sábado, 12 de fevereiro de 2011

Desabafo #6

Estava no meio da minha aula de Área de Projeto quando, me vêm à ideia os comportamentos adolescentícios pouco bonitos que por vezes calho em ter. Um colega meu tinha entrado na aula à pouco tempo e estava a falar com outro meu colega. Eu olhei para o lado e deixei as tabelas de Word que estava a preencher.

Ali estava ele com a mala do costume. Os meus olhos, como habitualmente, abriram-se por completo e minha boca fez com que fizesse cara de mau, sério e com pouca paciência - a minha cara habitual - (mas que até dá jeito para evitarmos falarmos com pessoas nos centros comerciais quando temos pressa acerca de contas bancárias ou outros equivalentes), no entanto, e, pela primeira vez, os lábios caíram. A minha expressão facial entristeceu, tornou-se mais carregada, menos clara e mais abafada pela força bruta que cada vez mais eu fazia ao carregar nas teclas do computador.

Lancei naquela altura inúmera questões, sobre inúmeras atitudes, onde, e aproveitando uma expressão de uma amiga minha, os meus olhos deitavam faíscas a torto e a direito:

- Se naquele dia frio de janeiro, quando o sol já se estava a pôr, eu não tivesse mandado mensagem a um colega a tentar controlar uma "relação", e tivesse deixado as coisas fluírem normalmente entre eles?

- Se naquele dia cinzento, numa sexta-feira, eu não tivesse tido Inglês à tarde e me tivesse deixado ficar por casa, seria a minha melhor amiga mais feliz agora?

- Se eu me tivesse apercebido da minha fraca capacidade emocional - por vezes, sim é verdade - para alguns assuntos, teria mudado de escola e teria sofrido menos?

- Se eu não fosse tão sentimentalistas nalguns casos, teria ainda motivos específicos para me poder levantar dia após dia a sorrir com uma enorme vontade?


Sim, e depois de tudo isso, acabei por me abraçar a uma amiga minha do meu grupo de AP durante cinco minutos. Faltavam 15 minutos para o fim da aula, mas eu não me queria martirizar muito mais. Pedi para sair e deambulei até à Associação de Estudantes, a fim de deixar o meu material no armário. Estava com cara triste. E, sendo realista-negativista, o que é bom, e me é valorizado, acaba por ficar armazenado cá dentro e poucas vezes dito a todos, memorizado - a caminho do inconsciente humano.

1 comentário:

  1. Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.

    enfim.....

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