É cíclico que sempre que algo de mau acontece, de seguida algo de bom vem repará-lo, mas depois, algo que nunca se pensou substitui o bom e o mau regressa. No entanto, se isto acontecer várias veres, mesmo quando o outro não sabe o que é, torna-me completamente derreante e estafante para aquele que matuta muitas vezes no mesmo assunto, no mesmo tema.
A noite havia sido demasiado tranquila para ambos, naquele sofá tão confortável, dormiram como anjinhos. Rotina que raramente é quebrada, acontece sempre, e Adriana tinha o pequeno-almoço feito e preparado. No entanto, apresentava mudanças... O leite com chocolate deu lugar ao leite de soja e o pão barrado com manteiga originou o pão com fiambre ou queijo. Daniel não admitiu que Adriana lhe perguntasse alguma coisa, comeram os dois, após ela ter falado num tom mais alto com Daniel acerca do martírio que ia ser para beber aquele leite de soja. Ele não ligou a anda do que ela disse. Saíram de casa e foram apanhar o barco a caminho de Lisboa. A surpresa foi quando Daniel apanhou o 732 e não acompanhou Adriana no metro. Um ligeiro e acolhedor roçar na cara e um segredar de "tem um bom dia de aulas, vêmo-nos logo" demonstraram que algo havia mudado. Estranho lá isso era, mas Daniel não disse nada a Adriana e ela ficou com a pulga atrás da orelha. Há última da hora, ela surpreende Daniel quando vai ter à paragem do autocarro com ele. Estranho é, por a faculdade dela não era servida por aquele autocarro, no entanto, Daniel pensou que andar um bocadinho não tinha problema. Adriana vê a paragem da faculdade de Farmácia a passar e Daniel não saiu. A paragem mais próxima para ela era a da cantina da Universidade, e quando o autocarro anuncia essa paragem ela pergunta-lhe, se Daniel sairia naquela paragem. Ele responde-lhe que não. Então ela pergunta-lhe se o médico mandou-lhe ir ao Hospital fazer algum exame a Daniel responde mais uma vez negativamente.
A pulga atrás da orelha continuava e Daniel quando chega ao término da linha, Hospital de St.ª Maria, dirige-se ao departamento e realiza tudo o que estava previsto.
Adriana, pelo outro lado, vai para as aulas, mas toma atenção ao telemóvel. Num dos intervalos recebe uma mensagem: "Olá mana. Vens almoçar comigo? Quero contar-te novidades!" Mais uma vez, estranho, achou Adriana, porque a faculdade de Daniel tem uma cantina própria.
Chega à hora do almoço e Daniel aparece de bata branca com uma mancha roxa no tecido. Em farmácia mexe-se com produtos químicos é normal, mas Daniel depressa demonstrou que algo de estranho se tinha passado. Algo que Adriana não se teria apercebido é que Daniel deixou claro numa das suas cartas anteriores o que ia acontecer e as mudanças que iam existir. Mais uma vez ela tinha-se esquecido do que era. Daniel não se desmanchou. Ele, sai da faculdade e chega mais cedo a casa. Tem o jantar ao lume quando chega, Adriana a casa.
Parecia cansada e completamente zangada com algum assunto...
tens razão quando afirmas que parece que as relações emocionais são ciclos. São, de facto, ciclos.
ResponderEliminarSão ondas, têm período, têm frequência... Os altos são bons, os baixos são maus. Há alternância de momentos.
Quando é frequência é demasiado alta e a oscilação se dá de um modo muito acelerado, torna-se insuportável. Quando o período é longo, os momentos bons têm grande duração, mas também têm os maus - os momentos agradáveis parecem passar depressa, mas o que não nos agrada parece durar indefinidamente.
A oscilação tende a ser uma constante e, quer se dê com alta frequência (e, consequentemente, baixo período) ou com baixa frequente (alto período), é dolorosa e pode rebentar uma relação por dentro.
Procuramos estabilidade, isso é certo, mas será que a encontramos?
A mudança parece estar sempre presente.
Como é possível?