarem. Carlos virou-se de costas, mas no fundo queria abraçar Roberta. Ele já tinha saudades dela, mas não queria intrometer-se no seu espaço. No fundo queria que ela vivesse a vida dela. Carlos diz a Roberta para ela sair do quarto. Em tom quase de grito, manda-a embora, mas ela mantém-se ali, agarrada a ele. Após dois minutos de alvoroço, e com Roberta a prender a toalha, Carlos levanta-se e sem querer fica nu. Manda-a de novo embora e ela recusa. Sentou-se ali no chão à espera de algo, já frio, longe do quente do banho, espera que Roberta faça algo...

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