Pinto a parede com lápis de carvão. O que antes era a minha parede branca, de lado, onde a cama estava estava encostada, agora está rasurada com ideias e bonecos mal feitos a carvão. A cor não vem e as tonalidades da grafite acumulam-se naquela parede que era tão perfeita.
Como é que algo deixou de ser perfeito para se tornar imperfeito? É como que um retrocesso, quando a parede esteve a ser construída pela primeira vez com cimento e tijolo.
Hoje chateei-me com os desenhos que tinha feito a lápis na parede e peguei num balde verde, redondo cheio de água e esfreguei a parede. Não queria retrocessos. Não queria sentir a força de algo que quer estar limpo, brilhante e na calma contra mim, (sim, porque eu estava a estragar uma bonita parede branca). A única coisa que lhe posso fazer é dar-lhe cor, mas, como disse, elas não chegam.
Silêncio.... Toque do WLM. Parece que mais alguém precisa de uma informação importante.
O que eu fiz? Escrevi num post-it que a minha parede que era branca não pode deixar de o ser e inferiorizar-se e tenho de conseguir as cores de forma rápida e segura.
PS: As próprias paredes têm vida, sentem o que nós sentimos.
é natural sentirmo-nos como a parede? usados e imperfeitos?
ResponderEliminarCaro RP...
ResponderEliminarDe facto não é natural, mas acaba por ser qual inevitável. Neste caso acho que o rapaz retratado no texto não se sente usado (pelo menos no último mês), mas sim imperfeito.