sexta-feira, 21 de maio de 2010

A casa vazia e o metro escuro (XII)... Uma nova vida em Londres

Carlos lembrara-se que Roberta perdera a chaves. Utilizando a serra eléctrica, no dia seguinte, que tinha abriu a porta da casa dela e ofereceu-lhe uma porta nova, para a casa que era arrendada. Disse-lhe e afincou o pé de que ela ia viver com ele, seja na mesma cama, no mesmo quarto, no mesmo piso ou na mesma casa, mas que ali naquela casa arrendada ela não ia ficar. Roberta ficou confusa com tudo isto. Pensou em Madrid, quando houve uma troca de quartos e ambos tiveram de ficar numa só cama. Contrariando tal facto, Carlos disse que se fosse preciso fazia obras na casa que tinha.

Nessa noite, ele ficou a pensar se tinha agido de maneira correcta. Começou por escrever um texto intitulado de "Rico ou com muito dinheiro?".

"Passaram-se anos. Eu, de início, pensei que ela era rica e que se iria portar de maneira diferente. Que se iria exibir perante todos com tudo o que pudesse. Não digo que, por vezes, tivesse ficado amedrontado com compras que ela fazia ou com aparições na escola. Mas também não me fiquei atrás. Peguei no meu poderoso valor e arrebatei o dinheiro dela. Percebi aí que ela não passava, realmente, de uma pessoa que era modesta e simples, com alguns luxos é certo, mas que não se exibia em extremos. Nem em 8, se calhar em 10. Por aí!
Será que fiz bem hoje? Acho que tornei-me eu rico e fiz de mais. Dar a entender que fazia obras se ela quisesse e, além disso, paguei-lhe, sem mais nem menos, uma porta e uma nova fechadura. Diria eu, no ensino Secundário, que não estava a cumprir com os meus objectivos de vida - a poupar. Será que fui correcto? Tenho remorços. Não sei que fazer. Lembro-me quando aplicava o termo remorços às memórias que tinha dos sonhos 'maus' da infância, quando me ia, de novo, deitar. Mas agora são outros. Tenho medo... Não sei se fiz bem. Eu fiz as minhas escolhas mal! Quero ser feliz! Acho que não o sou!"

Estava Carlos a pôr o último ponto de exclamação no texto que tinha escrito e Roberta convida-o para sair. Sem mais nem menos levou-o para uma das pontes mais bonitas, London Bridge, que há noite é como se fosse a ponte D. Luiz I, mas cem vezes mais bela. Mas, algo me despertou a atenção. Havia luzes no Tamisa. Luzes de mais. Aquela hora não existiam tantas ligações para tantos barcos. Passados 5 minutos, nota-se um desenho no rio, algo que já se tinha feito no passado, a junção das duas abreviaturas dos primeiros nomes, com a palavra "obrigado" por baixo. Carlos apoia-se na ponte e derrama uma lágrima do seu olho esquerdo. A lágrima mal se via. Estava escuro e ali por baixo passava o metropolitano. Num último instante Roberta pede a Carlos para este lhe dar a mão.

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