quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Memória Textual e não só (VII) - Uma nova vida em Londres

Carlos mexeu-se na cama após Roberta ter lido tal frase em voz alta. Ela voltou a colocar aquele papel na caixa e tirou outro. Ela estava a aguentar há mais de duas horas a vontade de urinar e leva a caixa para a casa-de-banho. Lá, concentra-se a ler o papel que tirou da caixa. Aquele texto era um dos mais bonitos:

"Olá. Depois de falarmos tanto acerca da tua ídola, e de termos chegado À conclusão acerca de quem tinha sido a minha escrevi isto. Senti um silêncio grande da tua parte e mesmo depois de teres dito que não valia a pena o medo, continuei com ele. Considerar alguém como ídolo é difícil e especialmente para mim, como bem sabes. Já tive demasiadas desilusões até aos 16 anos e não me apetece voltar a ter mais em tempos breves. Se as tiver, terei de me reconfortar. Não é a salvar vidas como dizes que vais conseguir que tu sejas a minha ídola de novo. Tive vários meses a pensar nesse assunto, na importância que tu tinhas para mim, nas minhas acções para contigo, na nossa relação de amizade, nos nossos pedidos, nas nossas conversas. Passaram treze meses depois de eu não ter considerado mais como ídola. Nesse tempo, houve momentos em que me surpreendeste bastante, mas outros em que me deixaste a pensar, se realmente eras tu quem eu conhecia. Vi-te crescer. Passei contigo um dos grandes passos na tua vida. Não me irei esquecer dele nunca mais. Não me posso também esquecer de tudo o resto que nos une, quer estejamos perto ou quer estejamos longe. Volto a dizer que o futuro é incerto, mas espero que se o futuro me atraiçoar, que não atraiçoe a nossa amizade. Mais uma vez o teu silêncio agonia-me. É como que eu sentisse que algo não está bem; olho para o preto electrónico e imagino algo que não é uma Roberta sorridente, mas sim uma pessoa que quer afastar-se. Porquê, perguntas tu? Não sei responder. Contigo, não consigo responder à maioria das coisas. Contigo tudo é diferente nada relação de amizade. É tudo mais estável, mesmo quando temos conversas acesas! És um exemplo a seguir para muitos, mas eu não chego aos teus calcanhares. No entanto, acho que como minha amiga.
Já sabes como eu sou! Este texto tem um mistério que tens de decifrar. Não te esqueças de o desmistificares. Sem ele, não perceberás a verdadeira razão de tal escrita. Boa Sorte."

Roberta comoveu-se uma vez mais ao ler o texto e ao entender o que Carlos queria dizer. Entretanto no quarto, Carlos levanta-se e apercebe-se que Roberta não está com ele. Estava de novo sozinho. A família tinha ido no avião antes de Roberta chegar e ali ele tinha ficado dois dias, doente, com a governanta e com mais cinco empregados. Ele, dirige-se para a casa-de-banho, roda o manípulo e repara que Roberta está lá. Fecha a porta de repente e volta para o quarto. Veste-se e saí de casa com dois pacotes de lenços, pela porta de serviço. Roberta fica em casa à espera que ele volte.

2 comentários:

  1. *história muito realista.
    *gosto do facto de se passar em Londres
    *gosto dos pormenores q vais dando sobre o metro
    *parece mesmo que nos encontramos na capital do Reino Unido.
    *gostaria de ver algumas cenas passadas mais na cidade em si +.+
    *adoraro ler os teus textos e reviver momentos passados lá

    parabéns! aguardo a continuação.

    quanto à interpretação,
    pouco mais tenho a dizer, com receio de me tornar repetitivo...
    se Roberta já não é a ídola de Carlos, este devia dizer-lhe e explicar a razão, tendo em conta, nessa 'discussão', os pontos a melhorar na relação

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  2. eu não! mal tenho conseguido pegar nas coisas de mat. ando cansado... enfim.

    com o meu novo texto, revivi muito foi a ida à opera +.+

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