O grande dia de Dezembro passa-se numa hora. Por Portugal, existem saídas a discotecas e salões de stripp masculino, mas em Londres, Carlos abre o seu arquivo de recordações: a sua caixa da Banda Larga que deixou de ter quando comprou uma "pen". Ao ver os textos que haviam sido escritos e respondidos realça-lhe à vista dois deles: um acerca do trabalho e outro acerca do seu estado espírito.
Nunca tinham sido divulgados ambos, mas eram sentidos. Carlos leu em voz alta os dois, começando pelo do trabalho.
"Vejo-a com outros olhos. Está cada vez mais universitária e de facto, assim é verdade. Sorrio quando acho que ela vai conseguir alcançar os seus objectivos sem qualquer esforço, mas no segundo seguinte lembro-me de toda a angústia que passei com ela. É como o oito e o oitenta. Como que quisesse e não quisesse pensar nela ao mesmo tempo.
Acho que ela está a estudar de mais. Até a posso perceber, mas acho tal esforço desnecessário. Para mim, não faz sentido tal acção. Apenas a vai desgastar mais e torná-la mais fechada. Quase que choro nesses dias. Mas é a vida. E nós temos de a ver dessa maneira."
Carlos, após se ter lembrado de tal texto solta uma lágrima e deixa de novo o seu nariz entupido, é como que algo tivesse voltado. Depois de se recompor, com a lavagem nasal, lê o outro texto:
"Estou completamente vazio. Não consigo sentir nada dentro de mim. É como que o esforço que faço vala zero e que não estivesse preparado para o que me espera. Não sei se aguento. Quando vejo uma falésia na televisão, o que me apetece é aproximar-me dela e atirar-me por ali a baixo, de braços abertos, para ao "chapar" no mar ou nas rochas poder, directamente, passar para o outro lado, estar descansado, não ter problemas com nada e dizer FIM. Mas a imagem que para muitos é bela, rapidamente acaba e eu fecho os olhos na cama. Acho que é o melhor sítio para ter consciência das acções e dos pensamentos..."
Desta vez, Carlos não acaba o texto todo. Recebe uma chamada do Junior Assistent, a perguntar-lhe o que poderia fazer enquanto existiam obras, porque não entendia nada dos planos que existiam em vigor, já que era uma novidade para todos. Carlos explica-lhe tudo, utilizando o seu inglês fluente, dizendo que não faz sentido existirem algumas linhas fechadas e irão ser reabertas, tais como a Jubilee e a Waterloo e City. Estas linhas poderiam ser intervencionadas aos fins-de-semana, deixando que existisse uma circulação eficiente de pessoas.
Carlos consegue explicar todos os seus planos ao seu colega e vai, mais uma vez descansar. Ele achava que Roberta estava cada vez mais longe e que nunca mais a iria ver.
esta história está a desenvolver-se de uma forma curioso. anseio por novidades.
ResponderEliminarsinto muita emoção nestes textos. sei que sentes a falta dela, por um lado, mas, por outro, dói-te só de pensar. compreendo.
devias ter uma conversa directa com ELA