domingo, 23 de maio de 2010

Olhar para a lua (XIII)... Uma nova vida em Londres

Um abraço bastava, foi o que Carlos disse. Obrigado por tudo Roberta, sem ti não poderia estar aqui, agora, ser o que sou. Devo-o a ti, mesmo que não acredites. Foi o que Carlos disse a Roberta. Abraçaram-se de seguida, enquanto que, no rio, as luzes apagavam-se. Após o abraço correm feitos loucos para o bar mais próximo. Sem se alcoolizarem, beberam algumas canecas de cerveja e, no fim, um suminho fresco de laranja. No dia seguinte, Roberta tinha de voltar para o trabalho. Carlos, segundo Roberta, até podia trabalhar por casa, mas contrapondo logo de seguida o que ela diz, ele responde que se não fosse ele, tudo estava completamente diferente do que está agora, mais velho, sem revitalização do que é necessário e reutilização de troços que até poderão ser rentáveis para a cidade e para os cidadãos.

A noite é passada no mesmo quarto, de onde Carlos, sem sono, consegue olhar a Lua e pensar no bem que lhe faz estar com Roberta. Ela era como fosse a luz dele sempre. Carlos suspirou, beijou na testa Roberta e dá uma volta por casa com a sua caixinha mágica dos textos e recordações. Tirou um que, sem saber, iria fazer recordar um dos dias mais preocupantes para Carlos no 11.º ano:

"Não dormi nada nesse dia. Fui-me deitar cedo, mas às duas da madrugada estava em frente ao espelho da casa-de-banho, de pijama a chorar que nem um louco. Como se fosse o meu último dia naquelas situações, de aluno português, daquela escola, com aquela companhia. No entanto, recordei-me das palavras de apoio e de conselho que lhe tinha dado na véspera para que tudo corresse bem.
Passadas três horas acordei. Eram cinco da madrugada, ainda noite no sítio onde moro. Vi o meu telemóvel e estava lá a doce mensagem de obrigado! Ainda consegui falar com ela antes do embarque. Fiquei feliz. Quando era obrigatório desligar o telemóvel, veio-me uma dor no estômago que só passou às 7 horas e 02 minutos, quando, no sítio electrónico da empresa reguladora dos aeroportos portugueses, vi que o avião tinha levantado voo. Fiquei um pouco mais tranquilo, mas só de pensar que poderia acontecer alguma coisa até Madrid, deixou-me, de novo, a chorar. Mal cheguei à escola, pude ir à Biblioteca ver o estado do voo. Chorei de novo. Acho que pensei que a protegi pouco. Ups... Ainda vai acontecer outra vez, e além disso, tenho uma noite que me faz remoer os fígados há muito. Tenho saudades e medo!"

Carlos, de cara séria, ao pé da janela, na qual via a lua, guarda o texto, fecha a caixa sem dizer nada e deslumbra tal natureza. A Lua, um satélite natural que é tão bela. É como se fosse um dos marcos do horizonte pessoal humano: ver o resto do Universo. Carlos deixa-se dormir sobre o parapeito da janela, e tempo mais tarde, lembra-se de estar no chão, cheio de comichão na sola dos pés. Eram cócegas!

Fonte da fotografia: http://farm3.static.flickr.com/2644/3785455312_6aec8a42dc.jpg

1 comentário:

  1. Belamente escrito.

    Combina perfeitamente com a música: Dancing in the Moonlight (consegui identificar :3)!

    Quanto à interpretação, pouco tenho a dizer. Com receio de me tornar repetitivo, não vou comentar a natureza da relação de Carlos e Roberta neste futuro Londrino, vou, antes, fazer a minha interpretação pessoal relativamente ao simbolismo da lua.

    Lua de Londres. Sabemos que dá luz na noite da capital do Reino Unido.
    Não é, porém, a sua luz. Sabemos que o luar resulta do reflexo da luz solar.
    Assim, creio que pedes conselhos, iluminação e direcção à lua. 'Que caminho seguir?'. Mas sabes, também, que não será a Lua de Londres a indicar-te o rumo. Será o teu Sol. Ele poderá facilitar a tua escolha, mas és tu que a tens de tomar...

    O caminho a percorrer será feito por ti.

    (mas eu estou cá para ajudar no que quiseres e no que me for possível)


    Como já referi inúmeras vezes, estou a gostar muito desta nova história e ADORO o novo ambiente do teu blog. FICFACTO remodelado; mais vivo, mais moderno.

    Parabéns! [por tudo]

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