sexta-feira, 25 de junho de 2010

A água quente do chuveiro (XXI) - Uma nova vida em Londres

Depois de todos os berros, "falas alto" e afastamentos, Carlos calou-se. Roberta manteve-se calada. Carlos, já calmo, volta para junto de Roberta segreda, mexendo-lhe nos cabelos: É um facto que a calmaria da nossa relação contrasta com afastamento e gritos. Mas não, não me arrependo nem fico chateado. Posso rebentar de tristeza por sentir a tua falta, mas também posso rebentar de alegria por te ter junto de mim.
Puxa-a da cama e entram os dois na casa-de-banho. Minutos mais tarde ouvem.-se risos dentro da casa-de-banho. No fundo eram eles dois a abraçarem-se. Com respeito, nada mais aconteceu. Ao saírem já secos com o robe novo que Carlos nunca tinha estreado, deitam-se juntos na cama e começam a falar:

- Fazes-me sorrir quando queres, Roberta. Estes abraços deixam-me completo. Fazem-me ver o mundo doutra forma... Ai...(suspirando)
- Ainda bem, no fundo os amigos servem para ajudar - responde Roberta.
- Vou-me meter debaixo dos lençóis até amanhã, estou cansado (mostrando cara triste).
- Eu durmo aqui contigo esta noite, ou melhor, dormes tu aqui comigo, porque o quarto é meu, indica com um sorriso Roberta.

Abraçados deixam-se dormir. Quando Roberta acorda sente e depois confirma com a visão que Carlos não estava no quarto. E que tinha um bilhete na sua cama:

"Não te quero pedir desculpa. Já me excedi nas desculpas desde que te conheço. Mas não consegui ficar ao teu lado a noite inteira. Vieram à minha cabeça os teus silêncios e as memórias más. Os teus silêncios sempre indicaram que eu devia parar e mudar de assunto, ou de lugar. Que não estavas interessada naquilo que estava a falar, ou simplesmente até nem te importavas de ouvir, mas não querias saber daquilo pela minha boca. Não consigo viver o presente, com o passado para resolver"

Carlos tinha uma entrevista marcada, mas desta vez fê-la numa estação de metro. Na que ele mais gostava: Tower Gateway. Foram falados temas acerca da vida pessoal do chefe máximo dos transportes em Londres. As funcionárias da casa de Carlos ouviram-na do início ao fim e, gravaram-na, para a poderem rever num futuro próximo.

Quando o entrevistado acabou a entrevista, sai, de cabisbaixo, indo directo para o seu escritório. Assim foi, entra no metro, não sendo reconhecendo, por estar a utilizar bigode e barba falsa; ao chegar ao gabinete começa a trabalhar ficando ali até à hora de jantar.

Por outro lado da cidade de Londres, Roberta estava no seu último dia de uma especialidade. Passaria para a Psiquiatria de seguida, na semana seguinte. A bata branca que Roberta ostentava mostrava uso e necessitava uma lavagem profunda. Ela lembrou-se que quando Carlos lhe lavava a roupa esta ficava-lhe muito macia e limpa.

Roberta chega a casa e vê um DVD na sua mesa de cabeceira...

1 comentário:

  1. Gostei muito desta parte!

    Mais acção, mais romance, mas também mais reflexão.

    Quanto ao final aberto, é uma boa estratégia para cativar :D

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